terça-feira, 28 de junho de 2011

O Problema do Mal (parte 2)


Continuando a análise das proposições do Problema lógico do Mal:
  • Proposição I: Se Deus existe, então ele pode criar qualquer mundo que desejar:

A idéia crucial para entender se Deus pode criar qualquer mundo que ele quiser é a idéia de mundos possíveis, explicada na introdução. Mundos possíveis se referem a uma descrição em proposições de um estado de coisas que poderia ou não ter sido. Pense nas seguintes proposições:

  • Lula foi presidente do Brasil.
  • 7 + 5 = 12
  • Uma criança pintou um quadrado desenhado de vermelho.

Elas não só idéias possíveis, mas como foram idéias reais. São idéias que realmente são verdadeiras, além de possuirem a propriedade de não serem necessariamente falsas (i.e, possíveis). Esse é, claramente, um tipo de mundo que Deus pode criar ou atualizar.


Mas Deus pode atualizar qualquer mundo? Pense nas proposições a seguir:

  • O número natural 1 (um) foi presidente do Brasil.
  • 7 + 5 = 99
  • Uma criança pintou um quadrado desenhado de círculo.

Se pensarmos nos termos abstratos e não no simbolo social (porque é claro que “99” poderia ser o nosso “12”, se assim fosse nossa cultura) veremos que esses são mundos que Deus não pode atualizar ou não pode criar.

O número 1 (um) é um objeto abstrato; ele não tem corpo e não entra em relações causais. Já que para ocupar o cargo de presidente do Brasil é preciso poder causal, então o número natural 1 jamais poderia mandar no nosso país. A idéia é logicamente contraditória.

A conta 7 + 5 também não pode dar outro resultado que não seja 12. É impossível que juntando cinco peças com outras sete de algo terminemos com noventa e nove.

E uma criança não pode “pintar” algo de “círculo”; círculo não é uma cor. Essa frase não possui, da mesma forma, sentido, sendo contraditória do ponto de vista lógico.

Disso concluimos que, portanto, nem todos os mundos são capazes de serem criados; e Deus não pode atualizar qualquer mundo que ele desejar. Esses não são mundos possíveis, pois contém proposições que são logicamente contraditórias e então necessariamente falsas (i.e., impossíveis). Uma vez que Deus não pode fazer o logicamente impossível, pois o logicamente impossível não é sequer é “algo” no grupo de “tudo que pode ser feito” para contar dentro de todo poder. (Uma ilustração para essa ideia é o também conhecido "Paradoxo da Pedra", que faz o questionamento de se um Deus sendo Onipotente poderia criar uma pedra tão pesada que não possa Ele mesmo levantá-la. Aí entra a questão de qual a verdadeira definição de onipotência: ela inclui poder fazer até o que é logicamente impossível? Nenhum teólogo cristão já concordou com essa opinião. Coisas logicamente impossíveis não existem em si, elas só são um jogo de palavras sem sentido, assim como quadrado circular e sorvete sabor preto)


Da mesma forma, não é logicamente possível causar ou fazer alguém livremente realizar uma ação. Pois ou ele realiza livremente ou ele foi causado para tanto; são duas idéias opostas.

Agora chegamos na defesa baseada no Livre Arbítrio (atenção: defesa – o que possivelmente poderia ser e não teodicéia – demonstração do que seria de fato). (Vale a pena lembrar que o meu blog não possui nenhum ponto de vista oficial sobre a soteriologia ou doutrina da salvação; ou seja, não defendo aqui nem a posição calvinista, nem a arminiana, nem qualquer outra. O que está aqui designado como livre-arbítrio é a capacidade de livre escolha do homem nas ações cotidianas, o que ambas soteriologias concordam que o homem possui)

Se é possível que existam seres com livre-arbítrio, significa que em cada situação possível A, B ou C eles iriam livremente responder de uma maneira.

Imaginemos uma situação A onde um homem chamado Charles recebe um presente. Considerando que é possível que Charles, na situação A, tenha livre-arbítrio, sabemos pela lei do excluído do meio que ou ele iria aceitar o presente (ação r que levaria ao mundo Mr) ou ele não iria aceitar o presente (ação t; levaria ao mundo Mt).

Então numa dada situação A, teríamos duas daquilo que vamos chamar de “contrafactuais da liberdade”. E uma delas, acontecendo A, teria que ser verdade. Ou (r) vai ter valor de verdade:

  • (r) Charles, se acionado na situação A, vai livremente agir para aceitar um presente (levando a um mundo Mr);

Ou (t) vai ter valor de verdade:

  • (t) Charles, se acionado na situação A, vai livremente agir para não aceitar um presente (levando a um mundo Mt);

Em primeiro lugar, Deus não pode atualizar um mundo onde (r) e (t) sejam verdadeiros ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Se A, então uma delas têm valor de verdade e a outra é falsa. Esse é mais um mundo que Deus não pode atualizar.

Se (t) tem valor de verdade e Charles, estando na situação A, iria livremente recusar o presente, então Deus não pode fazer com que Mr seja verdadeiro. E se (r) era verdadeiro e Charles, estando na situação A, iria livremente aceitar o presente, então Deus não pode criar Mt, onde Charles livremente rejeita o presente. Depende de como Charles livremente responde em A.

Como só um dos dois pode ser verdade, há pelo mais um mundo que Deus não pode criar.

Mude essa situação para um ação de valor moral – o presente é, na verdade, uma propina do governo. Deus não pode causar Charles para fazer o certo se ele está em uma ação livre. Está na mãos de Charles escolher livremente fazer a coisa certa ou não.

E assim então temos vários exemplos de mundos que Deus não pode criar (e sem que ele deixe de ser onipotente).

Então a primeira proposição não é necessariamente verdadeira; ou podemos ir além e dizer que ela é falsa.

O problema lógico do mal já perdeu uma de suas premissas.

Vamos considerar a segunda agora:

  • Proposição II: Podendo criar qualquer mundo que quiser, Deus escolheria um mundo sem nenhum mal:

Observe que a proposição II depende do antecedente que não é nada mais do que a proposição I. Mas já definimos que a proposição I não é necessariamente verdadeira, a dois já começa com uma falha fatal.

Em II, o que se postula é algo como um mundo em que Deus só permite vários escolhas entre boas opções. As pessoas não podem escolher o mal.

Mas, nesse caso, não haveria liberdade. Pense um pouco: imagine uma ditadura que faça eleições periódicas. Mas você só pode escolher entre vários generais do mesmo partido. Isso seria liberdade de escolha? Não. O mesmo se aplica a Deus não permitir o mal.

E é possível que Deus permita e prefira a liberdade. Então a primeira opção cai por terra.

Talvez o ateu desista dessa versão e mude para a seguinte idéia: “Certo, se Deus não permitisse o mal, não haveria liberdade. Mas é possível que Deus crie um mundo onde as pessoas livremente escolhem apenas ações boas”.

Ele está certo. A princípio, um mundo onde as pessoas escolham apenas ações boas não é logicamente contraditório. Mas, no sentido contrário, é logicamente necessário que isso seja verdade? Ou isso pode ser possivelmente falso? Deus pode escolher um mundo sem nenhum mal, com as pessoas tendo a liberdade?

Talvez não. Imagine que para cada indivíduo criado há um conjunto completo de contrafactuais de liberdade como (t) e (r) mencionados acima. Em dadas situações ele sempre tomaria uma ação de liberdade descrita nos contrafactuais: em A, ele escolheria ou (t) ou (r). Em B, ou (t1) ou (r1). Em C, ou (t2) ou (r2). E assim por diante englobando todas as situações possíveis.

Sendo que uma delas sempre vai possuir um valor de verdade sobre o que a pessoa faria livremente em cada situação. Se A, então (t). Se B, então (t1). Se C, então (r3) e etc.

Agora a idéia chave é a “Depravação através de todos os mundos”. Se cada indivíduo tem suas contrapartidas de liberdade, que possuem valor de verdade em dada situação A, B ou C, então é possível que elas existam de um jeito que, não importando o conjunto de situações que Deus coloque o indivíduo, se ele estiver com liberdade moral significante, ele sempre faria livremente pelo menos uma coisa errada. Então o mal seria possivelmente uma condição necessária da existência da liberdade moral.

E por que Deus não muda esses contrafactuais de liberdade ruins? Porque se ele mudasse não seria contrafactuais de liberdade. Voltaríamos então para o primeiro caso dos generais da Ditadura Militar.

Sim, é possível que “Charles” nunca faça a coisa errada. Mas Deus não pode fazer isso sem a ajuda de Charles. No fim das contas, depende apenas de Charles não cometer coisas ruins. Deus não pode obrigá-lo a livremente fazer a coisa certa.

Novamente, isso não significa que ele não é onipotente de forma alguma. Como vimos, Deus ser onipotente não significa que ele possa fazer alguém livremente escolher algo. Se ele causa as pessoas para fazer algo, então não estamos falando mais de “livremente”. E a questão toda depende da liberdade. E é possível que a humanidade seja como “Charles”: sempre escolheria livremente pelo menos algo errado.

Então suponha que você esteja dentro da situação acima. Nesse estado de coisas, não só é possível que o mal seja uma condição necessária de agentes livres pelos valores de verdade dos contrafactuais de liberdade, mas que também ele acabe servindo a algum propósito maior. Então, servindo a um outro propósito de acesso a um bem maior, também não podemos afirmar que necessariamente Deus escolheria um mundo sem nenhum mal.

Alguém pode perguntar agora: “Ok. Esse é o mal moral. Mas e quanto ao mal natural?” É ao menos logicamente possível que o mal natural seja aparentemente restrito ao natural, tendo sua origem também em um mal moral derivado de agentes livres (como pecados, ação de pessoas não humanas, etc). Não há nada de contraditório nessa idéia, então ela é possível. E sendo possível, a argumentação acima se aplica igualmente. (Acho que são possíveis outras argumentações para o mal natural, mas, por questões de economia, essa mais simples será adotada agora).

Então nem a proposição I nem a proposição II são necessariamente verdadeiras e não ajudam mais do que as outras versões do problema lógico ajudavam.

Então o último silogismo também não sobrevive a defesa do Livre Arbítrio. É logicamente possível que as proposições estejam erradas:

  • (3) Deus é todo poderoso, todo bom e odeia o mal;
  • (3.1) Se Deus é todo poderoso, então pode criar qualquer mundo que desejar; FALSO. Há pelo menos alguns mundos que Deus não pode criar, mesmo que não deixe de ser onipotente.
  • (3.2) Se ele pode criar qualquer mundo que desejar, então ele iria preferir um mundo sem nenhum mal; FALSO. Depende do antecedente, que demonstramos não ser verdadeiro; também depende da impossibilidade do mal servir a um bem maior, que é uma opção logicamente possível;
  • (4) Mas o mal existe;
  • (5) Logo, Deus não existe; FALSO. Não segue necessariamente. (falácia non sequitur) Portanto, a existência de Deus é compatível no nível lógico com a existência do Mal.

Então HÁ uma terceira saída possível para o silogismo. Podemos facilmente revertê-lo em:

  • (6) Deus é todo poderoso, todo bom e odeia o mal;
  • (7) Mas o mal existe;
  • (7.1) Deus é todo poderoso, mas isso não significa que ele pode criar mundos impossíveis;
  • (7.2) Se Deus não pode criar qualquer tipo de mundo, então é possível que ele prefira, dentro os mundos possíveis, um mundo que possua o mal;
  • (8) Então logicamente possível que Deus tenha razões morais suficientes para permitir o mal;
  • (9) Logo, a existência de Deus é ao menos logicamente compatível com a existência do Mal;

É muito fácil desfazer do problema lógico do mal. O mero fato de ser possível uma terceira saída não torna a conclusão obrigatória. E então não segue lógica e necessariamente a incompatibilidade entre Deus e o mal e o ateu não consegue fazer um caso contra o teísmo.

Na verdade, podemos até mesmo rever a existência do mal, transformando em um ARGUMENTO para a existência de Deus!

  • (1) Se Deus não existir, então o mal (entendido como algo objetivo, não como apenas um desagrado mental) não existe;
  • (2) Mas todos nós sabemos que o Mal de fato existe;
  • (3) Logo, Deus existe;
(Essa é só uma versão simplificada do argumento moral, mas já foi discutido aqui no blog sobre isso: link)

Recapitulando, então a derrota do problema lógico do mal é definida pelo fato de que:

  • (a) Não há contradição explícita entre Deus e a existência do Mal;
  • (b) A contradição implícita pode ser desfeita exemplificando uma terceira saída possível, ou seja, a contradição baseada em premissas implicitas não é lógica e necessariamente verdadeira;
  • (c) A adição de mais premissas deve ser obrigatoriamente de premissas necessariamente verdadeiras;
  • (d) As premissas adicionais não são necessariamente verdadeiras;
  • (e) Se não são logica e necessariamente verdadeiras, então o problema lógico do mal, por tabela, é falho;
  • (f) Na verdade, o reconhecimento da existência objetiva do Mal é evidência a favor da idéia que Deus existe, não contra;

Se a argumentação acima for aceita como possível, não há nenhuma contradição. E, de fato, muitos ateus já aceitaram que não há contradição lógica entre Deus e o Mal. É ao menos possível a coexistência dos dois. Então o argumento foi modificado: dada a quantidade de mal no mundo, é improvável que Deus exista ou irracional acreditar que ele exista. Isso nos leva ao problema Probabilístico ou Evidencialista do Mal (que será tratado na próxima parte da série):

24 comentários :

  1. Parabéns, ótimo blog. Apesar de conter muitos erros, como na hora que você diz que "Uma vez que Deus não pode fazer o logicamente impossível, pois o logicamente impossível não é sequer é “algo” no grupo de “tudo que pode ser feito” para contar dentro de todo poder". Afinal, se ele é onipotente, porque não acabar com o Mal, ou melhor, porque tê-lo criado?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Anônimo,
      por que você diz que isto é um erro? Você acredita que se Deus fosse onipotente Ele poderia criar círculos quadrados, solteiros casados ou fazer com que 1=2? Tudo isto não são representações de objetos possíveis, como eu disse são combinações de palavras que não fazem sentido. Você poderia responder "ué, mas Deus não pode fazer o impossível?". Bem, existem 2 tipos de impossível. Para você entender melhor, leia dois outros textos que falam deste assunto:

      http://www.respostasaoateismo.com/2012/02/ensaio-de-c-s-lewis-sobre-onipotencia.html

      http://www.respostasaoateismo.com/2012/06/sobre-onipotencia-de-deus.html

      Sobre a onipotência e o Problema do Mal, eu respondo: "Por que Deus não acaba com o Mal?" Ninguém disse que Ele não vai acabar, Ele vai. Mas não ainda. Existem razões para que Ele ainda permita o sofrimento no mundo, e é bom que você esteja lendo esta série de textos, pois mais adiante eu falo um pouco mais disso. Sobre o porquê de ter criado o mal, não acho que há uma resposta definitiva, mas eu tenho a opinião pessoal de que o ser humano só compreenderia a maravilha e a plenitude do mal se experimentasse um pouco do sofrimento... a existência do mal faz o bem ser mais valorizado ainda.

      Abraços, Paz de Cristo.

      Excluir
  2. Qual seria a lógica de tudo isso? porque deixar a humanidade sofrer?
    ''Ninguém disse que Ele não vai acabar, Ele vai. Mas não ainda'' O que Ele está esperando? Ele está tentando impressionar alguém? Não vejo sentido nisso tudo. E antes que eu esqueça, tudo isso que você postou está refutado aqui http://rebeldiametafisica.wordpress.com/2011/07/08/a-defesa-do-livre-arbitrio-refutada-e-a-inexistencia-de-deus-demonstrada/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não temos uma resposta objetiva para a sua pergunta, anônimo. Eu apenas posso especular que Deus ainda não destruiu o mal porque este mal ainda pode ser usado para que as pessoas cheguem mais perto de Deus. Quando chegar a hora em que o mundo estiver totalmente insensível ao "megafone" de Deus, que é o sofrimento (como descreve brilhantemenete C. S. Lewis), isto será o que a Bíblia descreve como apostasia (2 Ts 2.3), e "então virá o fim" (Mt 24.14).

      Este blog me pareceu interessante, é difícil encontrar um blog ateu refinado filosoficamente hoje em dia, ainda mais em português. Eu só não pude ler o artigo porque é muito grande e eu estou atualmente com muitas ocupações, quase não tenho tido tempo para o blog.

      Abraços, Paz de Cristo.

      Excluir
    2. "Eu apenas posso especular que Deus ainda não destruiu o mal porque este mal ainda pode ser usado para que as pessoas cheguem mais perto de Deus." [2]

      Ou você é incauto ou muito ingênuo. Ao que parece, é apenas metido a sabido, pois usa a lógica para tentar provar absurdos. Se usasse a lógica com maior rigor verificaria o real motivo de se querer vender a ideia do mal num mundo sem Deus. Veja quantas igrejas existem no seu bairro, ou em qualquer outro do mundo cristão. Tem mais igrejas que mercadinhos, farmácias e padarias juntos! Isso deveria lhe servir de alerta, pois vender Deus e o Diabo, o bem e o mal, é apenas um bom negócio! E todos esses vendedores de ilusão sabem que Deus não existe, já que roubam em nome Dele, IMPUNEMENTE! Engraçado, Deus só pune os fiéis, os pastores ladrões, não!

      Excluir
    3. "(...) vender Deus e o Diabo, o bem e o mal, é apenas um bom negócio! E todos esses vendedores de ilusão sabem que Deus não existe, já que roubam em nome Dele, IMPUNEMENTE!"

      Eu posso dizer o mesmo de você, Manoel: "Ou você é incauto ou muito ingênuo". É muito provável que haja ALGUM pregador que use da religião para benefício próprio. Mas isto não prova que tal religião é falsa, nem prova que a tal religião foi criada para esse propósito, muitíssimo menos prova que TODOS os pregadores desta religião a usam para benefício próprio. Isto foi uma lógica muito mal usada. E essa idéia de que a religião está ligada puramente a fins econômicos é muito marxista e muito reducionista pro meu gosto. Há muitos outros fatores envolvidos.

      Excluir
    4. Voce esta usando outra dicotomia para justificar o seu argumento belo placebo mas pessimo argumento

      Excluir
    5. Qual dicotomia, caro "Morcegão"?

      Abraços, Paz de Cristo.

      Excluir
  3. "(3.1) Se Deus é todo poderoso, então pode criar qualquer mundo que desejar; FALSO. Há pelo menos alguns mundos que Deus não pode criar, mesmo que não deixe de ser onipotente."

    Ora, ora! Você contradiz o que afirmou antes! Se Deus só pode fazer o que é possível de ser feito, então ele não pode desejar fazer o que não pode realizar! Isso seria loucura! A premissa continua verdadeira! Você não provou nada!

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. " por que Deus não muda esses contrafactuais de liberdade ruins? Porque se ele mudasse não seria contrafactuais de liberdade." [2]

    Usar o argumento do livre-arbítrio é apelar e não provar nada! Imagine um fabricante de computadores que fabricasse PCs com "livre-arbítrio", que funcionasse bem ou mal segundo sua vontade. De quem seria a culpa por esse absurdo? Seguramente, eu procuraria comprar o próximo PC de outro fabricante, que fizesse um produto sem esse "defeito".

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esta é uma analogia indevida, pois (1) um computador é feito PROPOSITALMENTE para fazer tarefas repetitivas e cálculos rapidamente. Não faria sentido construir um computador com livre-arbítrio; e (2) nós não somos computadores, ou seja, não somos "construídos" com o mesmo propósito de um computador. Nossa mente tem aspectos diferentes; (3) O livre arbítrio não é a escolha de "funcionar bem" ou "funcionar mal", é apenas um pré-requisito para que o ser humano possa amar. Amor pressupõe uma escolha voluntária, Deus ama, e criou seres capazes de amar. Quando se ama alguém, isto significa que existe a possibilidade de voluntariamente deixar de amar. Por isso o livre-arbítrio neste sentido é compatível com os desígnios de Deus.

      Excluir
  6. Talvez eu esteja enganado, mas sempre entendi que os atributos principais de Deus eram ser todo poderoso, todo bom e tudo saber, e não "é todo poderoso, todo bom e odeia o mal;".

    No meu entendimento, oodo bom e odeia o mal seriam o mesmo atributo.

    E também entendia que o argumento original de Epicuro (ou Sexto Empírico) de fato se referia aos atributos de Deus, e não à idéia da existência de um deus.
    (http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradoxo_de_Epicuro)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Como vopcê observou, Anônimo, "todo-bom" e "odiar o mal" é praticamente a mesma coisa. A repetição é só pra dar ênfase.

      O paradoxo de Epicuro é sim sobre os atributos de Deus (ou deuses, em se tratando do contexto histórico específico). Mas note que o Deus cristão tem atributos bem definidos, os quais o paradoxo ataca diretamente. Por isso a pretensão dos epicuristas (e alguns "neo-epicuristas", eu poderia dizer) é provar a inexistência de Deus por absurdo, utilizando esse paradoxo. Um ser que é auto-contraditório em seus atributos não pode existir.

      Abraços, Paz de Cristo.

      Excluir
  7. "imagine uma ditadura que faça eleições periódicas. Mas você só pode escolher entre vários generais do mesmo partido. Isso seria liberdade de escolha?"

    Seria, sim, meu caro. Essa é a questão. Deus poderia criar um mundo em que poderíamos ser livres e mesmo assim poder escolher apenas entre coisas boas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Deus poderia fazer sermos livres e escolher apenas ALGUMAS coisas boas, sim, eu concordo. Mas o maior bem possível, segundo o cristianismo, é AMAR a Deus. E amar é por definição algo voluntário, isso quer dizer que para que amar seja possível deve haver a liberdade de escolha entre amar e rejeitar, amar e não-amar, amar e odiar. E odiar a Deus é, consequentemente, o pior mal possível.

      Abraços, Paz de Cristo.

      Excluir
  8. Se Deus é todo bom, não é possível que ele "odeie", certo? Afinal de contas, ódio é o contrário de amor. Sem adentrarmos ao fator conceitual de que para existir um o outro é necessário.

    Marcel Conche, ateu declarado, nos revela um agravante ao Paradoxo de Epicuro: o sofrimento das crianças. E pensemos então no sofrimento físico de seres com construção moral praticamente nula, feito pássaros ou árvores. Além da possibilidade de alguma criança recém nascida cair no chão e agonizar em dor até morrer, ou seja, uma vida inteira de sofrimentos. Uma lição para os que permaneceram vivos? Meio cruel para com a criança essa lição, não? Seria karma ou alguma espécie de reencarnação? Enfim, geralmente as análises em torno do problema da existência de Deus é especista e/ou egocêntrica.

    Veja bem, eu sou ateu por raciocínio, e teísta por desejo e poesia. Vivo entre os dois mundos constantemente, e lendo o seu texto com atenção, não consegui enxergar argumentos suficientes para pôr em xeque o Paradoxo de Epicuro. Do meu ponto de vista, embora a sua lógica seja redondinha a que se propôs, ela falha em um ponto crucial: a lógica e a razão são atributos humanos e não divinos. As leis físicas que guiam a lógica não se aplica a um ser onipotente como Deus, que extrapola a matéria. Porém, também pude perceber implicitamente no seu texto algo como o ser humano só enxerga até onde a razão lhe carrega, e a existência do mal pode ser algo para além da razão. Mas a ideia de "além da razão" é válida para ambas as argumentações, contra ou a favor de Deus: assim como a razão do mal existir pode ser inacessível ao ser humano, um mundo sem mal e com livre-arbítrio para o amor também pode ser inacessível à razão humana, mas perfeitamente concebível para Deus.

    Em suma, Deus é ou seria mais inteligente que nós em ambas as situações.

    É uma situação complexa, e resumindo, acho que o problema central é querer provar as coisas, tratando-se de situações metafísicas. É sempre muita pretensão.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro Eduardo,

      "Se Deus é todo bom, não é possível que ele "odeie", certo?" ERRADO. Defintivamente. Até um tempo atrás eu pensava assim, mas fui convencido do contrário. Veja bem: o amor algo ou alguém pressupõe o ódio ao oposto desse algo ou alguém. Por exemplo, se você ama o silêncio, você odeia o barulho. Se você ama a simetria, despreza a desordem, e por aí vai. Deus ama a pureza, a santidade e o bem, que são seus atributos, logo Deus odeia a corrupção e o mal.

      Sobre sofrimento de crianças, nossa ótica humanista atrapalha muito no julgamento dessas situações. Tendemos a ficar revoltados quando vemos alguém privar a outrem de seus direitos humanos. O irônico é que esses direitos humanos tem uma herança na cultura cristã, mas hoje em dia isso leva as pessoas a se revoltarem contra Deus se Ele "fere os direitos humanos" de alguém. Um cristão deve saber que Deus está acima de tudo. Deus não deve nada a ninguém e não tem obrigações ou deveres. É ele quem estabeleceu os "direitos humanos" antes de qualquer humano ter pensado nisso, sendo Ele autor dos humanos. Olhando esse fato isoladamente tendemos a pensar que a moral de Deus é arbitrária, mas temos que lembrar que a bondade e justiça são atributos espontâneos e naturais de Deus, e é logicamente impossível Ele agir contra esses princípios (porque assim Ele deixaria de ser Deus, por definição). Por isso quando vemos uma ação divina que não conseguimos racionalizar como boa ou justa, a melhor conclusão que podemos ter é que essa ação está além da nossa compreensão limitada.

      Sobre a lógica, não é verdade que a lógica é uma coisa humana. Veja bem, a lógica existe independente do ser humano. Você consegue imaginar um Universo onde 1 = 2? Tal Universo não é possível. Mesmo que os humanos não existissem a lógica continuaria existindo. Na verdade é até mais do que isso. A lógica é independente até do Universo. Não existem "leis físicas da lógica" (sic). A lógica contém um conjunto de princípios que ajuda a determinar o que pode ser verdadeiro e o que pode ser falso. É algo tão fundamental que alguns filósofos cristãos chegam a afirmar que a lógica é um reflexão da essência da Deus. Mas isso é um assunto bem mais profundo.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços, Paz de Cristo.

      Excluir
  9. Você poderia ao menos pegar o paradoxo de Epicuro, e não esse fake que você pegou.

    E o paradoxo não tenta provar que deus não existe.

    Ele afirma que um ser :

    (1) Onisciente ;
    (2) Onipotente ;
    (3) Onibenevolente.

    É contraditório com a existência do Mal.
    Você escreveu um bocado. Mas o paradoxo é até bem curtinho. Vou colocá-lo aqui, para você refutar o Paradoxo certo.

    (1) Enquanto onisciente e onipotente, tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele. Mas não o faz. Então não é onibenevolente.

    (2) Enquanto omnipotente e onibenevolente, então tem poder para extinguir o mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe o quanto mal existe e onde o mal está. Então ele não é omnisciente.

    (3) Enquanto omnisciente e omnibenevolente, então sabe de todo o mal que existe e quer mudá-lo. Mas não o faz, pois não é capaz. Então ele não é omnipotente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A argumentação que segue no post é em defesa de não existir nenhuma contradição lógica entre as assertivas "Deus existe" e "o mal existe", lembrando que "Deus" refere-se automaticamente a um ser onipotente, onipotente e beneolvente.

      Abraços, Paz de Cristo.

      Excluir
    2. E caso você não tenha percebido, esse post é a parte 2, apenas a continuação da parte inicial.

      Excluir
  10. Seu texto é de uma confusão mental incrível, uma associação de falácias que não consegue fundamentar a existência de um Deus nem contestar os argumentos que alegam o contrário. Eu li apenas estes dois posts, mas espero que você tenha tido melhor sorte no restante do blog!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seria mais proveitoso se você apontasse especificamente onde eu me confundi ou quais falácias cometi. Assim a crítica fica muito vaga e de pouco me aproveita, Sandro.

      Mas obrigado pelo comentário, volte sempre.

      Abraços, Paz de Cristo.

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...