sexta-feira, 4 de março de 2011

Interpretação Literal do Gênesis? (parte 2)

Como prometido, aqui está a segunda parte do texto, que contém mais apêndices e complementos ao primeiro. Boa leitura!





A antiguidade da raça humana

Outra questão discutida frequentemente no ambiente científico x religioso.
Há evidências fósseis encontradas por paleoantropólogos de criaturas humanóides em épocas tão remotas quanto 1,75 milhões de anos atrás. O Homem de Neandertal, por exemplo, viveu há mais ou menos 50 mil anos, e tinha a capacidade de fabricar ferramentas de pedra como machadinhas e pontas de seta, e de utilizar fogo para cozer alimentos.

Há uma questão considerada polêmica por alguns, sobre o método de datação utilizado, baseada na decomposição isotópica. As premissas no quais ele é baseado podem não ser 100% válidas, e alguns achados desafiam a autenticidade do método. Um galho de árvore, encontrado numa camada geológica na década de 70 no Texas, foi datado de aproximadamente 13 mil anos atrás. Próximo a esse galho há uma pegada humana, e a não menos que 3 metros abaixo no solo, uma pegada de tiranossauro rex e brontossauro. O achado está publicado no Biblie-Science Newslleter de abril de 1979. Evidências como esta nos colocam a pensar nas nossas atuais teorias de eras geológicas ou na autenticidade da datação isotópica.

Deixando um pouco de lado a questão da confiabilidade da datação, a questão é que segundo os dados estatísticos relatados em Gênesis 5, o surgimento de Adão deve ter sido por volta de 4000-5000 a.C., e considerando as prováveis omissões genealógicas, é possível que a data se estenda para próximo dos 10 000 a.C.. Portanto, todos os fósseis encontrados são de épocas muito anteriores, ou seja, são "espécimes pré-adâmicos".

Examinando cuidadosamente o texto bíblico, somos levados a pensar através de Gn 2.7 que Deus, ao criar os primeiros humanos de verdade, soprou neles algo de seu próprio espírito, de forma peculiar ao que fora feito aos outros animais. Essa "imagem" divina não deve ser algo fisiológico, visto que Deus é imaterial. Seria portanto a nossa alma (heb. nephesh) e espírito (heb. ruaH)

Existem espécies de gorilas e outros primatas que são capazes de usar ferramentas para conseguir alimento, demonstrar afeto e "guerrear" entre famílias vizinhas, mas a capacidade de abstrair conceitos morais, religiosos, matemáticos, artísticos, entre outros não se têm observado em nenhuma espécies animal senão o homem moderno.

O pecado Original


"Na perspectiva psicanalista foi sugerido que o pecado mencionado no Gênesis teria sido o ato sexual, explicação anteriormente já mencionada por Agostinho. Esta explicação não encontra, contudo, raízes nas tradições judaicas pré-cristãs, em que a união carnal entre o homem e a mulher foi estabelecida por Deus. Mas se o pecado original fosse o ato sexual, Deus mesmo teria levado o homem ao pecado, quando ordenou, crescei, multiplicai e enchei a terra.


Uma das explicações "antropológicas" (não se entrando em desacordo com o texto) é entender a narrativa no contexto de que o livro sagrado pretende a apresentar uma explicação ou uma construção explicativa das origens do universo, do nosso mundo, da humanidade, da civilização em geral e da hebraica em particular, e por fim, do bem e do mal. Até ter o conhecimento do bem e do mal o homem vivia num "estado de natureza", em oposição a um "estado de cultura", explicação essa totalmente compatível com o evolucionismo darwinista e a evolução das espécies. O conhecimento do bem e do mal seria o divisor de águas, seria a maneira de reconhecer-se humano, com valores, crenças e objetivos, ou seja, a transição do animal para o hominal, como definiu o antropólogo Teilhard de Chardin, que era padre católico. Aí o homem se envergonhou da nudez, tomou consciência da morte e da mortalidade, de que todo seu corpo veio da terra, à qual deverá tornar, e passou a trabalhar e acumular, "suando sob o sol". O texto ainda lança uma espécie de enigma de transcendência: a árvore da vida eterna com seu fruto, impedida ao homem (ao menos por momento), pelas espadas flamejantes de querubins. Não se trata, evidentemente, de frutas nem árvores, mas de um texto espiritual cujo significado vem desafiando a humanidade ao longo dos milênios." Wikipédia, a Enciclopédia livre.


Essa explanação a seguir é uma pretensa descrição da minha humilde opinião sobre o assunto: "Por que Deus permitiu o mal?" ou "Se Deus sabia que o homem ia pecar, porque aplicou o tal castigo?" Pela perspectiva antropológica o pecado original é como o desenvolvimento final da consciência humana. Talvez isso queira dizer que o homem nasceu pré-programado pra errar, ou pelo menos que esse erro fosse necessário para o desenvolvimento da consciência humana.

Uma das características mais humanas é a capacidade de aprender com os erros. Errar é a melhor forma de aprender o que é verdadeiramente correto e não cometer mais erros. às vezes, o mal é necessário para que tenhamos a consciência de que precisamos tomar atitude, em vez de ficar numa posição de estagnação. Conviver todos os dias ao lado do certo e do errado e ter a capacidade de escolher entre eles é outra das características morais do homem que eu acho fascinante. Sem o pecado original, nunca passaríamos por isso.

É claro que isso não justifica as fomes, guerras e outros males que assolam nosso planeta, e nem acho que devamos culpar a Deus a essas coisas, pois mesmo Ele tendo nos criado imperfeitos, nos deu a capacidade de escolher entre o certo e o errado.

Outras visões e objeções quanto à interpretação tardia


Preciso dizer que realmente há cristãos que defendam tanto a minha visão quanto o extremo contrário (Gênesis é literal e a terra possui menos de 10 mil anos). Um dos apologistas do Criacionismo da Terra Jovem mais conhecido atualmente é o físico brasileiro Adauto Lourenço, que fez várias palestras sobre o assunto e escreveu um livro, que divulguei aqui. O importante a ser dito é que ele não se baseia simplesmente em evidências bíblicas, mas segue um discurso apoiado em evidências e método científico. Por isso, não sou capaz de reprová-lo em sua visão. Os cientistas possuem o dever de investigar as evidências e procurar a verdade, sem preconceitos. Outros cientistas possuem visões semelhantes, como o americano Walter Brown, que propôs a teoria das hidroplacas como explicação para o dilúvio e a invalidez dos métodos de datação radiológica. Eu só acho que isso não deveria ser ignorado, se uma teoria foi proposta esta deve ser investigada, inclusive pelos cientistas evolucionistas. Outro defensor da terra jovem  é o químico também brasileiro (e o qual tive a honra de conhecer) Marcos Eberlin.

Agora, apresentando o lado contrário, há cristãos que consideram o relato de Gênesis como não-literal, pelos mesmos motivos que expliquei acima, baseado no estilo literário hebraico, tirando a Bíblia da responsabilidade de ditar qualquer fato científico. Um companheiro do blog "Quebrando o encanto do neo-ateísmo" também apresenta uma exposição do assunto. Ele faz a colocação [muito bem lembrada] de que esta posição não é uma simples adaptação da cultura cristã às evidências atuais, mas que cristãos tão antigos quanto Orígenes (185-253) ou Santo Agostinho (354-430) tinham posições sobre o assunto no mínimo equivalentes.


Alguns costumam refutar minha argumentação a respeito da interpretação não-literal do mito da criação dizendo que isto é simplesmente uma tentativa de adequar à Bíblia às descobertas recentes da ciência. Bem, os argumentos propostos acima foram dados independentemente das descobertas da ciência. Além disso, uma interpretação como esta já existia desde tão antigamente quanto os primeiros séculos depois de Cristo, com Santo Agostinho.

Mas o próprio Agostinho chamava a atenção para o fato de defender ardentemente certas interpretações particulares  a respeito da Bíblia, já que descobertas futuras poderiam ir contra estas interpretações (mas não necessariamente contra o texto original, como mostrei acima). Nas palavras dele:
"Em assuntos que são tão obscuros e muito além da nossa visão, nós encontramos na Sagrada Escritura passagens que podem ser interpretadas de formas bastante diferentes sem prejudicar a fé que recebemos. Nesses casos, nós não devemos partir precipitadamente e tão firmemente tomar posição em um lado que, se o progresso posterior na busca pela verdade com justiça prejudicar, nós também caímos com ela. Isso seria lutar não pelos ensinos da Sagrada Escritura, mas por nós mesmos, esperando que ensinos dela se conformem aos nossos (...)."
Espero ter acrescentado mais ao conhecimento dos leitores.

Abraços, Paz de Cristo

9 comentários :

  1. A Fé religiosa do místico não tem nada haver com a realidade, e não passa de um adestramento, uma epidemia, ou um “parasitismo”, onde se depende de explicações mágicas e de ilusões para dar sentido à vida e responder as perguntas mais angustiantes.
    Sendo que a Mente do místico conclui sem primeiro buscar mais CONHECIMENTOS sobre a Realidade, e despreza o que possa contradizer a sua necessidade de acreditar.

    No mundo há milhares de religiões, e aquilo que é sagrado, verdadeiro ou indiscutível para alguns, é risível para os demais. A fé do místico é uma ilusão que acalma e “dá” sentido à existência dos que em vez de investigarem preferem acreditar em mitologias, como os causos sobre “Jesus Cristo”, um criminoso que depois de ter sido executado, pulou dos Relatórios Policiais para os livros religiosos, e cujo prazo de validade já se esgotou.
    Lisandro Hubris

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  2. O companheiro acima está precisando ler o blog do nosso amigo Snowball.

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  3. Lisandro Hubris é o maior troll que eu conheço. Com todo o respeito, mas só o que ele sabe é postar textos que parece que ele decorou, e fechar os ouvidos para todos os comentários que vêm depois. Veja as perguntas que ele faz no Yahoo Respostas...
    Abraços, Paz de Cristo.

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  4. Troll, sim. Mas, sobretudo, um ignorante desrespeitoso.

    Ora, pois, ele vem a um blog religioso e além de não argumentar nada - certamente, por debilidade intelectual - despeja um monte de baboseiras de puro subjetivismo e mais algumas típicas falácias do ateísmo chinfrim.

    Primeiro, ele diz que a "fé do místico" nada tem a ver com a realidade, porém o "supremo" argumento (...) usado é a alegação infantil de que "a mente do místico" (sic) não busca conhecer a realidade. Uma horrorosa petição de princípio.

    A seguir, um dos mais idiotas sofismas ateístas - já passando, sem qualquer cerimônica, da FÉ à RELIGIÃO. Trata-se de desqualificar a RELIGIÃO - embora o ignorante imagine estar se referindo à FÉ - com base na magnífica observação de que o que é sagrada para uma religião não é para as demais (pronto! descobriu a pólvora). Como se não bastasse a imbecilidade desse pseudo argumento, vem mais uma afirmação leviana, de que as coisas sagradas alheias são risíveis para os outros crentes, insinuando uma vala comum de intolerância radical entre adeptos de credos distintos. O mais interessante é que é justamento o ateísmo radical hodierno que se posiciona com esse nível primevo de incivilidade.

    De resto, nem vale a pena comentar a estupidez do tratamento dado a Jesus Cristo, o que aliás é um exemplo para ilustrar o que escrevi no parágrafo anterior.

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  5. Quando nos tornamos verdadeiramente humanos?

    Antes de respondermos à questão, devemos ter em mente que questionar a linha divisória entre hominídeos pré-humanos e os seres humanos não nos serve de muita coisa. Nenhum antropólogo até hoje chegou a qualquer tipo de consenso sobre a árvore da ancestralidade humana, quem dirá descobrir o ponto em que se tornaram humanos. Neandertais eram verdadeiramente humanos? Não se sabe. No entanto, não é preciso saber exatamente quando os humanos surgiram no processo evolutivo a fim de manter a existência dos seres humanos (seres dotados de uma mente; percepção de si mesmo no espaço e no tempo e providos da capacidade de realizar juízos de valor). Embora o questionamento não seja de muita utilidade, é inegável o seu fascínio. Dito isso, pretenderei aqui respondê-lo por meio de uma teoria epistemo-antropológica. Ao observarmos a primeira premissa acerca do evolucionismo metafísico, podemos concluir que Deus criou o espaço, o tempo, ou seja, uma criação em essência. No entanto, o cerne da teoria da evolução metafísica encontra-se na segunda premissa, onde o Criador permite o processo evolutivo da criação. A premissa número dois refere-se às formas mais elementares de vida (matéria primitiva), evoluindo (adaptando-se) gradativamente e de forma ramificada ao decorrer do tempo. O ponto mais importante nos remete ao período de cisão homo-humanidae, que não são a mesma coisa, diga-se de passagem. Em outras palavras, esta cisão refere-se especificamente à pergunta: "Quando nos tornamos humanos?" Isto é, pelo menos em princípio, basicamente uma questão de relações e ritmos evolucionários.

    Para datarmos essas relações evolucionárias e descobrirmos as sequências das ramificações ocorridas ao longo da evolução, nós fazemos uso da filogenia (estudo da relação evolutiva entre grupos de organismos). Ela nos ajuda a localizar de forma precisa a época em que os humanos, como espécie (homo sapiens), tiveram origem. E é justamente esse o cerne da questão. Quando os humanos atingiram as características que os tornaram tais como são (conforme abordamos no parágrafo anterior), evoluídos anatomicamente e dotados de autoconsciência e senso moral, tem-se o início, de fato, da história da humanidade. Em outras palavras, quando alcançamos os padrões distintivos de estruturas anatômicas e comportamentos que ainda podem ser encontrados atualmente, nos tornamos humanos. Baseado em análises antropológicas e arqueológicas, este processo ocorreu aproximadamente a 100~150 mil anos atrás. Antes disso, estavam na condição do que realmente eram em essência: não-humanos. Em tempo: vale ressaltar que, do ponto de vista puramente biológico, nós não somos o propósito da evolução em um sentido progressivo, mas apenas uma consequência da mesma, ao passo que todo o processo ainda está em andamento, embora estabilizado.

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  6. A Lei Moral

    A Lei Moral pode ser resumida em um conjunto de valores morais objetivos que, enquanto em si mesmos, nos compelem a cumprir determinadas regras morais. Eles são responsáveis por constituir todo o arcabouço moral. Basicamente, são valores fundamentados em um ente objetivo e transcendental que servem, dessa forma, como um parâmetro absoluto para pautarmos nossas ações. Tais valores são universais, absolutos e independem de qualquer convenção humana, tempo, emoção ou opinião pessoal. Sua ontologia é atribuída a um Legislador externo e moralmente perfeito, isto é, Deus. A referida lei é o pilar de sustentação e, ao mesmo tempo, um importante marcador de diferenciação entre o evolucionismo naturalista e a evolução metafísica. Como observamos anteriormente, a evolução biológica, trata da evolução da matéria como um todo, isto é, partindo de sua forma mais primitiva, passando pelas formas mais simples dos seres até as formas mais complexas de vida. Já a evolução metafísica trata estritamente da evolução psicológica e comportamental do ser, partindo do estado amoral ao senso moral, ou seja, a capacidade de reconhecer objetivamente o bem e o mal. À priori, devemos ter em mente que o bem e o mal só fazem sentido se, e somente se, existirem agentes morais. Durante o processo evolutivo, os agentes morais não existiam, logo, da mesma forma que não faria sentido falar em números se não soubéssemos reconhecê-los ou utilizá-los, não faria sentido falar em bem ou mal.

    Nesse cenário, podemos enxergar a evolução na forma de um grande processo universal de adaptação onde os seres em estágio amoral vão se aperfeiçoando cognitivamente e ganhando forma, até o momento em que a Lei Moral (conjunto de valores e deveres morais objetivos que são fundamentados no Criador) torna-se passível de leitura, tornando possível, desta forma, o reconhecimento objetivo do bem e o mal e o acesso aos juízos de valor em sua plenitude. Parece-nos, portanto, razoável admitir que em algum momento da história evolutiva, mais precisamente com o surgimento do homo sapiens (que foi quando adquirimos o comportamento moderno que ainda pode ser visto hoje - a capacidade de agir à luz dos valores morais), o Criador atuou. Ele assim o fez no sentido de inserir em sua criação o instrumento necessário à leitura da Lei Moral, concluindo desta maneira a obra única da natureza humana. Basicamente, em um determinado momento no tempo, os nossos ancestrais tiveram acesso a um código estranho o qual não podiam sequer ler ou compreender.

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  7. A autoconsciência e a mente

    Anteriormente, concluímos que a Lei Moral sempre existiu, porém, a capacidade de reconhecê-la e compreendê-la (assimilar as realidades objetivas do bem e o mal; realizar juízos de valor e pensar sobre a condição existencial de si mesmo enquanto ser) dependia de um fator. Bem, este fator nada mais é que a mente. A mente (instrumento necessário à leitura da Lei Moral) pode também ter-nos sido imputada pelo Criador durante o desenvolvimento do comportamento, ao passo que parece-nos oportuno, pois:

    1- Comportamentos são frutos de ações.
    2- Ações podem ser morais.
    3- Ações morais requerem escolhas.
    4- Escolhas requerem consciência.
    5- Consciência requer autoconsciência.
    6- Autoconsciência requer uma mente.

    Logo, através de uma intervenção do Criador, no sentido de projetar em sua criação uma mente, que, por sua vez, proporcionou a capacidade de ser autoconsciente, temos como conclusão necessária a capacidade de vir a conhecer realidades objetivas como o bem e o mal e conceber juízos de valor, que são parâmetros que utilizamos para medir ações e comportamentos. Em tempo, para um melhor entendimento, vamos definir os conceitos que trabalharemos ao longo do texto:

    Autoconsciência: característica lógica da consciência de ser, constitutivamente, consciência da consciência. Não há consciência sem autoconsciência. Sempre que um sujeito tem consciência de um objeto, logo, ele tem autoconsciência da sua consciência desse objeto. Logo, antes de termos tomado consciência de realidades objetivas como o bem e o mal, tomamos consciência de nós mesmos.

    Mente: substância que possibilita a expressão da natureza humana, tais como a razão, os desejos e as vontades. Tenhamos em mente que, a título de exemplo, os movimentos de meus dedos, enquanto eu digito este texto, em última análise, foram produzidos através de meus eventos mentais. Eu escolhi aceitar estar aqui, e esta escolha levou-me a uma intenção de digitar essa resposta. Aqui nós temos uma relação físico-mental para o nexo de causalidade, o que nos indica que a mente se distingue do cérebro, ao passo que ambas mantém uma relação causal. Por vezes, a mente enquanto conceito é confundida com a alma, porém, a última nada mais é do que um conceito puramente teológico e simbólico. Alma, do latim anima, é simplesmente animação, ou seja, todos aqueles que carregam em si o sopro da vida.

    Agora que definimos com sucesso os conceitos, devemos entender que o conjunto da autoconsciência e da mente compõem, por sua vez, a essência de cada indivíduo. Podemos nomear esse conjunto de espírito. Por fim, nós já sabíamos, desde o começo de nossas vidas, que nossas mentes podem ser e, de fato, são causalmente relacionadas com o que acontece com nossos corpos. Afinal de contas, nós não precisamos recorrer à neurociência para saber que uma boa pancada na cabeça poderia produzir uma mudança em nossas vidas psicológicas. Afinal, quem poderia deixar de estar ciente de que deixar cair um tijolo em um pé iria produzir dor?

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  8. A imaterialidade da mente

    Acredito que é importante notar que alguns dos neurocientistas mais importantes do mundo têm acreditado que a mente é, de fato, imaterial. Esses neurocientistas têm sido bem conscientes de que estimular o cérebro pode produzir alguns resultados psicológicos intrigantes. Um dos pioneiros no campo da neurociência foi Wilder Penfield. Em seu fascinante livro O Mistério da Mente, ele escreve o seguinte:

    "Quando eu causei um estímulo em paciente consciente no intuito de mover sua mão através da aplicação de um eletrodo para o córtex motor de um hemisfério, eu o perguntava sobre os movimentos causados. Invariavelmente, sua resposta era: "Eu não fiz isso, você fez." Quando eu lhe causei um estímulo de vocalização, ele disse: 'Eu não fiz esse som, você puxou-o para fora de mim." Enquanto eu fazia o registro do fluxo de consciência e apresentava a ele o registro de sua experiência passada, me admirou o fato de que ele estava tanto consciente do passado como do presente. Ele assumiu imediatamente que, de alguma forma, eu fui responsável pelo fenômeno, mas ele reconheceu os detalhes como os de sua própria experiência passada."

    Penfield, então, passa a notar que "Não há lugar no córtex cerebral, onde a estimulação elétrica fará com que um paciente decida". Isto é consistente com o a afirmação de que as escolhas são eventos indeterminados com uma explicação teleológica. À luz do seu trabalho como neurocientista, Penfield conclui o seguinte: "Pela minha parte, depois de anos de se esforçando para explicar a mente com base no cérebro de ação sozinho, eu vim à conclusão de que é mais simples (e muito mais fácil e lógico) se adotarmos a hipótese de que o nosso ser se compõe de dois elementos fundamentais".

    Por fim, tenhamos em mente que a neurociência não possui a capacidade de explicar nada sobre como ou por que a mente funciona, mas apenas o que acontece durante o funcionamento, haja vista que a mente se relaciona com o cérebro, mas não é parte integrante deste, ao passo que a mente é imaterial e, portanto, foge do escopo do método científico. Entretanto, será que a mente pode, mesmo assim, ser explicada em termos naturalistas? Absolutamente, não. Se nossas mentes fossem puramente materiais, seriam apenas um subproduto natural do acaso. Mas se as leis da natureza, no naturalismo, possuem caráter prescritivo, isto é, guiam o mundo natural, logo, como consequência lógica, tornam-se pré-determinantes. Isto é, todo o efeito (leis da natureza) está presente por completo na causa (universo), o que configura um determinismo de caráter inconsciente e mecanicista, ou seja, a determinação é colocada no passado, em uma sucessão de causas que tem sua explicação no início do universo. Logo, se nossas mentes são produtos da evolução biológica, que por sua vez, é subordinada às leis da natureza, não temos livre-arbítrio. Dessa forma, nós não teríamos igualmente o controle dos nossos próprios pensamentos, tornando-nos prisioneiros da determinação físico-biológica. Entretanto, se temos a liberdade de nos questionar sobre a origem do universo, segue-se que não há determinação alguma, e se não há determinação, segue-se que o naturalismo é falso.

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  9. Onde fica a questão do pecado no cenário evolutivo?

    A milhões de anos atrás, surgia um dos nossos ancestrais mais antigos, o Ardipithecus ramidus, com aproximadamente 4,4 milhões de anos, dando origem a outros gêneros, como o anamensis, afarensis, africanus, aethiopicus, boisei, crassidens e robustus. A partir deste, começa a distinção anatômica e o processo de transição para o homo (rudolfensis, habilis, ergaster, erectus, heidelbergensis, neanderthalensis e sapiens) sempre de forma ramificada e não linear. Paralelamente, surgiam evidências físicas da construção e aprimoramento de oldovanas referentes ao períodos geológicos em questão. O ponto crucial aqui gira novamente em torno da pergunta: "quando nos tornamos humanos?" Certamente, quando nós atingimos os padrões distintivos de estruturas anatômicas e comportamentos (autoconsciência e senso moral) que ainda podem ser encontrados atualmente, o que ocorreu muito provavelmente entre 100~150 mil anos atrás, com o gênero Homo. Romanos 5:12 nos diz que ATRAVÉS DO HOMEM (já evoluído como espécie homo sapiens), o pecado entrou no mundo e assim a morte veio a todos os HOMENS, porque “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). A chave para esta questão é nos atentarmos ao fato de que os humanoides (que não significa ser humano) anteriores a nossa espécie não poderiam pecar porque não possuíam senso moral e, portanto, não poderiam ser julgados ou sequer poderiam ser chamados de homens, afinal, os mesmos não eram, de fato, humanos.

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