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Fé (parte 3 de 3) - Por que acreditar em Deus é diferente de acreditar em Papai Noel?



Nos textos anteriores, dei a definição de fé e tentei mostrar que todas as coisas são baseadas em algum tipo de fé e, além disso, nenhuma fé é cega, ela pode possuir evidências e conceitos fundamentais, ou axiomas.

Sobre especificamente a fé no Deus cristão, tenho lido frases tão ridículas quanto:

"Deus, Alá e Zeus planejam para o homem tanto quanto Naruto, Pikachu e Harry Potter"

"Não acredito em Deus, mas também não acredito em fadas, saci-pererê, Papai Noel, Monstro do Lago Ness e tantos outros que você também não acredita"

"Se eu sou ateu, você também é, todos somos: só acredito em um Deus a menos que você. Não creio no Deus judaico-cristão, mas nós dois também não cremos em Thor, Zeus, Brahma, Gaesh, Shiva, Baal, Ishtar, Osíris e tantos outros..."

"Porque para o cristão o seu Deus é verdadeiro e o resto é mitologia"

Minha intenção nesse último texto é falar sobre a fé em Deus, mostrando a impropriedade destas frases acima.
A premissa para a validade dessas frases é que o Deus cristão é um personagem mágico-mitológico-fictício tanto quanto os outros (saci, fada, papai noel, etc.) ou que o Deus cristão está na mesma categoria dos deuses de outras religiões, possuindo os mesmos atributos e interesses. Se essa premissa for invalidada, todos os argumentos acima são invalidados. Prosseguirei com este objetivo.

Primeiramente, deve-se fazer uma distinção. Na postagem anterior, disse que para os cristãos a existência de Deus é um axioma, isto é, uma verdade fundamental que não pode ser provada, visto ser conhecida apenas por intuição e não por experimentação. Entretanto, esse Deus de quem eu falo não necessariamente é o Deus cristão. O Deus axiomático é um Ser absoluto, único, perfeito, pessoal, imaterial e atemporal que criou o Universo. Não podemos definir mais características para Ele, apenas intuitivamente. Talvez possamos assumir que, como Ele criou o mundo, através de um planejamento, que suas capacidades de executar algo ou de conhecer algo sejam muito maiores do que a capacidade de qualquer coisa que há no Universo. Se formos mais fundo e assumirmos que Deus criou o conceito de número, estando associado apenas a esse Universo, os atributos de Deus não poderiam ser medidos por números, seriam essencialmente infinitos.

Desse princípio vem a onipotência e onisciência do Deus axiomático. A onipresença é na verdade um a figura de linguagem, visto que Deus é imaterial, não ocupa lugar no espaço, logo não pode estar em nenhum lugar. Quando os cristãos falam que Deus está em algum lugar, estão falando de modo figurado (mesmo que alguns não saibam disso).

A perfeição está relacionada à bondade, e a bondade ao amor. Assim não seria muito difícil também concluir que o Deus axiomático é perfeitamente bondoso e amoroso.

Daí, chegamos a tantas conclusões assustadoramente análogas entre o Deus axiomático e o Deus cristão, que não seria um grande salto declarar que ambos são equivalentes. O Deus como uma premissa para a existência do Universo, como um conceito filosófico, e o Deus como uma pessoa, um Ser supremo, a quem adoramos.

Eu não conheço nenhum personagem fictício mitológico que esteja tão profundamente relacionado a um conceito filosófico quanto o Deus cristão. Aliás, vamos fazer uma comparação formal, tomando como exemplo das frases iniciais Deus, Harry Potter e o Papai Noel:

a) Harry Potter
Um personagem criado nos anos 1990 por uma escritora britânica de ficção infantil. A série de livros é declaradamente dedicada ao entrenimento e baseada na criatividade da escritora, podem-se perceber inclusive detalhes da própria personalidade da autora dentro do enredo da história. Ninguém, que eu saiba, suspeita que a história tenha algum traço de realidade, nem que o personagem tenha existido em algum momento.

b) Papai Noel
Houve um bispo na Turquia no século IV conhecido como São Nicolau. São conhecidos registros verdadeiros sobre a sua história de vida. Muito tempo depois da sua morte, eram contados contos sobre a sua vida para crianças. Crianças se interessam em contos recheados de fantasia, por isso a história foi tomando proporções maiores e cada vez mais diversas. Muitos séculos depois sua história foi associada com o Natal, e graças a uma jogada de marketing da empresa Coca-Cola, no início do século XIX, a imagem mais fortemente associada ao bom velhinho é a tradicional roupa vermelha.

c) Deus
Deus não é um ser humano ou mágico, muito menos material. A ideia que o mundo tinha do Deus único foi muito vaga ao longo dos tempos, baseando-se apenas nos relatos que Ele quis revelar à humanidade. Provavelmente se revelou antes do início da escrita, mas os registros mais antigos que temos sobre Ele são de Moisés, em cerca de 1400 a.C., e não eram contos de crianças, como Harry Potter ou papai Noel. Eram registros históricos e de tradições orais difundidos desde os princípios da humanidade. Paralelamente, o conceito de Deus único como criador do Universo foi redescoberto independentemente por Platão e Aristóteles, filósofos gregos. Baseado em suas filosofias, e mais tarde nos escritos cristãos revelados, desenvolveram-se noções muito mais profundas desse conceito.

Harry Potter é baseado em figuras da cultura celto-germânica, os bruxos; Papai Noel é uma versão para crianças de um santo da Igreja Católica que virou lenda; Deus não é baseado em ninguém, Deus é a base de tudo.

As pessoas geralmente pensam em Deus como um senhor velho, de barbas brancas, e temperamento ranzinza. Isso seria atribuir características antropomórficas para o objeto de nossa fé, o que é claramente uma tendência humana, e errada. Deus não é material, mas segundo a teologia cristã, materializou-se na forma de Jesus, para que o homem pudesse ver a Deus de uma forma mais natural ao nosso dia-a-dia, de uma forma mais palpável.

É certo que Jesus existiu historicamente como pessoa, mas os céticos geralmente duvidam de sua divindade, utilizando os mesmos argumentos do Papai Noel: as histórias foram alteradas ao longo do tempo. Mas esse argumento não é válido - A história de Jesus não era contada para crianças, mas para adultos, e não começou a ser contada séculos depois de sua morte, mas desde que ele ascendeu aos céus. Os primeiros evangelhos escritos surgiram em média trinta anos depois da morte de Jesus, e foram escritos em maioria por testemunhas oculares dos fatos. As alterações nas histórias do cristianismo são abundantes, mas são todas atribuídas à Igreja Católica, depois do 4º século, tentando "adaptar" as verdades cristãs com os ensinos falsos de outras religiões. Esses ensinos estão claramente em contradição com outras partes da Bíblia, por isso podem ser ainda hoje detectados e excluídos. Além disso, tendo a existência de Deus como premissa, Ele não permitiria que os registros sobre a vida de Jesus fossem tão alterados ao longo das eras.

Concluimos que nem Deus ou Jesus Cristo enquadram-se na mesma categoria de personagens infantis fictícios, por isso não podem ser comparados como tal.

Ver:


Quanto a comparar o Deus cristão com outros deuses, já temos o nosso primeiro argumento formulado: o Deus cristão é o Deus axiomático, o princípio filosófico fundamental para a existência do Universo, enquanto outros deuses se encaixam precariamente nesse conceito, ou mesmo não se encaixam.

Vemos os deuses de muitas culturas como personagens antropomórficos, com atributos humanos, alguns inclusive capazes de cometer erros, apenas são seres elevados com poderes sobrenaturais, muitas vezes associados a fenômenos naturais, como "deus do fogo", "deus da chuva", "deus da colheita", "deusa da fertilidade" - tudo isso revela ser apenas um retrato da cultura de povos atrasados em relação à ciência atual. O único Deus que sobreviveu às provas reveladas da ciência é o Deus judaico-cristão. É o único que se adapta aos fatos que sabemos hoje. O único cuja cosmogonia é compatível com os dados científicos (ver meu texto sobre Interpretação do Gênesis), embora isso não seja necessariamente um dogma cristão, o cristão só precisa acreditar que Deus criou o mundo, e não como. [Como isso faz parte da natureza, é papel da ciência]

Além disso vemos que o Deus cristão é preocupado com o mundo todo, e não só com as atividades de uma tribo particular. Povos que vivem isoladamente costumam acreditar em deuses que estão voltados apenas para a sua cultura, e não que abrangem o mundo ou o Universo em alcance. Jesus mandou que o conhecimento de Deus se espalhasse a todos os povos do mundo.

Concluímos que o Deus cristão está longe de se comparar aos deuses limitados de outras religiões, ele tem uma categoria particular. Acreditar nele é diferente de acreditar em qualquer um outro desses deuses, pois implica em muito mais.

Após uma leitura extensa e talvez cansativa, você pode ter se convencido (ou não) que acreditar em Deus não é tão ridículo ou retrógrado quanto dizem. Mas é claro que as perguntas não acabam por aqui. Por exemplo, alguém poderia dizer: "tudo bem, agora eu acredito em Deus; mas ainda não entendo porque os cristãos o adoram, ou por que Ele precisa ser adorado. Se Ele é Todo-Poderoso, por que precisa que nós o adoremos? Seria uma atitude de arrogância ou de ego inflado?"

A resposta a esta pergunta está em nosso próximo texto.
Abraços, Paz de Cristo.

10 comentários:

  1. Após ler os três posts digo: bom texto.
    Fico com um "gostinho de quero-mais" nesse último, na parte que você fala da diferença de Jesus e seu Pai para os outros deuses.

    Bela iniciativa, belo trabalho
    que A Sabedoria guie seus pensamentos e a paz esteja em seu coração.

    Abs,

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  2. Princesa Peach - YR10 de março de 2011 13:42

    Sim ótimas postagens!! Mas necessária apenas para quem não acredita em Deus, pois quem acredita não precisa de justifictivas!! Uma excelente resposta aos ateus!!

    Que Deus continue usando a sua vida e capacitando para que você ganhe muitas vidas para Ele!!

    Eu também sempre achei mto ridículo comparar o nosso Deus, com deuses menores.
    Se esses deuses menores fossem a razão de tudo que existe no universo, ele só iria salvar os locais de certa região?? Estranho...rs

    O nosso Deus é Justo e não faz acepção de pessoas!!!

    Eu sei que Ele tem piedade dos que O rejeitam. Todos que O rejeitam sem conhecimento.
    Mas a partir do ponto que vc conhece a Deus, ele vai cobrar o seu conhecimento, e vai vomitar vc, como vc O vomita!!!

    Ainda é tempo de se arrepender, afinal o que Jesus fez na Cruz não foi só por mim, ou pela Igreja, mas foi por todos, todos os pecadores, para que tenham a chance de se arrepender e voltar a face a Deus!!

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  3. A cada 25.868 anos, num movimento cíclico conhecido como “Precessão dos equinócios”, o plano equinocial percorre todo o Zodíaco, sendo que a cada 2000 anos o Sol nasce numa constelação diferente, por exemplo:

    Pinturas com mais de 30 mil anos, de povos que viviam em cavernas, mostram figuras de deuses com cabeças de animais.
    Da pré-história até 10.000 a.C. foi a ERA SOLAR/LUNAR, e dos Deuses NATUREZA

    De 10000 a.C. a 8000 a.C. foi a ERA de LEÃO, e do Deus “Ea”.

    De 8000 a.C. a 6000 a.C foi a ERA de CÂNCER, e do Deus “TAMUZ”.

    De 6000 a.C. a 4000 a.C foi a ERA de GÊMEOS, e do Deus “HÓRUS”.

    De 4000 a.C. á 2000 a.C. foi a ERA de TOURO, do Deus “JAVÉ”.

    De 2000 a.C. a 01 d.C. foi a ERA do CARNEIRO, e do Deus “JEOVÁ”.

    De 01 d.C ao ano 2000 foi a ERA de PEIXE, e do Deus “JESUS CRISTO”.

    Na Era de AQUÁRIO, 2000 d.c ao ano 4000 d.C. (ou Era da tecnologia e do conhecimento acima da emoção), a humanidade finalmente deixará de acreditar em “Jesus Cristo”, e transformará a CIÊNCIA no mais importante “Poder supremo”.

    A palavra “DEUS” que significa “divino” ou “iluminado” vem do sânscrito (a “Língua Mãe” dos orientais), e como a invencionice dos místicos é infinita, tanto a “Torá” como a “Bíblia” reciclaram antigas lendas politeístas de religiões como a Rama, que foi transmitida há cerca de 8.6000 anos, por Melquisedeque, que segunda a crença antiga não teve PRINCÍPIO, não tem FIM, não teve PAI, não teve MÃE e criou a si mesmo.

    Lisandro Hubris

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  4. Sobre a Bíblia reciclar lenda,s quais são as suas fontes, Lisandro? È fácil jogar palavras ao vento assim. Lisandro, não importa se a crença veio de um ou de outro, o fato é que podemos alcançá-la hoje, com nossa razão e filosofia, e é isso que eu mostro aqui no blog.

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  5. Não precisamos de deuses, de religiões ou de “livros sagrados”; mas sim, de conhecimentos, de ética e de pessoas com capacidade para criar um mundo melhor para todos!
    Em vez de deixar um planeta melhor para os nossos filhos, que tal deixar filhos melhores para o nosso planeta, e ensinar que o chão sob os nossos seus pés são as cinzas dos nossos antepassados?

    Gaia, a “Mãe Terra”, é uma “Nave espacial”, um sistema fechado sem possibilidade de realizar paradas para trocas, consertos ou reabastecimentos; e como em todo universo só temos uns aos outros, precisamos partilhar o que sobrou da água, da comida, da energia e dos recursos existentes no planeta em que vivemos.
    Estamos conjuntamente errados; e para que um dia belo e glorioso todos estejam conjuntamente certos, será necessário que aprendamos a trabalhar em bloco.
    Só a consciência ecológica e a mentalidade do desenvolvimento sustentado possibilitarão que as gerações vindouras cuidem melhor desse preciosíssimo e maravilhoso ponto azul no espaço infinito!
    Lisandro Hubris

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  6. Olá David. Interessante seu post, você debate tópico por tópico cuidadosamente, mas em relação à comparação do deus cristão com outros deuses eu achei que você foi algumas vezes ingênuo, o que entendo, devido ao modo de pensar que é comum à maioria. Usarei como base o politeísmo grego, mas pode ser aplicado ao egípcio, etrusco, etc. O assunto é muito mais extenso que parece, por isso, infelizmente, tentarei ser breve.

    Antes de mais nada, vou partir de um pressuposto como você fez. Religião e mitologia são coisas distintas. Religião, segundo a Wikipedia (desculpe a fonte, rs) é um conjunto de crenças sobre as causas, natureza e finalidade da vida e do universo, especialmente quando considerada como a criação de um agente sobrenatural, ou a relação dos seres humanos ao que eles consideram como santo, sagrado, espiritual ou divino. Mitologia, segundo a mesma fonte, é o estudo de mitos, que por sua vez, são narrativas de caráter simbólico, relacionadas a uma dada cultura. Ou seja, segundo a definição da Wikipedia, a Bíblia é mitologia tanto quanto a Ilíada de Homero. A sua brilhante explicação de que "o sentido das palavras bíblicas não pode ser literal" a torna simbólica e confirma o que acabei de dizer. O fato de terem achado evidências históricas de partes da Bíblia não a faz mais verossímil aos não-cristãos que o conjunto de mitos gregos, que diga-se de passagem também possuem suas evidências, como o labirinto de Cnossos (o do Minotauro), descoberto em 1878, ou as ruínas de Tróia.

    Isso não quer dizer que eu creia que houve um Minotauro ou que Aquiles realmente existiu, como também não creio em uma serpente que fala ou em Adão e Eva de maneira literal. Isso quer dizer que o descrédito de um mito não descredita a religião, pois o caráter do mito é SIMBÓLICO, não literal. Da mesma forma, a antropomorfia dos deuses também é simbólica. Fídias, escultor grego (490 - 430 a.C.) dizia que: "Se damos aos deuses a forma humana é por desconhecermos forma mais perfeita." Isso é lindo e muito verdadeiro. Nem os gregos achavam que seus deuses eram como eles representavam, mas as imagens lhes davam algo mais palpável para adorar, ao mesmo tempo em que passavam informações simbólicas sobre esses deuses através dos seus atributos (o caduceu de Hermes, a diadema de Hera, a águia de Zeus, etc.), informações essas que mereceriam um livro inteiro para serem abordadas, dado as suas complexidades.

    Outro aspecto é quanto à limitação dos deuses. Os deuses não são onipotentes, mas são infinitos. Exemplo: Poseidon, que é regente dos líquidos. Ele é infinito em sua compreensão. Não pense só no mar, que é grande, mas limitado, mas pense em todos os líquidos. Pois Poseidon rege até os líquidos que existem dentro do ser humano (sangue, bílis, suor, sêmen, etc.). Você, que é de Química, poderia reunir em um número limitado de livros todas as propriedades de toda matéria em forma líquida? Fora os aspectos biomédicos, psicológicos, espirituais, etc. que os líquidos contêm (Jesus não foi batizado nas águas? O que simboliza o sangue para um judeu?)? É isso que eu quero dizer sobre infinito em sua compreensão, e veja que eu peguei apenas um deus. Mas mesmo Poseidon não pode interferir nas leis da justiça de Zeus. E mesmo com Gaia (a terra), Poseidon disputa espaço até hoje. Entendeu o que quis dizer com não-onipotente?

    Continua...

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  7. Quanto ao fato de que a crença em deuses com seus respectivos domínios "revela ser apenas um retrato da cultura de povos atrasados em relação à ciência atual", tome muito cuidado. O que nos difere, hoje, dos povos antigos é tão somente a tecnologia, não tanto a ciência. O método científico é o mesmo, mas a tecnologia moderna permitiu testar certas coisas que só eram possíveis na teoria. Aliás, o que seria a ciência de hoje sem Euclides, Arquimedes, Tales e outros tantos? A Física, como ciência, nasceu na Grécia. A Matemática é ainda mais antiga. O importante é considerar que A CIÊNCIA DESSES POVOS DESENVOLVEU-SE INDEPENDENTEMENTE DA RELIGIÃO QUE PROFESSAVAM (diga-se de passagem, nada supera a "paralisia científica" de quase mil anos que veio depois graças, olha só, ao cristianismo). Eles não deixaram de acreditar nos seus deuses por conta das descobertas científicas que fizeram, mas sim, pela imposição de uma religião alienígena.

    Ah sim, uma última coisa (acabou ficando bem grande, desculpe-me, mas como eu disse é um assunto extenso). Nenhum povo daquela época queria instituir uma "religião universal" (nem Alexandre, que conquistou meio mundo). Porque isso só faz sentido para nós hoje em dia, e por causa da Igreja de Roma. Diga-se de passagem, a intolerância religiosa começou com os judeus e se extendeu aos cristãos pouco depois, sendo em seguida praticada pelos muçulmanos. Mesmo no caso de povos dominados e dominantes, houve muito do que chamamos hoje de sincretismo. O que é isso? Quando os gregos chegaram ao Egito, rapidamente identificaram Zeus com Amon, Apolo com Hórus, Hermes com Toth, etc. Da mesma forma em Roma identificaram Cronos com Saturno, Afrodite com Vênus, etc. Hoje isso não é aceito por todos os politeístas, mas para a fé que eu professo os deuses são universais e cada cultura os vê a sua maneira. Sabia, por exemplo, que quase nenhum deus grego é, originalmente, grego? Ares veio da Trácia, Dionísio da Índia, Atena acredita-se que veio da Líbia, Afrodite da Pérsia (do culto de Astarte), e muitos outros. Mesmos deuses, outros nomes, outros atributos, outras formas de culto.

    Encerrando (finalmente!) sua visão carece de alguns dados e modos de pensar que reconheço que a maioria não tem. Nós partimos de axiomas diferentes (monoteísmo versus politeísmo, um deus onipotente versus vários deuses que se conjugam para haver harmonia, etc.) mas cremos ambos em forças inteligentes e invisíveis que agem no universo (você em uma, eu em várias). Logo, para crentes de ambos os lados, não há, em se tratando de fé, tanta diferença assim.

    Um grande abraço.

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  8. Só esclaracendo, eu nunca quis dizer que a Bíblia como um todo não é literal. Existem partes literais, relatos históricas, visões simbólicas, poemas, há um conteúdo muito variado de gêneros literários na Bíblia e não é difícil [para os estudiosos do assunto] distinguir um do outro. Eu vejo muitos relatos da Bíblia como verdadeiramente históricos (como o dilúvio por exemplo, mesmo não tendo sido minuciosamente como está na Bíblia, ou pleo menos como é interpretado, já que diversdas culturas no mundo também possuem em suas tradições a mesma história). Assim a Bíblia não é um livro somente simbólico, nem somente histórico, nem somente religioso. É uma mistura de tudo isso.

    Sobre o assunto dos deuses, realmente há muito o que discutir, não posso falar tudo de uma vez, e ainda devo lembrar que este não é o objetivo do meu blog (que na verdade é sobre ateísmo e teísmo). Portanto, não colocarei prioridade nesse assunto. Se quiseres, posso conversar contigo informalmente sobre o assunto, quem sabe em outro ambiente, que não o blog. Podemos nos comunicar por e-mail?

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  9. Prezado David. Acho bacana o seu cuidado em estudar a Bíblia de maneira heterogênea. Só que mesmo as mais consagradas mitologias são constituídas tanto de relatos verídicos quanto de simbólicos. Na mensagem anterior dei exemplos de evidências para os relatos verídicos de alguns mitos gregos. Tróia realmente existiu (na verdade várias Tróias, uma em cima da outra), como hoje é comprovado pelos historiadores, e realmente foi derrubada em uma época muito próxima à descrita por Homero. Mas houve um Odisseu e um Cavalo de Tróia? O dilúvio é outro excelente exemplo: pode até ter ocorrido, visto que há relatos em diversos povos de sua ocorrência (o que não impede de ser apenas um mito muito conhecido), mas cobriu realmente toda a Terra? Realmente a arca abrigava um casal de todas as espécies de animais do planeta? Mesmo se foram apenas exageros bíblicos (não foram todas as espécies, só algumas; não foi todo o planeta, só aquela área conhecida), a descrição exagerada e inverossímil do fato cria, por si só, um mito. Logo, a Bíblia é ou não uma coleção de livros mitológicos? Lembre-se do que eu disse antes, mito não desqualifica religião.

    Quanto à discussão sobre os deuses, eu confesso que acabei me desviando do tema, mas tenho que assumir que não consegui ficar calado vendo tantas falácias dos deuses que cultuo sendo ditas, da mesma forma como você não se sente bem quando um ateu insulta o seu deus. Mas, se quiser continuar a discussão fora do blog, eu teria um imenso prazer de trocar e-mails com você sobre esse assunto e sobre outros de fundo religioso. O meu e-mail é: falufi@yahoo.com.br

    Um grande abraço.

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  10. Revelando as Religiões
    As religiões são apenas superstições mais elaboradas. Mais elaboradas porque ao longo de sua formação seus criadores foram incorporando seus rituais, suas narrativas, primeiro orais, depois escritas, forjaram seus livros, sua doutrina, teologia, sua literatura, etc. As crenças foram perpetuadas através da doutrinação, repetição, usos, costumes e tradições.
    Os livros sagrados de todos os credos são coleções de fábulas, mitologias, contos, lendas e fragmentos de culturas antigas. A prova de que esses livros são mitologias está em seu próprio conteúdo fabulesco. Eram narrativas sujeitas àquela regra: quem conta um conto lhe acrescenta um ponto. Mais as alterações, supressões, adições, reinterpretações e recriações que esses textos foram recebendo. Não houve nenhuma revelação.
    O Deus é um ser da mesma natureza dos deuses, semideuses, divindades, santos, fetiches, xamãs, toténs, etc, etc, e todos são criações humanas. Todos os salvadores, messias, profetas e pregadores são os precursores dos atuais exploradores de nossa credulidade. Ainda assim, afastar de nossas mentes o Deus herdado desde o colo da mãe é uma tarefa impossível para muitos.
    O conceito de espírito ou alma surgiu quando o homem primitivo começou a interpretar o sonho como uma entidade que habitava nosso interior. Surgiu então o animismo, de alma ou espírito, entes imaginários, pois o que temos de imaterial é a nossa consciência, o pensamento, a imaginação, a mente, mas gerados por nossa própria condição biológica.
    A ética (ou a moral) independe de qualquer fundamento teológico, já que ela resulta da própria necessidade da convivência harmônica dos homens. O grande balizador da ética é a regra de ouro – Não fazer aos demais aquilo que não gostaria que lhe fizessem – e que vem desde os escritos antigos e repetida inclusive nos Evangelhos.
    A existência do Universo. Quem admite Deus como Primeira Causa de Tudo apenas cessa o pensamento, capitula-se. Pois, se há um Ente sem Causa – Deus – por que o próprio Universo não poderia também existir sem causa? E se não se pode tirar Algo do Nada, uma vez existindo o Algo – o Universo – este está condenado a existir desde sempre – eternamente. Mas se fosse possível existir Algo a partir do Nada, então o Universo poderia também ter surgido desse Nada, e mais uma vez não precisaríamos de um Criador.
    E nós existimos porque o arranjo cosmológico aleatoriamente estabelecido permitiu que na Terra moléculas pré-biológicas se tornassem biológicas, e evoluíram.
    Todo o mundo sobrenatural ou transcendente que imaginamos é resultante de nossos medos, fragilidades, compulsões, nosso autoengano e de nossa inconformidade com a finitude da vida. (Assis Utsch, autor de O Garoto Que Queria Ser Deus)

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