terça-feira, 1 de maio de 2018

[TRADUÇÃO] Deus como Designer - Buddy Spaulding

Olá, leitores. Trago desta vez um texto traduzido por um amigo meu da revista God and Nature, publicada pela American Scientific Association.  O texto dá algumas sobre o assunto Design Inteligente, sobre como associar a ideia de um designer ou planejador do Universo ao Deus cristão no qual cremos. Também há uma breve reflexão sobre a relação entre a evolução biológica e a questão d do design.  


Deus como Designer 

por Buddy Spaulding 

Qualquer pessoa familiarizada com o debate de décadas de duração sobre origens - ainda uma questão contenciosa no evangelicalismo americano - ouviu alguém dizer algo ao longo destas linhas: “Olhe para o olho humano! É tão complexo, só pode ser o produto do Design (divino)!”. Enquanto eu mesmo concordo que existe um design inerente ao mundo natural, e confesso plenamente que também concordo que o Designer é de fato Divino, a questão permanece: "o que se entende exatamente quando dizemos 'Designer'?" 

segunda-feira, 2 de abril de 2018

[Livro] Como o Cristianismo Mudou o Mundo

Olá, leitores. Trago a tradução/adaptação feita por mim de uma cartilha da Christian Book Summaries com breves tópicos a respeito do livro "How Christianity Changed the World" (Como o Cristianismo Mudou o Mundo), de Alvin J. Schmidt. Atualmente, o site deles está fora do ar, mas consegui a cartilha neste endereço web. Além disso, o livro aparentemente não tem tradução em português, por isso, pelo menos este resumo pode dar um gostinho aos leitores sobre esse assunto tão interessante. 


Como o Cristianismo Mudou o Mundo


Objetivos:
  • Pesquisa e ilustra os 2.000 anos de influência que o cristianismo teve no mundo.
  • Revela como não apenas indivíduos, mas toda a civilização foi transformada por Cristo.
  • Adverte que a atual cultura de secularismo e pluralismo tem obscurecido a influência de Cristo na civilização ocidental.

A mensagem do livro

Jesus Cristo - Seu nascimento, vida, morte e ressurreição - teve uma profunda influência na vida humana. Através do Seu exemplo, a civilização ocidental alcançou um nível mais alto do qual a humanidade, sem saber, se beneficia até hoje.

Oito principais pontos que Cristo influenciou profundamente


TRANSFORMAÇÃO DE PESSOAS

“Com base nas evidências históricas, estou plenamente convencido de que se Jesus Cristo nunca tivesse andado nas estradas empoeiradas da antiga Palestina, sofrido, morrido e ressuscitado dos mortos, e nunca tivesse reunido em volta dele um pequeno grupo de discípulos que se espalharam pelo mundo pagão, o Ocidente não teria atingido seu alto nível de civilização, dando-lhe os muitos benefícios humanos que desfruta hoje.”
Pessoas Transformadas

Eles eram cidadãos judeus comuns - vários pescadores, um coletor de impostos desprezado e outras ocupações de baixo nível. Entre eles, havia uma variedade de características pessoais e personalidade: excesso de confiança, busca de atenção, ceticismo e avareza. Esses mesmos indivíduos, por causa de Jesus Cristo, foram transformados em seguidores devotados que produziram mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais que afetam a vida humana até hoje. No entanto, eles preferiram dormir em vez de consolar Jesus no Jardim do Getsêmani; Pedro - o mais confiante - negou conhecê-lo e todos, exceto João, esconderam-se com medo quando Jesus foi crucificado. Quando Cristo morreu, pareceu aos discípulos que tudo o que haviam testemunhado e experimentado havia acabado, de forma que temiam por suas vidas. Eles passaram três anos vendo-O, ouvindo-O - vivendo em Sua presença física real - e, apesar disso, não conseguiram lembrar Suas palavras explícitas: “o Filho do Homem deve sofrer muitas coisas e ser rejeitado pelos anciãos, chefes dos sacerdotes e mestres da lei, e ele deve ser morto e ressuscitado no terceiro dia ” (Lucas 9:22).

No terceiro dia, havia uma tumba vazia, houve uma aparição a Maria e uma aparição a dez dos discípulos em uma sala bem fechada. Mas Tomé, que não estava entre esses dez, recusou-se a acreditar. Ele queria provas absolutas - tocar as mãos feridas e o lado de Cristo. Oito dias depois, com Tomé presente, Jesus apareceu novamente e pediu a Tomé para tocar suas mãos e lado. Ao tocar Jesus, Tomé gritou: "Meu Senhor e meu Deus!" (João 20:28).
“Sua confissão, a mais significativa em toda a Bíblia, declarou que esse Jesus ressuscitado não era apenas um homem, mas também Deus”.
Cristo apareceu depois pelo menos 20 vezes. Ele assegurou a seus seguidores que ele não era apenas um espírito - Ele tinha carne e ossos, e comia com eles. O corpo fisicamente ressuscitado de Cristo transformou o medo dos discípulos em segurança, e a dúvida em certeza. Eles entenderam Suas palavras, ditas antes da crucificação: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá” (João 11:25–26) e “todo aquele que vê o Filho e nele crê terá a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:40). Ficou claro para eles que um dia, como crentes em Cristo e em Sua ressurreição, eles também seriam ressuscitados dentre os mortos e viveriam com Ele para sempre.

Eles entenderam. Eles foram transformados e, por essa transformação, eles foram motivados a levar essa mensagem ao mundo. Eles não estavam mais com medo. Ao longo dos anos que se seguiram, eles foram ameaçados de morte pelas autoridades romanas. Em resposta, Pedro e João afirmaram destemidamente: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (Atos 4:20). Eles viveram esse fato histórico e estavam dispostos a morrer para compartilhá-lo. Todos, exceto o apóstolo João, morreram de forma sangrenta por este testemunho.
“Ninguém escolhe morrer por histórias inventadas.”

A Crucificação de Pedro, por Caravaggio. 

O poder de Cristo para transformar os indivíduos não terminou com os discípulos. Por meio de Sua presença e/ou de seus discípulos, muitos outros foram transformados e, por sua vez, deixaram suas marcas na história. Fortalecidos pelos exemplos de Estêvão, Tiago e Saulo (Paulo), centenas e depois milhares de cristãos sofreram severa perseguição, que muitas vezes os levou à execução, ao longo dos primeiros trezentos anos após a morte de Jesus. Nas mãos de imperadores romanos como Nero (54-68 d.C.), Domiciano (81-96 d.C.), Antônio Pio (138-61 d.C.), Marco Aurélio (161-80 d.C.), Valeriano (253-60 d.C.) e outros, muitos cristãos foram perseguidos, torturados e mortos. Robin Lane Fox observou que, durante esse período, os cristãos “não eram conhecidos por atacarem seus inimigos pagãos; eles não derramam sangue inocente, exceto os seus próprios”.

Os primeiros cristãos não se propuseram a mudar o mundo. O mundo é que foi afetado como um subproduto de suas vidas transformadas. Eles rejeitaram os deuses pagãos e recusaram o estilo de vida imoral dos greco-romanos. Eles sabiam que Jesus não fez promessas de uma vida fácil e sem dor. Pelo contrário, ele previu que eles seriam odiados e desprezados por sua crença nEle.

Os crentes continuam a ser transformados na era pós-neotestamentária; por exemplo, John Hus, Martinho Lutero, Johann Sebastian Bach, Willian Wilberforce, David Livingstone, Dietrich Bonhoeffer e C. S. Lewis. Esses indivíduos tornaram o mundo um lugar mais humano e civilizado porque, como muitos cristãos antes deles, viveram suas vidas de acordo com as palavras de Jesus Cristo: “Que a tua luz brilhe diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e louvem o teu Pai que está no céu” (Mateus 5:16).

VALOR DA VIDA HUMANA


Vida Humana Santificada

 Os primeiros cristãos ficavam chocados com o valor extremamente baixo que os romanos e gregos atribuíam à vida humana. Os cristãos acreditam que o homem foi criado à imagem de Deus (Gênesis 1:27) - a coroa gloriosa da criação de Deus! A vida humana deveria ser protegida e honrada, independentemente de sua forma ou qualidade. Eles se opuseram ativamente à depravação da sociedade greco-romana em questões como infanticídio, abandono infantil, aborto, sacrifícios humanos e suicídio.

Bebês nascidos deformados ou frágeis eram mortos, principalmente as meninas. Esse comportamento não era exclusivo das culturas greco-romanas - o infanticídio também era comum na Índia, na China e no Japão. Também ocorreu nas selvas brasileiras, entre os esquimós, em partes da África pagã, e entre vários nativos americanos da América do Norte e do Sul.

Os primeiros cristãos chamavam o assassinato de crianças infanticídio com base no mandamento de Deus: "Não matarás". A atitude deles era fiel às palavras de Paulo, escritas pouco antes de ele mesmo ser executado por Nero: "Não se conformem com o padrão deste mundo, mas sejam transformados pela renovação de suas mentes. Então vocês serão capazes de experimentar e aprovar a vontade de Deus - a Sua boa, agradável e perfeita vontade” (Romanos 12:2). Se bebês indesejados não fossem mortos diretamente, eles seriam frequentemente abandonados. Os cristãos não apenas condenaram o abandono de crianças, mas também levavam essas crianças para suas casas. Embora severamente perseguidos, os cristãos nunca pararam de promover a santidade da vida humana. Só após meio século de pressão que Valentiniano, um imperador convertido ao cristianismo e influenciado pelo bispo Basílio de Cesaréia, proibiu o infanticídio e o abandono de crianças em 374. O aborto também era uma prática comum da cultura greco-romana. Esta prática foi usada para esconder a evidência de infidelidade sexual e para permanecer sem filhos. Muito antes do nascimento de Cristo, filósofos como Platão, Aristóteles e Celso ajudaram a validar a prática do aborto. Platão enfatizou que “era da prerrogativa do governo submeter a mulher a abortos para que a cidade não se tornasse muito populosa” (A República, V, 461). Os cristãos primitivos, assim como eram os judeus muito antes do nascimento de Cristo, acreditavam na santidade da vida humana, incluindo a vida no útero.
“A oposição da igreja primitiva ao aborto, juntamente com a sua condenação ao infanticídio e ao abandono infantil, foi um fator importante na institucionalização da santidade da vida humana no mundo ocidental. (...) A santidade da vida, com a exceção do aborto, ainda está presente em grande parte hoje [na cultura]”.
O sacrifício humano, os espetáculos de gladiadores e a aceitação geral, se não a glorificação, do suicídio também eram práticas comuns. Com o tempo, estes também foram banidos como resultado da oposição cristã, baseada na santidade da vida humana.

Moralidade Sexual

Os primeiros cristãos se opuseram às atividades sexuais imorais dos gregos e romanos. Motivados pelas palavras de Cristo: "Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos" (João 14:15) e ao mandamento de Deus: "Não cometerás adultério", eles rejeitaram completamente o comportamento imoral. Consequentemente, eles foram desprezados e perseguidos ainda mais.
“Ao se opor à decadência sexual greco-romana, seja ao adultério, fornicação, homossexualidade, pedofilia ou zoofilia, e introduzindo padrões sexuais agradáveis ​​a Deus, o cristianismo elevou grandemente a moralidade sexual do mundo. Foi uma de suas muitas grandes contribuições para a civilização, uma contribuição que muitos cristãos hoje (que nominalmente compõem cerca de 83% da população americana) não parecem mais apreciar, muito menos defender, já que esforços calorosos estão em andamento para trazer de volta a devassidão sexual do paganismo antigo.”
Afresco achado em Pompeia mostrando uma orgia sexual.

As mulheres recebem liberdade e dignidade

Como se vê nos atuais países islâmicos, as mulheres, em culturas sem influência cristã, ainda estão sem liberdade e dignidade. Os antigos atenienses da Grécia tratavam as mulheres da mesma maneira. As mulheres não tinham permissão para sair de casa sem um acompanhante masculino. Eles não tinham permissão para comer ou interagir com os convidados do sexo masculino de seus maridos. A discriminação contra as mulheres começava desde quando eram crianças. Muitas crianças do sexo feminino eram mortas logo após o nascimento. Aquelas que sobreviviam não eram autorizadas a frequentar a escola. Ao longo de suas vidas, as mulheres não eram autorizadas a falar em público e eram fortemente encorajadas a permanecer em silêncio em casa. Elas eram consideradas inferiores aos homens e muitas vezes igualadas ao mal. As mulheres romanas tinham um pouco mais de liberdade, mas não tinham nenhum dos direitos e privilégios dos romanos.

Em contraste, as ações e ensinamentos de Cristo elevaram o status das mulheres a um nível que nunca existiu antes.
“Tanto por palavras quanto por ações, ele [Jesus] foi contra as crenças e práticas antigas e tradicionalmente aceitas que definiam a mulher como socialmente, intelectualmente e espiritualmente inferior. Fiel às suas próprias palavras, ele disse uma vez: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância" (João 10:10). Se algum grupo de seres humanos necessitava de uma vida mais abundante, espiritualmente e socialmente, eram as mulheres de sua época”.
Jesus desafiou as normas culturais ao aceitar e honrar as mulheres, como se pode ver nos exemplos do diálogo com a mulher samaritana (João 4:5–29), a defesa de Maria no caso de Maria e Marta (Lucas 10:38–42), Suas palavras para Marta [na ocasião da morte de Lázaro] (João 11:25-26) e na aparição para as mulheres após Sua ressurreição (Mateus 28:10). A Igreja Apostólica passou a aceitar mulheres em papéis de destaque, como visto nos exemplos de Ápia (Filemom 2), Ninfa (Colossenses 4:15), Priscila (1 Coríntios 16:19), e Febe (Romanos 16:1-2).

Gradualmente, as mulheres na cultura ocidental passaram a desfrutar de liberdade e dignidade, sendo vistas como indivíduos em vez de propriedade, tendo controle sobre suas próprias propriedades, recebendo direito de tutela sobre seus filhos, escolhendo quem e quando casar e se recusando a ser fisicamente mutiladas de acordo com o costume de suas culturas.

Filósofa e poetisa medieval Cristina de Pisa lendo para o povo

Embora Cristo e os primeiros cristãos nunca tenham pregado a revolução em favor das mulheres, Seus seguidores refletiram Seu exemplo em seus relacionamentos, assegurando à mulher dignidade, liberdade e direitos desconhecidos anteriormente.

Escravidão Combatida

A abolição da escravidão e a rejeição da segregação estão enraizadas nos primeiros ensinamentos do cristianismo. O cristianismo não era restritivo. Foi oferecido gratuitamente a todos os indivíduos, classes e nações. Na época de Cristo, 75% da população na antiga Atenas e mais da metade da população romana eram escravos. Paulo, em Gálatas, disse a Filemom que ele não deveria mais manter Onésimo como escravo. Ele deveria tratar Onésimo como irmão. Paulo disse aos cristãos da Galácia que eles eram “nem judeus nem gregos, nem escravos nem livres (…) porque todos vocês são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

A oposição à escravidão não era popular durante a era greco-romana; nem era popular na Inglaterra ou na América no século XIX. Ao longo da história, foi necessária uma incrível coragem e convicção por parte dos cristãos para libertar os escravos.
“No início do século IV,  Lactâncio (o “Cícero Cristão”), na sua obras Instituições Divinas, disse que aos olhos de Deus não havia escravos. Santo Agostinho (354-430) via a escravidão como o produto do pecado e como contrária ao plano divino de Deus (A Cidade de Deus 19:15). São Crisóstomo, no século IV, pregou que quando Cristo veio ele anulou a escravidão. Ele proclamou que "em Cristo Jesus não há escravo (...) Portanto, não é necessário ter escravos. (…) Compre-os, e depois de lhes ter ensinado alguma habilidade pela qual eles possam se manter, liberte-os" (Homilia 40 em 1 Coríntios 10)”.
[Nota do tradutor: Apesar dessas admoestações, baseadas nas palavras de Cristo, a escravidão voltou a aparecer na cultura ocidental, cerca de mil anos depois, na época do Renascimento. Isto ocorreu porque houve um contínuo interesse na época pelas culturas pagãs pré-cristãs, o que também levou a mudanças na arte e no pensamento. A influência do Renascimento levou a prática da escravidão para a Idade Moderna e foram necessários séculos de oposição das lideranças da Igreja (que depois da Idade Média, perderam influência na sociedade) para que pudesse ser abolida novamente.]
Através do incrível trabalho, coragem e liderança do político britânico e abolicionista William Wilberforce, a escravidão foi abolida nas colônias inglesas.
“O biógrafo de [Wilberforce], John Stoughton, diz: "Ele acreditava em Jesus Cristo como a imagem do Deus invisível; ele acreditava que somos salvos pela graça; ele acreditava na justificação pela fé; ele acreditava na obra do Espírito Santo; ele acreditava no mundo por vir. Essas crenças, com suas conseqüências e aplicações práticas, eram tão valiosas para ele quanto a própria vida”.
Em 26 de julho de 1833, poucos dias antes de sua morte, Wilberforce recebeu a notícia de que o Parlamento aprovou a Lei da Abolição, libertando 700.000 escravos.

Nos Estados Unidos, a escravidão continuou por mais trinta anos. Homens e mulheres de grande coragem, como Elijah Lovejoy, que foi baleado por suas convicções; Edward Beecher, que abriu as portas do Illinois College para estudantes negros; Harriet Beecher Stowe, que publicou o Uncle Tom's Cabin; John Hersey, que publicou um apelo aos cristãos sobre o tema da escravidão; Julia Ward Howe, que escreveu “Hino de Batalha da República”, e muitos outros trabalharam, lutaram e morreram para acabar com isso. Finalmente, em 1863, Abraham Lincoln acabou com a escravidão nos Estados Unidos, emitindo sua Proclamação da Emancipação.
“Assim, o esforço para acabar com a escravidão, seja Wilberforce na Grã-Bretanha ou os abolicionistas na América, não foi um fenômeno novo no cristianismo. Tampouco foram novos para a ética cristã os esforços de Martin Luther King Jr. e as leis americanas de direitos civis dos anos 1960 para remover a segregação racial. Eles eram meros esforços para restaurar práticas cristãs que já existiam nos primeiros séculos do cristianismo”.
Muitos homens e mulheres negros ao longo da história foram considerados santos pela Igreja Católica. Acima da figura, uma citação de uma bula papal de Gregório XVI condenando a escravidão.


CARIDADE, COMPAIXÃO, HOSPITAIS E CUIDADOS DE SAÚDE


Caridade

Na era greco-romana, oferecer cuidados aos pobres, enfermos ou moribundos não era comum. Na cultura pagã, as pessoas davam às vezes, mas algo era esperado em troca. Na cultura cristã, os crentes davam oferendas para o alívio econômico ou físico do recebedor, com nada esperado em troca. A doação cristã refletia as palavras de João: “Nisto consiste o amor: não que amamos a Deus, mas que ele nos amou e enviou seu Filho como sacrifício expiatório pelos nossos pecados. Amados, se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros” (1 João 4:10-11) e as palavras de Paulo: “Cada um de vocês deve olhar não só para os seus próprios interesses, mas também para os interesses dos outros” (Filipenses 2:4). A caridade praticada pelos cristãos foi notada pelos que os rodeiam.

Compaixão

A compaixão humana era rara dentro das culturas antigas - ia contra os ensinamentos de seus filósofos. Platão e outros sustentavam que um pobre homem deveria ser deixado para morrer se não pudesse mais trabalhar. Os greco-romanos consideravam os famintos, doentes e moribundos não dignos de assistência humana.

Jesus demonstrou uma abordagem totalmente diferente. “Ele teve compaixão deles e curou os doentes” (Mateus 14:14). Seguindo a admoestação de Cristo, os primeiros cristãos procuravam dar compaixão aos doentes e moribundos sem pensar em receber nada em troca. Isso era feito não só com os doentes e moribundos, como também com os órfãos e os idosos.

A caridade e a compaixão continuam até hoje, tanto de forma individual como coletivamente, por meio de inúmeras organizações de caridade e sociedades beneficentes. Na maioria dos casos, os que recebem assistência social não fazem ideia de que a assistência que recebem é dada por causa da influência do cristianismo.
“Em resumo, toda vez que a caridade e a compaixão são vistas em operação, o crédito vai para Jesus Cristo. Foi ele quem inspirou os seus primeiros seguidores a dar e ajudar os desafortunados, independentemente da sua raça, religião, classe ou nacionalidade. (…) Estes primeiros cristãos estabeleceram um modelo para os seus descendentes seguirem, um modelo que as sociedades seculares modernas de hoje procuram imitar, mas sem motivação cristã ”.
"O Dom da caridade", de Waldmuller. 

Hospitais e Cuidados de Saúde

Em Mateus 25:45, Jesus disse: “O que você não fez por qualquer um destes pequeninos, você não fez por mim”. Ao acatar Suas palavras, os cristãos não apenas se opuseram ao infanticídio, ao aborto e ao abandono de crianças, eles cuidaram dos doentes. Suas circunstâncias particulares ou quem eles eram - cristãos ou pagãos - não faziam diferença. Eles seguiram o exemplo de Cristo de curar os cegos, coxos, surdos, paralisados ​​e leprosos. Em cada cura, Cristo também estava preocupado com o bem-estar espiritual do indivíduo. Isso estava em drástico contraste com o mundo greco-romano.
“Dionísio, um bispo cristão do terceiro século, descreveu o comportamento existente dos pagãos em relação a seus semelhantes doentes numa praga alexandrina por volta de 250 dC. 'Os pagãos', disse ele, 'afastavam qualquer um que começasse a ficar doente, e se mantinham alheios até mesmo de seus amigos mais queridos, e lançavam os sofredores quase mortos nas estradas públicas, e não os enterravam, e os tratavam com profundo desprezo quando morriam' (Obras de Dionísio, Epístola 12.5).
Devido à severa perseguição durante o cristianismo primitivo, durante três séculos os cristãos só podiam cuidar dos doentes se eles os encontrassem. Não foi até a 369 d.C. que o primeiro hospital foi construído. Evidências indicam que o hospital incluía unidades de reabilitação e oficinas que permitiam que pacientes não qualificados aprendessem um ofício durante a recuperação. Isso mostra um nível ainda mais elevado de conscientização humanitária, exemplificando ainda mais o espírito de Cristo em Seus seguidores.

Hotel Dieu, em Paris, um dos mais antigos hospitais da História.

Mais hospitais cristãos foram construídos como unidades separadas ou anexados a mosteiros e, a partir do ano 750, se espalharam da Europa Continental para a Inglaterra. O conceito de hospital hoje normalmente não é mais baseado em caridade.
“O precedente que os primeiros hospitais cristãos estabeleceram não apenas aliviou o sofrimento humano, mas também prolongou a vida de multidões de pessoas, sejam elas ricas ou pobres. Além disso, essas instituições refletiam o amor de Cristo pela humanidade. Hoje esta contribuição humanitária inovadora - o hospital - é unanimemente apreciada em todo o mundo.”
O cristianismo também iniciou o estabelecimento de instituições mentais, profissionais de enfermagem médica e a Cruz Vermelha. Fielding Garrison, um médico e historiador da medicina, observou: "A principal glória da medicina medieval foi, sem dúvida, na organização de hospitais e enfermarias, cuja organização era baseada nos ensinamentos de Cristo".

EDUCAÇÃO


Jesus Cristo, o maior mestre que o mundo já conheceu, orientou aqueles que Ele ensinou que continuassem a ensinar os outros. Ele disse a Seus discípulos: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações (...) ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mateus 28:19–20). Eles levaram a orientação a sério, como mostrado nas palavras de Lucas, "eles nunca paravam de ensinar (...) que Jesus é o Cristo" (Atos 5:42).

O ensino continuou depois da morte dos apóstolos. Inicialmente, a instrução ocorria nas casas dos professores. Foi em 150 d.C. que Justino, o Mártir, estabeleceu escolas de catequese em Éfeso e em Roma. Com o tempo, essas escolas passaram a incluir leitura, escrita e outros assuntos, além da religião. Houve lutas no começo, já que os professores também eram um produto da cultura, mas, sendo fiéis aos ensinamentos de Cristo, essas escolas incluíam meninos e meninas, independentemente de classe ou etnia - algo inédito em qualquer cultura daquela época.

Em meados do século XVI, Martinho Lutero e João Calvino haviam convencido as autoridades cívicas a implementarem a educação compulsória, universal e financiada por impostos. No século XVIII, a educação foi expandida para incluir os surdos; no século XIX, os cegos.

A cultura greco-romana possuía os seus filósofos eruditos, mas eles não tinham edifícios permanentes ou bibliotecas. A origem das universidades está nos mosteiros. Um dos primeiros foi o mosteiro de Monte Cassino, dos monges da ordem beneditina, no ano 528, na Itália. Mais mosteiros foram construídos em outros locais. Todos eles valorizavam muito a literatura - particularmente a antiga. Os beneditinos desenvolveram o primeiro sistema de bibliotecas, colecionando livros e manuscritos.

 
Universidade de Bolonha, na Itália, a primeira universidade propriamente dita da história. Foi criada em 1088 e funciona até hoje.

Embora as bibliotecas e os mosteiros não fossem universidades completas, foram a inspiração pela qual, nos séculos XII e XIII, foram construídas as primeiras universidades verdadeiras, sob bases cristãs. Nos Estados Unidos, todas as faculdades e universidades estabelecidas nas colônias antes da guerra de Independência - com exceção da Universidade da Pensilvânia - tiveram origens cristãs. É irônico que, na sociedade ocidental secular de hoje, tão poucos indivíduos percebam as contribuições que o cristianismo fez para a educação que tanto valorizam.

LIBERDADE E JUSTIÇA, TRABALHO E LIBERDADE ECONÔMICA


Liberdade e Justiça

O conceito de Direito Natural está profundamente enraizado na cultura greco-romana. Esta concepção de Direito sustenta que os seres humanos são capazes de perceber, com base em um processo racional natural, o que é moralmente certo e errado. Isto foi visto como o fundamento absoluto de todas as leis humanas. Os cristãos tinham uma perspectiva diferente. Eles acreditavam que a "lei natural" fazia parte da ordem criada por Deus, pela qual os seres humanos racionais estão cientes do certo e do errado. A ordem de Deus é expressa claramente nos Dez Mandamentos.

Países como os Estados Unidos, onde o cristianismo está enraizado, demonstram uma melhoria muito maior na liberdade e na justiça do que os países onde as religiões não-cristãs dominam.
“Alexis de Tocqueville reconheceu a conexão quando disse: 'Não há país no mundo onde a religião cristã retenha uma influência maior sobre as almas dos homens do que na América.'”

Trabalho e Liberdade Econômica

A cultura greco-romana não valorizava o trabalho braçal. O trabalho manual era executado pelos escravos e pelas classes mais baixas. Era considerado humilhante para qualquer outra pessoa realizar essas tarefas.

Sobre este assunto, as crenças dos cristãos e da cultura da época entraram em confronto. Os cristãos davam dignidade e honra ao trabalho. Seu modelo, Jesus, trabalhou como carpinteiro. Paulo era um fabricante de tendas - uma habilidade comercial que suplementava sua renda durante suas viagens. Essa atitude cristã não se dava bem com os romanos, que desprezavam o trabalho manual, e resultavam em perseguição ainda mais dura.

Além disso, os cristãos reforçaram que um trabalhador deve ser pago, com base nas palavras de Jesus, "o trabalhador merece o seu salário" (Lucas 10:7). Paulo, em sua carta aos tessalonicenses, deixou claro que trabalhar era a coisa certa a fazer, “Se um homem não trabalha, não comerá” (2 Tessalonicenses 3:10).

Antes dos cristãos dignificarem o trabalho e o labor, não havia classe média na cultura greco-romana. As pessoas eram ricas ou pobres e os pobres geralmente eram escravos. Contudo, os cristãos prevaleceram e a classe média - parte integrante de todas as sociedades ocidentais - surgiu, reduzindo grandemente a antiga pobreza generalizada.

Uma cidade medieval típica.

Essa nova ética de trabalho e a prosperidade resultante (em comparação com os níveis de pobreza extrema de épocas anteriores) tornaram possíveis liberdades individuais não conhecidas anteriormente - econômica, política e socialmente. O conceito de direito à propriedade privada é intrínseco a essas liberdades recém-descobertas. O mandamento “Não roubarás” reforça o conceito de direitos de propriedade privada.

A liberdade econômica também foi demonstrada nos ensinamentos de Cristo. Enquanto alguns de seus seguidores venderam tudo o que tinham e compartilharam com os necessitados, “não há uma única referência no Antigo ou no Novo Testamento em que Deus nega a liberdade econômica às pessoas, como fazem o fascismo, o socialismo e o comunismo. As parábolas de Jesus que tocam nas questões econômicas são sempre expressas no contexto da liberdade”, como em Mateus 25:15-30, onde os indivíduos podiam optar por investir ou não investir os talentos que lhes eram dados, totalmente livres de coerção.

A dignidade do trabalho e o espírito de liberdade individual e econômica, tão enraizados na cultura ocidental, são produtos da ética cristã.

CIÊNCIA


Sem a crença cristã em um Deus, não haveria ciência. Deus é um ser racional e o homem foi criado à Sua imagem; portanto, o homem também deve seguir processos racionais para estudar Sua criação. Sobre esse pressuposto, os filósofos cristãos desenvolveram o método empírico e indutivo. Antes do tempo de Cristo, o conhecimento deveria ser adquirido através de meios dedutivos. Apenas a mente deveria ser usada; a atividade manual era inaceitável, relegada apenas aos escravos e à classe baixa.

Os cristãos, os pioneiros da ciência, ramificaram-se em muitas áreas de descoberta. Algumas áreas da ciência e os indivíduos cristãos envolvidos incluem: fisiologia e biologia através do trabalho de Leonardo da Vinci (1452-1519), Andreas Vesalius (1514-1564) e Gregor Johann Mendel (1822-1884); astronomia através da obra de Nicolau Copérnico (1473-1543), Tycho Brahe (1546-1601), Johannes Kepler (1571-1630) e Galileu (1564-1642); a física através do trabalho de Isaac Newton (1642–1727), Gottfried Leibniz (1646–1716), André-Marie Ampére (1775–1836) e Michael Faraday (1791–1867); química através do trabalho de Robert Boyle (1627–1691), John Dalton (1766–1844) e George Washington Carver (1864–1943); e medicina através do trabalho de Paracelso (1493-1541), Ambroise Pare (1509-1590) e Louis Pasteur (1822-1895). Além dos indivíduos mencionados acima, muitos outros cientistas cristãos têm impactado muito o processo e a descoberta científica e, portanto, a qualidade da vida humana.


ARTE, ARQUITETURA, MÚSICA E LITERATURA


Arte

O impacto do cristianismo na arte, arquitetura, literatura e música ao longo da história é inquestionável. Ao contrário do enfoque da era greco-romana na “natureza”, a arte cristã - seja nos primeiros séculos da era cristã, na Idade Média, durante o Renascimento ou na era da Reforma - concentrava-se na vida humana. As cenas retratadas ilustravam a consciência de que Deus, seja pelo Espírito ou por Seu Filho, Jesus Cristo, estava sempre com eles. Como exemplificado em A Expulsão do Jardim de Masaccio, A Última Ceia de Da Vinci, Cristo com Maria e Marta de Tintoretto, O Cavaleiro da Morte e o Diabo de Dürer, Cristo Carregando a Cruz de Rapahel e na gravura de Cristo curando os doentes de Rembrandt, o cristianismo deu uma grande contribuição para o mundo da arte.

Teto da Capela Sistina, por Michelangelo.

Arquitetura

Preocupados com as perseguições que sofreram, os cristãos fizeram pouco de arquitetura nos primeiros três séculos. Desde então, os cristãos fizeram contribuições arquitetônicas incríveis, desde a Igreja da Natividade (Belém) construída na era das Basílicas (320–1000) até a Capela da Academia da Força Aérea dos Estados Unidos (Colorado Springs), construída na era contemporânea (1900–2000). Destes, considera-se o maior acréscimo cristão à arquitetura mundial as catedrais européias construídas na era gótica (1150-1600). Os altos arcos pontiagudos, abóbadas com nervuras e arcobotantes inspiraram Salvadori a dizer que “a altura insondável expressava a aspiração da humanidade em direção a um Deus a serem amados (…)”

Catedral de Milão, na Itália.

Literatura

O cristianismo produziu contribuições notáveis ​​para a literatura e tem sido um ardente defensor dela. Até mesmo algumas obras dos escritores greco-romanos pagãos foram traduzidas, não para promover o paganismo, mas para tornar disponível o conhecimento dessa visão alternativa do drama da vida humana. Martinho Lutero apoiou o estudo de tais itens, mesmo que ele tenha se referido a eles como livros pagãos. Como mencionado anteriormente, foram os monastérios que desenvolveram o sistema de bibliotecas para registrar suas extensas coleções de livros e manuscritos.

O desenvolvimento inicial da literatura cristã (100-426 d.C.) tomou a forma de exortações (convidando os leitores a se apegarem a Jesus Cristo), polêmicas (refutando e disputando religiões com princípios e práticas controversos) e apologética (defendendo a fé e os ensinamentos cristãos). Desde então, muitas marcas registradas da literatura humana foram produzidas, começando com a História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia (c. 280–339). Trabalhos posteriores notáveis incluem Cartas de um Diabo a seu Aprendiz e Cristianismo Puro e Simples de C. S. Lewis, Utopia, de Thomas More, O Peregrino, de John Bunyan, Um Conto de Natal, de Charles Dickens, dentre muitos outros.

Música

É amplamente aceito que a era greco-romana não desempenhou um papel relevante no progresso musical; no entanto, os cristãos, começando com o canto dos salmos bíblicos, louvavam e honravam a Deus através das canções e da música. Começando com a melodia simples, monofônica, e evoluindo para a polifonia no século X, a música cristã se desenvolveu em várias formas, incluindo o moteto, o madrigal, o hino, o oratório, a sinfonia, a sonata, a cantata e o concerto. Compositores como Ambrósio, Bach, Handel, Mozart, Mendelssohn, Stravinsky e Vaughn Williams, criaram suas obras-primas inspiradas na vida, morte e ressurreição de Cristo.

[Nota do Tradutor: No que diz respeito à música moderna, por outro lado, em muitos casos ela tem apelado para o prazer sensual e a rebelião contra Deus, os valores bíblicos e a sociedade. Inclusive, infelizmente, esta tendência tem atingido não só a música secular, mas o que é chamado de "música cristã contemporânea".]

FERIADOS, PALAVRAS, SÍMBOLOS, EXPRESSÕES


Feriados

A origem da palavra holiday ("feriado" em inglês) está na expressão religiosa "dia santo". O dia de Natal, a Páscoa, a sexta-feira santa e o Pentecostes foram celebrados como dias santos para honrar o que Deus, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, havia feito por seu povo. O domingo [palavra que vem do latim dies Dominicus, o "Dia do Senhor"], foi separado como o dia de adoração porque Cristo ressuscitou fisicamente dos mortos no primeiro dia da semana. Até mesmo o Dia de Ano Novo tem significado religioso, pois acontece oito dias após o Natal, quando Jesus foi circuncidado. Historicamente, os cristãos viam a véspera de Ano Novo como um símbolo do fim de suas vidas e um lembrete para estar sempre prontos para o encontro com o Senhor. O Halloween começou como a véspera do Dia de Todos os Santos ("all Hollows' eve" em inglês) - um dia para os membros da Igreja honrarem seus membros falecidos. O Dia de Ação de Graças, outro feriado norte-americano, começou quando os pioneiros americanos formalmente deram graças a Deus.

Palavras e Símbolos

Muitas palavras comumente usadas em idiomas ocidentais tiveram seu início no cristianismo primitivo. Por exemplo: credo, heresia, mártir, Papai Noel e trindade. Exemplos de símbolos da cultura cristã incluem o peixe, a pomba branca e a cruz. A própria divisão da história em "a.C." (antes de Cristo) e "d.C." (depois de Cristo) é um exemplo disto.

Expressões

Muitos expressões e ditados populares foram colhidos das palavras e ensinamentos de Jesus Cristo, como “bom samaritano”, “roubar Pedro para pagar a Paulo”, “dar a outra face”, “espinho na carne”, “dar pérolas aos porcos”, “atirar a primeira pedra”, “os últimos serão os primeiros”, “dar a César o que é de César” ou “a carne é fraca”. Além disso, muitos nomes comuns em nossa sociedade são oriundos da Bíblia. Exemplos incluem Davi, João, Miguel, Daniel, Adão, José, Jacó, Samuel, Maria, Marta, Sara, Rebeca, Rute, Débora e Raquel.

Conclusão

As contribuições feitas pelo cristianismo para a sociedade ocidental são imensuráveis. Nas palavras de Carsten Thiede e Matthew D'Ancona, “os evangelhos são os blocos de construção da nossa civilização. Sem eles, Giotto não pintaria seus afrescos na Capela da Arena em Pádua; Dante não teria escrito a Divina Comédia; Mozart não teria composto o seu Requiem; e Wren não teria construído a Catedral de São Paulo em Londres. A história e a mensagem desses quatro livros - juntamente com a tradição judaica do Antigo Testamento - permeiam não apenas as convenções morais do Ocidente, mas também nosso sistema de organização social, nomenclatura, arquitetura, literatura e educação, bem como os rituais de casamento e morte que moldam nossas vidas (…) seja de cristãos ou não-cristãos”.

Fonte: http://markconner.typepad.com/files/christianity-changed-world.pdf

Tradução / adaptação: David Sousa

quinta-feira, 15 de março de 2018

Os Cientistas e os Seus Deuses

Olá, leitores. Há alguns anos, eu publiquei aqui uma tradução de um texto, escrito por Henry F. Schaefer III, um dos cientistas mais destacados da atualidade na área de Química Quântica, que é, coincidentemente, a área de estudo do meu doutorado. Aliás, tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente no final de 2016, em um evento científico internacional.

Desta vez, trago mais um texto traduzido, que é a transcrição de uma palestra sobre ciência e cristianismo. É sempre bom revisitar esse tema.

Abraços, Paz de Cristo.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Associação Brasileira Cristãos na Ciência (ABC²)


Olá, Leitores. Sei que minha participação aqui tem sido com uma frequência bem menor do que em outrora. Infelizmente há de ser assim, para que o blog não pare. (Aliás, quero lembrá-los que há não pouco tempo estou aceitando doações para contribuir com o meu trabalho)

O que tenho para dizer hoje é uma informação que deveria ter compartilhado há bastante tempo. Queria falar com vocês sobre a Associação Brasileira dos Cristãos na Ciência (ABC²). Não sei se vocês já conhecem esta associação, afinal ela foi criada recentemente, em 2017. E tenho orgulho de dizer que sou um dos "membros fundadores", tendo participado da cerimônia de abertura em São Paulo.

Antes de mais nada, vamos responder à pergunta: "mas afinal, o que é a ABC²?". Pois bem, esta associação tem o objetivo de promover integração e diálogo entre a comunidade cristã e o campo acadêmico científico no Brasil. Para este fim, a ABC² disponibiliza recursos didáticos, oferece cursos e promove eventos. Também foi feita a iniciativa de montar grupos de estudos locais em Universidades ou Igrejas em todo o país. Eu tenho participado de um destes grupos na Universidade Federal do Rio de Janeiro. (Vocês podem me ver na lista de associados aqui)

O fato de existir uma associação aproximando a ciência da religião pode parecer um pouco estranho, mas este conceito é novo apenas no Brasil. Eu não tenho que lembrá-los que a própria gênese da ciência moderna teve um empurrãozinho da fé cristã... as primeiras Universidades e as mais importantes atualmente foram criadas por cristãos e para propósitos cristãos... enfim, além disso, existem grandes e tradicionais associações em outros países com o mesmo propósito de promover esse diálogo. Para citar algumas, temos a Canadian Scientific and Christian Affiliation no Canadá; a Christians in Science and Technology na Austrália; a International Society for Science and Religion (ISSR), o Faraday Institute for Science and Religion e a Christians in Science no Reino Unido; e nos Estados Unidos, são várias: a American Scientific Affiliation, The Francisco J. Ayala Center for Theology and Natural Sciences, o Reasons to Believe e a organização BioLogos.

Além disso, existem também algumas revistas que reúnem artigos de nível acadêmico sobre pesquisas nas áreas de interface entre ciência e religião. Para quem se interessa no assunto, algumas delas são a Science and Christian BeliefPerspectives on Science and Christian Faith, God & Nature Magazine, Zygon: Journal of Religion and Science e a Theology and Science. A própria ABC² planeja lançar a longo prazo uma revista acadêmica em português para tratar deste assunto. 

A iniciativa da ABC² me interessou desde o princípio, pois ela coincide em seus objetivos com aquilo que eu sempre quis fazer com este blog. É interessante tanto mostrar aos ateus e afins que existem respostas aos seus questionamentos sobre a fé cristã que não são incompatíveis com a ciência, assim como mostrar a cristãos despreparados que seus possíveis questionamentos sobre a ciência não precisam entrar em conflito com a sua fé. Além disso, alguns dos recursos e das fontes que a associação menciona no site me eram desconhecidos, e tive um grande aproveitamento ao entrar em contato com esses materiais. Acessem o site da ABC² para acesso aos textos que eles disponibilizam Há um canal no Youtube também com algumas palestras. Abaixo deixo uma lista de leitura que está no próprio site da ABC², pra quem quer saber mais sobre o assunto, e também a lista da série de livros que a própria ABC² lançou em português.

1) RECOMENDAÇÕES DE LEITURA

SOBRE RELIGIÃO E CIÊNCIA
  • Bancewicz, Ruth. O Teste da Fé: cientistas também creem (Ultimato)
  • McGrath, Alister. Fundamentos do Diálogo entre Ciência e Religião (Loyola)
  • McGrath, Alister. Surpreendido pelo Sentido: Ciência, Fé e como conseguimos que as coisas façam sentido (Hagnos)
  • McGrath, Alister. O Deus de Dawkins: genes, memes e o sentido da vida (Shedd Editora)
  • Barbour, Ian. Quando a Ciência Encontra a Religião (Cultrix)
  • Polkinghorne, John. Explorando a Realidade - O Entrelaçamento da Ciência e da Religião (Loyola)
  • Hooykaas, R. A Religião e o Desenvolvimento da Ciência Moderna (UNB)
  • Russell, Colin. Correntes Cruzadas: interações entre a ciência e a fé (Hagnos)
  • Houghton, John. Deus Joga Dados? Um esboço da história do universo (Hagnos)
  • Pearcey, Nancy. A Alma da Ciência (Cultura Cristã).


SOBRE A NATUREZA DO CRISTIANISMO
  • Lewis, C.S. Cristianismo Puro e Simples (Martins Fontes)
  • McGrath, Alister. Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo (Shedd Editora)
  • Lewis, C.S. Milagres (Vida)
  • Orr-Ewing, Amy. Por que confiar na Bíblia? Respostas a 10 perguntas difíceis (Ultimato)
  • Wright, N.T. A Ressurreição do Filho de Deus (Origens Cristãs e a Questão de Deus; Paulus/Academia Cristã)
  • Craig, William Lane. Apologética Contemporânea (EVN)


SOBRE A RELAÇÃO ENTRE FÉ E RACIONALIDADE
  • Schaeffer, Francis. A Morte da Razão (ABU editora)
  • Blamires, Harry. A Mente Cristã: como um cristão deve pensar (Shedd Editora)
  • Sire, James W. O Universo ao Lado: um catálogo básico sobre cosmovisão (Hagnos)
  • Walsh & Middleton. A Visão Transformadora (Cultura Cristã)
  • Dooyeweerd, Herman. Raízes da cultura ocidental (Cultura Cristã)

2) SÉRIE DE LIVROS CIÊNCIA E FÉ CRISTÃ

capa_fetcapa_acddlivro_vcfv

capa_hs_mcadcapa_hs_ompaecapa_hs_ded (1)



Abraços, Paz de Cristo.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

[Resposta a leitor] E se Deus na verdade for o diabo?

Olá leitores. Trago hoje a vocês a resposta à pergunta do leitor Samuel Brandão.
Resultado de imagem para satan

Pergunta:

Olá, boa noite, amigo. Vi em um blog sobre "como saber se a biblia nao foi escrita pelo diabo?" e nisso, veio em minha mente: "e se na verdade o diabo for deus?"


Respostas ao Ateísmo:

Olá, Samuel.

Sua pergunta parece muito interessante. Mas penso que, se a gente analisar bem, ela não faz muito sentido. 

Veja bem: considerando o que sabemos pela fé cristã, Deus é o Ser Eterno, Auto-suficiente, e Todo-Poderoso. O diabo é apenas uma de suas criaturas, que nunca jamais poderia se igualar a Deus em poder ou glória. Então Deus e o diabo são pessoas bem distintas. É claro que o diabo poderia se passar por deus e enganar algumas pessoas, criando um culto de idolatria. Mas Deus providenciou meios para que as pessoas o conhecessem como o verdadeiro Deus: a própria consciência moral humana, que aponta para um bem absoluto; a ordem e perfeição da natureza, que aponta para um Criador perfeito; e a pessoa de Jesus Cristo, que junto com a Bíblia compõem a revelação especial de Deus para a humanidade. É claro que podemos ver defeitos na consciência moral de algumas pessoas, assim como vemos coisas como as doenças na natureza e vemos pessoas distorcendo a Bíblia para obter ganhos próprios. Esses são justamente exemplos de ações do diabo para perverter a perfeita obra divina, mas a existência da exceção apenas confirma a regra, e não o contrário.

Nós, cristãos, não acreditamos no maniqueísmo (isto é, a crença de que há dois deuses iguais em poder mas com polaridades opostas). Há apenas um Deus que é Senhor de tudo, e todo o resto são criaturas subordinadas a Ele. Mesmo o diabo, que aparentemente é um ser rebelde e que luta contra Deus, só continua existindo porque Deus assim o permite, então deve haver algum propósito divino para a sua existência. O livro de Jó (1:6-12) mostra claramente um dos propósitos do diabo: testar a fidelidade dos justos. Na história de Jó ele é descrito como um mero subordinado de Deus, e ele só faz aquilo que Deus autoriza ele a fazer. No Novo Testamento, o diabo e os demônios são descritos como inimigos dos cristãos, pois eles estão a todo tempo nos provocando a pecar contra Deus, testando a nossa fé. Enquanto a nossa luta continuar, ele estará aqui, mas a Bíblia também revela que, no fim dos tempos, o diabo terá o fim que merece (Ap 20.10). 

Creio que, portanto, não há como confundir o Deus como ser Criador e Absoluto com o diabo, uma mera criatura e que possui um propósito específico. Ainda assim, acho que sua pergunta ficaria ainda mais interessante se a reformulássemos: e se Deus, o Ser Eterno, Criador e Absoluto, fosse mau?

Aí temos um cenário mais interessante para ser imaginado. Mas note que se o caráter de Deus fosse o Mal Absoluto, então na verdade esse mal seria o "bem" e o que consideramos hoje "bem" seria o mal. Porque o Bem é definido como aquilo que corresponde ao caráter de Deus. E aí, teríamos duas opções: ou (1) o "Deus mau" criaria os humanos de acordo com a sua natureza (Má); ou (2) ele criaria os humanos tendo o contrário da sua natureza. No caso (1), simplesmente não teríamos como perceber que Deus é mau, porque nós teríamos a mesma natureza dele, e para nós o mundo pareceria de acordo como deveria ser. No caso (2), certamente perceberíamos, pois o mundo seria mal e nós seríamos bons, estaríamos a todo mundo percebendo um conflito que existe entre nós e a essência da natureza, que algo está muito errado. Mas não é isso que acontece. Como eu já disse, nós somos capazes de perceber a consciência moral em nós e a ordem e perfeição da natureza a nível essencial, mesmo que encontremos eventualmente falhas superficiais.

Nós identificamos nesse mundo a criação, a ordem, a perfeição, a injustiça e o amor como elementos constitutivos dele. Esses são todos valores que pertencem ao Bem. Se Deus fosse mau, os valores que encontraríamos na essência dele seriam destruição, caos, incompletude, injustiça e ódio. Talvez o mundo nem chegasse a ser criado, afinal um Ser mau tem mais prazer em destruir do que em construir. Um mundo governado pela maldade não pode subsistir por muito tempo.
 
Abraços, Paz de Cristo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

[TRADUÇÃO] Blogueiro anti-cristão "Raving Atheist" se converte ao cristianismo

Notícia original: https://jamesbishopblog.com/2017/02/16/christ-is-the-lord-popular-anti-christian-blogger-the-raving-atheist-converts-to-christianity/



Em dezembro de 2008, um popular blogueiro anti-religioso conhecido como "The Raving Atheist" anunciou sua conversão ao cristianismo e mudou o slogan do site para "The Raving Theist", dedicando-o "a Jesus Cristo, agora e para sempre". Sua mudança radical foi recebida com muita raiva e fanatismo por parte de muitos de seus leitores ateus. No entanto, ele rejeitou quaisquer alegações de sua transição como sendo uma farsa. Sua conversão também recebeu dura condenação de outros ateus, de alguns dos quais se pensaria que eram maduros que já teriam superado a fase de intimidações infantis. P.Z. Myers, por exemplo, qualificou a conversão do blogueiro como "outra mente envenenada" e que ele "jogou seu cérebro pela janela" (Fonte). Já que que eu não pude encontrar um nome ou uma foto para me referir ao Raving Atheist em sua última nota, estaremos  chamando ele simplesmente de "João" (perdoem minha falta de imaginação em relação a nomes).

João cresceu em uma área em grande parte secular de Long Island, Nova York. Sua mãe era filha de um pastor protestante, enquanto seu pai era agnóstico, cuja família já tinha sido ativa nos círculos comunistas: "Embora eu frequentasse a igreja de minha mãe todas as semanas até a sexta série, era mais por razões culturais e sociais do que espirituais. Eu não tinha um relacionamento com Deus; isso não era nem mesmo algo que falávamos sobre. Mas eu me lembro de uma vez, quando eu tinha sete ou oito anos de idade, que minha mãe desmaiou, e minha primeira reação foi correr para ela e orar, para pedir ajuda a Deus".

No entanto, foi durante o ensino médio que João começou a ter um maior interesse nas coisas da religião. Ele se tornou amigo íntimo de um jovem judeu reformista que tinha uma brilhante mente científica e que também criticava abertamente a religião. Nesse mesmo ano, João leu o livro de Bertrand Russell, Por que não sou cristão. O ensaio de Russell realmente o cativou por causa de seu tom cômico e caprichoso, bem como seu apelo racional: "seu raciocínio me fez um sentido perfeito, e quando eu entrei na faculdade, eu me considerava ateu também".

Durante seu primeiro ano na faculdade, João trabalhou por um curto período de tempo como um vendedor de enciclopédias. Ele então se instalou em um trabalho de escritório e passou muito de seu tempo livre escondido na biblioteca de Los Angeles lendo sobre cultos religiosos e desprogramação. Esta foi também a primeira vez que ele se convenceu da natureza totalmente ridícula de toda a religião: "Uma tarde, acabei por passar por uma esquina onde os moonies* estavam pregando. Eles me convidaram para o seu grupo, e eu fui com eles para um retiro de fim de semana nas montanhas San Bernardino. Quando tentaram me convencer a mandar buscar todos os meus pertences mundanos, minhas suspeitas foram confirmadas. Eu empacotei minhas malas e voltei para a faculdade, determinado a escrever sobre minhas experiências e minha convicção de que todas as religiões eram crendices".

João passou a escrever um ensaio sobre sua experiência. Isso o ajudou a colocar suas visões e opiniões sobre a religião em perspectiva. Sua obra foi publicada no jornal da faculdade, embora os editores tenham cortado uma seção que tentava traçar paralelos entre os moonies e a Igreja Católica. No entanto, tendo concluído a faculdade e obtido o seu grau, João teve pouco tempo para pensar sobre religião ou ateísmo. "Eu estava muito ocupado indo para a faculdade de direito e tendo uma vida", explica João, "minha carreira como advogado floresceu e, eventualmente, comecei a dar aulas também".

Não muito tempo depois, João começou seu blog sobre ateísmo. João também explica que seu professor de filosofia, que era abertamente um ateu anti-religioso, teria tido uma grande influência sobre ele: "no final dos anos 90 eu assisti a uma série de cursos de educação continuada em Filosofia. O professor, um filósofo que editou e escreveu a introdução à coleção de ensaios de Bertrand Russell, era muito sarcástico. Ele odiava a religião e as pessoas religiosas. Comecei a conhecê-lo e logo estava envolvido no debate com outros advogados sobre o ateísmo. Meu foco no ateísmo como estilo de vida levou um amigo a sugerir que eu começasse um blog. Então, no final de 2001, comecei a co-escrever um blog político com um conhecido da faculdade, com meus posts enfocando frequentemente a religião". João então iniciou seu próprio blog "atacando pessoas religiosas como dementes, iludidos, 'Godidiots'**". Ele acreditava que a "cultura da crença" estava destruindo a América. "Eu rastrearia blogs baseados na fé, ridicularizaria suas causas como suspeitas e os declararia culpados de insanidade - apesar do fato de que essas pessoas viviam vidas modestas e boas".

Surpreendentemente, ao contrário de muitos outros ateus, João admite o fato de que seu ateísmo possuía o conceito muito religioso de evangelismo"O verdadeiro ateísmo, eu acreditava, não era sobre 'viver e deixar viver'. Era uma causa que precisava de um evangelista, assim como qualquer outra fé. Em um esforço para fornecer um conjunto de princípios ateus para tal ministério, as 'premissas básicas' do meu blog eram que todas as deginições de Deus eram contraditórias, incoerentes e sem sentido, ou podiam ser refutadas por evidências empíricas e científicas".

No entanto, apesar de sua "postura audaciosa" online João sentia-se mal versado em questões científicas e reconheceu que suas refutações lógicas não poderiam ir tão longe. "Na verdade, em um ensaio inicial, eu concordei que era tecnicamente possível para uma pessoa racional ter uma crença em Deus. Na minha opinião, no entanto, era possível apenas da mesma maneira que é possível que alguém poderia estar compartilhando o quarto com um hipopótamo roxo que evita ser detectado, fugindo toda vez que se tenta virar e vê-lo. Em outras palavras, não havia evidência disso. Então, embora fosse uma possibilidade, não valia muita consideração".

No final de 2002, João participou de uma festa de blogueiros onde ele se sentou ao lado de um blogueiro católico chamado Benjamin. A conversa eventualmente chegou ao assunto sobre aborto e João perguntou a Benjamin sua opinião. Ele respondeu, em um tom calmo e confiante: "é assassinato". Esta resposta deixou João atordoado. "Ele era um ser humano amável, afável e convincentemente razoável que, no entanto, acreditava que o aborto era assassinato. Na medida limitada em que eu já havia considerado a questão, eu acreditava que o aborto era completamente aceitável, o mero descarte de um punhado de células, talvez semelhante a cortar as unhas".

Esta conversa estimulou João a investigar o assunto no blog de Benjamin: "Notei que os cristãos pró-escolha não empregavam argumentos científicos ou racionais, mas confiavam em um conjunto confuso de banalidades 'espirituais'. Mais significativamente, a maior parte da blogosfera ateísta pró-escolha também ficou aquém na sua análise do aborto. A comunidade, supostamente 'baseada na realidade', ou descartou o aborto como uma 'questão religiosa' ou afirmou, paradoxalmente, que os princípios pró-vida eram contrários à doutrina religiosa. Depois de ter equiparado o ateísmo à razão, eu lentamente estava ficando inseguro do valor da falta de crença em Deus na busca da verdade".

No entanto, ele continuou nos seus desvarios ateus*** em pleno vapor. "No início de 2003, me envolvi com uma troca de mensagens online particularmente agressivas com um erudito católico sobre o argumento da Causa Primeira de Tomás de Aquino. Em um gesto conciliatório posterior, acessei a um blog de tratamento pós-aborto indicado pelo meu adversário religioso - um ato que me colocou em contato com um grupo de defensores pró-vida cuja dedicação altruísta à sua causa me emocionou profundamente. Eu fui inspirado por seus escritos gentis e racionais, particularmente pela história de uma mulher chamada Ashli, que escreveu com honestidade bruta sobre como seu aborto tardio a tinha afetado. Ela agora canalizou o seu sofrimento em esforços para ajudar as mulheres em situações semelhantes e salvá-las das consequências do aborto".

No entanto, apesar de todo esse promissor progresso moral e intelectual, João manteve um apego ao seu ateísmo. De fato, em 2004 ele organizou uma entrevista no blog com o renomado autor ateu Sam Harris. O cineasta Brian Flemming participava na entrevista de João. A entrevista, conta João, "levou Harris e eu a aparecermos no ano seguinte no documentário anti-cristão de Flemming, O Deus que não estava lá". João compareceu à estréia do documentário em Nova York, no entanto, "no final da apresentação, no entanto, meu entusiasmo ateísta estava em declínio. O aparecimento do meu pseudônimo nos créditos inspirou menos orgulho do que eu esperava. Quando as luzes se acenderam, senti-me alienado da platéia e de suas risadas desdenhosas e antireligiosas".

Após a estréia João brevemente considerou juntar-se a um pequeno grupo que se reuniria para discutirem o filme ao longo do jantar. João os seguiu por vários quarteirões enquanto debatia consigo mesmo se deveria ir ao jantar. "Mas a meio caminho de uma rua escura no meio da cidade, eu fui embora".

Nesse mesmo ano, João começou uma amizade com uma blogueira católica, Dawn. Ele frequentemente postava como convidado no blog dela sobre questões pró-vida enquanto também trabalhava em determinados casos difíceis com Ashli. "Perto do Dia de Ação de Graças de 2005, Ashli ​​abriu seu coração (e sua casa) a ​​uma jovem que enfrentava uma gravidez particularmente difícil e tumultuosa. Dawn, outros blogueiros, e eu nos reunimos em nome desta mulher. Em junho de 2006, vi a ultrassonografia da mulher amadurecer em um bebê. Em homenagem aos esforços de Ashli, prometi que o nascimento da criança significaria a morte do ateísmo em meu blog. No final daquele mês, eu anunciei que não mais zombaria de Deus em meu site".

Embora João permanecesse ainda duvidoso, seus posts subsequentes abrangiam a possibilidade da existência de Deus. Ele perguntou a Dawn se ele poderia se juntar a ele em sua igreja. João também começou, à sugestão de Dawn, a orar diariamente. "Eu ainda não acreditava em Deus, mas eu queria mudar. Eu queria a alegria profunda e constante que eu tinha observado em meus amigos cristãos pró-vida. Por causa da grande bondade de Dawn para comigo, no verão de 2006 minha esposa e eu começamos a frequentar a igreja com ele". Foi então que João teve uma experiência incomum ao participar da Comunhão: "no dia 23 de julho fomos juntos à Church of Our Saviour na esquina da Park Avenue com a 38th Street. Eu caminhei para tomar a Comunhão (embora eu tenha aprendido mais tarde que eu não deveria ter feito isso). No mesmo instante em que a hóstia tocou meus lábios, uma voz irritada e zombeteira vinda de trás sibilou: 'Isso é demais para o ateu'".

João voltou ao seu banco, mas não disse nada. "Eu tentei dizer a mim mesmo que eu não tinha ouvido direito, embora a voz fosse tão bem articulada que realmente não havia dúvida em minha mente. Colin, um amigo de Dawn, estava na fila algumas pessoas atrás de mim. Ele se sentou ao meu lado e perguntou se eu tinha ouvido a mesma coisa que ele tinha. Ele olhou para a pessoa que falou (eu não vi), um homem desgrenhado e possivelmente esquizofrênico. Colin não percebeu que o instante da fala coincidiu com o da minha Comunhão". Dawn, logo atrás de João na linha, também tinha ouvido a voz. Ela demorou a retornar para o banco porque logo depois de ouvir a voz, ela foi até uma fileira de velas para fazer uma oração por João. "Muito sinceramente ela levantou a hipótese de que Satanás tinha sido agitado. Ele estava furioso com a perspectiva de perder um de seus mais 'fiéis' defensores". Mas apesar do que ele pensou que tinha ouvido, João permaneceu cético. "Meu instinto ateu me obrigou a classificar o evento como o tipo de experiência pessoal espiritual sem valor que os não-crentes reconhecem imediatamente como um sinal de credulidade ingênua, doença mental ou mentira simples. Eu tinha vergonha de até fingir levá-la a sério. Mas havia duas testemunhas. Aquilo me impressionou de tal forma que eu guardei aquela frase como a minha 'frase do dia'. E não estando mais preso na compulsão de lançar um ataque a Deus no blog, eu pude eventualmente ver o incidente como uma pessoa racional deveria ver: se não como uma prova conclusiva, pelo menos como uma evidência apontando distintamente em uma direção".

João aplicou essa abordagem à sua consideração da teologia em geral e, com o tempo, "achei impossível acreditar que o Universo foi criado a partir do nada. Havia ordem, direção e amor. Todas essas coisas apontavam para uma consciência maior e insondável. Percebi que não podia acreditar que os corações e as mentes humanas haviam surgido ao acaso. Meus olhos também foram abertos para a verdade fundamental do cristianismo. Enquanto eu havia concordado anteriormente com a avaliação de Nietzsche da fé como uma 'filosofia do escravo', uma celebração cruel de sofrimento sem sentido, vi que suas experiências haviam levado até mesmo ele a apreciar a nobreza de sacrifícios feitos pela vida".


Notas da tradução:

* Moonie é uma forma pejorativa de se referir em inglês aos seguidores da religião sincretista conhecida como Igreja da Unificação, criada pelo reverendo coreano Sun Myung Moon.

** Godidiot é a junção das palavras God (Deus) e idiot (idiota) em inglês, claramente um termo pejorativo para se referir aos que acreditam em Deus.

*** "desvario ateu" é a tradução literal de raving atheist.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

[VíDEO] A Interpretação de Gênesis 1: 6 dias literais?



Olá, leitores, aqui estou eu. Após um hiato não-planejado de quatro meses aqui no blog, aproveitei uma breve folga aqui para compartilhar dois vídeos sobre um assunto que muito me interessa. De fato, foi sobre esse mesmo assunto o meu primeiro post desse blog. A pergunta é: como devemos interpretar Gênesis 1? Os dias da Criação são seis dias literais, de 24 horas?

quarta-feira, 4 de maio de 2016

[TRADUÇÃO] Como nossa compreensão equivocada da "ciência" estraga tudo


Como nossa compreensão equivocada da Ciência estraga tudo

Pascal-Emmanuel Gobry, 19 de setembro de 2014

Quando todos usam uma palavra, mas ninguém é claro sobre o que a palavra realmente significa, isto é um sinal de que algo está muito errado com a nossa mente coletiva.

Uma dessas palavras é "ciência".

Todo mundo usa. "A ciência diz isso", "a ciência diz aquilo". "Você deve votar em mim porque a ciência (...)". "Você deve comprar este porque a ciência (...)". "Você deve odiar as pessoas de lá porque a ciência (...)".

Veja bem, a ciência é realmente importante. E, no entanto, quem entre nós pode facilmente fornecer uma definição clara da palavra "ciência", que coincida com a forma como as pessoas utilizam o termo na vida cotidiana?

Deixe-me explicar o que a ciência realmente é. A ciência é o processo pelo qual derivamos regras preditivas confiáveis ​​através da experimentação controlada. Essa é a ciência que nos dá aviões e vacinas contra a gripe e a Internet. Mas o que quase todo mundo quer dizer quando se diz "ciência" é algo diferente.

Para a maioria das pessoas, Ciência (com "c" maiúsculo) é a busca da Verdade (com "v" maiúsculo). É uma coisa praticada por pessoas vestindo jalecos e/ou fazendo cálculos elegantes que ninguém mais entende. A razão pela qual a Ciência com "c" maiúsculo nos dá aviões e vacinas contra a gripe não é porque é um processo incremental de engenharia, mas porque os cientistas são pessoas realmente inteligentes.

Em outras palavras - e este é o ponto chave - quando as pessoas dizem "ciência", o que eles realmente querem dizer é "mágica" ou "verdade".


Um pouco de história: o primeiro proto-cientista foi o intelectual grego Aristóteles, que escreveu muitos manuais de suas observações do mundo natural e que também foi a primeira pessoa a propor uma epistemologia sistemática, isto é, uma filosofia de o que é ciência e como se deve proceder a respeito dela. A definição de ciência de Aristóteles tornou-se famosa em sua tradução para o latim como: rerum cognoscere causas, ou, "o conhecimento das causas última das coisas". Por isso, em muitos livros Aristóteles é colocado como o Pai da Ciência.

O problema com isso é que não é absolutamente verdade. A "ciência" aristotélica foi um grande revés para toda a civilização humana. Para Aristóteles, a ciência começava com a investigação empírica e, em seguida, usava a especulação teórica para decidir pelo que as coisas são causadas.

O que nós conhecemos hoje como a "revolução científica" foi um repúdio a Aristóteles: a ciência, não mais como o conhecimento das causas última das coisas, mas como a produção de regras preditivas confiáveis ​​através da experimentação controlada.

Galileo refutou a "demonstração" de Aristóteles de que objetos mais pesados ​​devem cair mais rápido do que os leves, criando um experimento sutil e controlado (ao contrário da lenda, ele não simplesmente jogou dois objetos da Torre de Pisa). O que foi tão importante sobre este episódio de Galileu não foi que Galileu estava certo e Aristóteles errado; mas sim como Galileu refutou Aristóteles: através da experimentação.

Este método de fazer ciência foi então formalizado por um dos maiores pensadores da história, Francis Bacon. O que distingue a ciência moderna das outras formas de conhecimento, como a filosofia, é que ela abandona explicitamente o raciocínio abstrato sobre as causas últimas das coisas e, em vez disso, testa teorias empíricas através da investigação controlada. A ciência não é a busca da Verdade com "v" maiúsculo. É uma forma de "engenharia" - de julgamentos através do erro. O conhecimento científico não é conhecimento "de verdade", uma vez que é o conhecimento apenas sobre algumas proposições empíricas específicos - e que é sempre, pelo menos em teoria, sujeito a refutação por um experimento posterior. Muitas pessoas ficam surpresas ao ouvir isso, mas o fundador da ciência moderna o disse. Bacon, que teve uma carreira na política e foi um gestor experiente, realmente escreveu que os cientistas teriam de ser enganados a pensar que a ciência é uma busca da verdade, de modo a serem dedicados ao seu trabalho, mesmo que isso não seja verdade.

Porque é que toda esta história antiga é importante? Porque a ciência é importante, e se não sabemos o que a ciência realmente é, nós iremos cometer erros.

A grande maioria das pessoas, incluindo muitos dos formalmente educados, realmente não sabem o que a ciência é.

Se você perguntar à maioria das pessoas que a ciência é, eles vão te dar uma resposta que se parece muito com a "ciência" aristotélica - ou seja, o exato oposto do que a ciência moderna é realmente: Ciência com "c" maiusculo é a busca da Verdade com "v" maiúsculo. E a ciência é algo que não pode ser entendido por meros mortais. Ele oferece maravilhas. Tem altos sacerdotes. Tem uma ideologia que deve ser obedecida...

Isso nos leva ao engano. Já que a maioria das pessoas pensa que matemática e jalecos é igual a ciência, as pessoas chamam de ciência a Economia, embora quase nada em Economia é realmente derivado de experimentos controlados. Então, as pessoas ficam com raiva de economistas quando eles não preveem crises financeiras iminentes, como se ter um cargo titular numa universidade te dotasse com poderes mágicos. Incontáveis disciplinas acadêmicas ​​foram arruinadas pelos impulsos dos professores de fazerem-nas parecer "mais científicas", adotando as características superficiais da ciência baconiana (matemática, jargões impenetráveis, revistas revisadas por pares) sem a substância e esperando que isso irá produzir um melhor conhecimento.

Por as pessoas não entenderem que a ciência é construída sobre a experimentação, elas não entendem que estudos em áreas como a psicologia quase nunca provam qualquer coisa, já que somente a experiência replicada prova alguma coisa e, sendo os seres humanos muito diversificados, é muito difícil replicar qualquer experiência psicológica. É por isso que você encontra artigos com manchetes dizendo "Estudo comprova X" um dia e "Estudo comprova o oposto de X" no dia seguinte, cada um ilustrado com uma fotografia-estoque de alguém vestindo um jaleco. Isso faz um monte de gente pensar que a "ciência" não é tudo isso que dizem, uma vez que muitos estudos parecem se contradizer.

É por isto que você vê pessoas afirmando que a "ciência" decide sobre esta ou aquela decisão de política pública, embora com muito poucas excepções, quase nenhuma das opções de política que nós temos como comunidade política foram testadas através da experimentação (ou podem ser). As pessoas pensam que um estudo que usa magia estatística para mostrar correlações entre duas coisas é "científico" porque usa matemática de ensino médio e foi feito por alguém no prédio da Universidade, só que, corretamente falando, não é. Embora seja um fato que o aumento do dióxido de carbono na atmosfera leve, mantendo todo o resto invariante, a temperaturas atmosféricas mais elevadas, a ideia de que podemos prever o impacto do aquecimento global - e as políticas anti-aquecimento global! - até 100 anos a partir de agora, é pura loucura. Porém, porque é feito usando a matemática por pessoas com diploma, nos dizem que é "ciência", mesmo que, por definição, é impossível executar uma experiência em relação ao ano 2114.

É por isso que testemunhamos o fenômeno de neo-ateus[1] como Richard Dawkins e Jerry Coyne pensarem que a ciência tornou Deus irrelevante, mesmo que, por definição, a religião diz respeito às causas últimas das coisas e, mais uma vez, por definição, a ciência não pode falar sobre isso.


Você poderia pensar no apologista da ciência, culturalmente analfabeto [2], propagandista anti-católico mentiroso [3] e possível fabulista em série [4] Neil de Grasse Tyson (imagem acima) e na cartunesca militante anti-vacinas Jenny McCarthy [5] como pólos opostos em um espectro anti-ciência / pró-ciência, mas na realidade eles são os dois lados da mesma moeda. Ambos pensam que a ciência é uma espécie de "mágica", apenas um deles é relacionado à religião e o outro não.

O ponto não é que McCarthy não está errada sobre vacinas (ela está errada). A questão é que ela é nada mais que o resultado previsível de uma sociedade que se esqueceu de o que "ciência" significa. O fato de agruparmos tantas coisas diferentes na mesma categoria faz com que haja partes da "ciência" que não são ciência real, mas foram aglomeradas no entendimento da sociedade de o que é ciência. Isto se torna muito rentável para aqueles que se benefeciam um pouco do prestígio social que ronda a ciência, mas ao mesmo tempo significa que vivemos em um estado de confusão.

Isso também significa que por causa de todos esses choramingos sobre ciência, vivemos numa sociedade surpreendentemente não-científica e anti-científica. Temos muitas pessoas anti-ciência, mas a maioria dos nossos "pró-ciência" são na verdade pró-mágica (e, portanto, anti-ciência).

Este equívoco bizarro sobre a ciência leva ao paradoxo de que mesmo enquanto esperamos o impossível da ciência ("Por favor, Sr. Economista, perscruta sua bola de cristal e nos diga o que acontecerá se Obama aumentar ou cortar impostos"), temos também uma mentalidade muito anti-científica em várias áreas.

Por exemplo, a nossa abordagem sobre educação é positivamente obscurantista. Ninguém usa a experimentação rigorosa para determinar melhores métodos de ensino, e alguém que se atrevesse a fazê-lo seria encarado como estúpido. A primeira e mais importante cientista da educação, Maria Montessori, produziu um método de educação científica baseado em experimentos que tem sido largamente ignorado pela nossa sociedade supostamente amante da ciência. Temos departamentos de educação em universidades de grande prestígio, e absolutamente nenhuma ciência acontece em qualquer um deles.

A nossa abordagem às politicas públicas também é surpreendentemente pré-científica. Não tem havido quase nenhuma experiência de grande escala e verdadeiramente científica sobre políticas públicas desde os ensaios de campo randomizados da década de 1990, e ninguém parece perceber o quão bárbaro que é isso. Temos pessoas em Brookings [6] que podem editar planilhas e Ezra Klein [7] pode escrever sobre isso e dizer que isso comprova as coisas, temos toda a ciência que precisamos, muito obrigado. Mas isso não é ciência.

A ciência moderna é um dos inventos mais importantes da civilização humana. Mas a razão pela qual ela levou tanto tempo a ser inventada e a razão pela qual ainda não entendemos muito bem o que ela de fato é 500 anos mais tarde dificilmente são científicas. Não porque a ciência é "cara", mas porque ela requer uma humildade epistêmica fundamental. E a humildade é uma das coisas mais difíceis de espremer para fora dos animais bombásticos que somos.

Mas até que que encaremos a ciência como ela realmente é, que é ao mesmo tempo mais e menos do que mágica, ainda vamos estar com um pé na escuridão bárbara.

Notas de tradução

[1] A palavra original é "philistines", que é uma palavra que tem um sentido pejorativo nas línguas germânicas, relacionado a alguém que é considerado intelectual mas não tem a formação necessária para isso. Adaptei a palavra ao contexto, conforme o necessário.
[2] O autor justifica a acusação com outro artigo da mesma revista, entitulado "Porque Neil deGrasse Tyson é um ignorante" (um philistine). [Link]
[3] Veja a crítica à sua série de TV, Cosmos. [Link]
[4] [Link]
[5] Uma ex-modelo e atriz conhecida nos EUA por ter defendido a ideia de que vacinas causam autismo, apesar de não haver nenhuma evidência médica para o fato.
[6] Instituição norte-americana que faz pesquisas em ciências sociais.
[7] Blogueiro progressista estadunidense.

P.S. Desculpem a minha péssima tradução. Espero que eu melhore daqui pra frente.
Abraços, Paz de Cristo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...