quinta-feira, 21 de junho de 2012

50 provas de que Deus é imaginário - REFUTADAS (parte 5)

Prova # 38 - Observe a taxa de divórcio entre os cristãos

Se você já foi a um casamento cristão, você sabe que o casamento é um grande acontecimento. Você tem sacerdote ou ministro com o casal lendo a Bíblia e orando. A cerimônia acontece em uma igreja - a casa de Deus. Dezenas ou centenas de testemunhas estão presentes. Na frente de Deus, um representante de Deus e todas essas testemunhas, um casal declara que eles vão permanecer juntos "até que a morte os separe."

A fé cristã também coloca um estigma muito, muito grande sobre o divórcio. Por exemplo, em Mateus 5:32 Jesus diz: "Mas eu lhes digo que qualquer que repudiar sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz com que ela se torne adúltera, e quem casar com a repudiada comete adultério."

Em Mateus 19:9, Jesus repete esse sentimento: "Eu lhes digo que qualquer que repudiar sua mulher, exceto por causa de infidelidade, e casar com outra, comete adultério."

O adultério é um grande problema na fé cristã. Primeiro, um dos mandamentos nos Dez Mandamentos especificamente proíbe o adultério. Pior ainda, em Levítico 20, encontramos o seguinte: "Se um homem cometer adultério com a esposa de seu vizinho, tanto o adúltero e a adúltera devem ser condenados à morte."

Adúlteros recebiam a pena de morte. Claramente, Deus e Jesus desejam que os cristãos permanecem casados ​​para a vida.


Até aqui não há nenhum problema ou distorção no texto. 

E não se esqueça esta importante frase dita na cerimônia: "O que Deus uniu não o separe o homem." Agora pense sobre isso. Deus é o todo-poderoso, criador onisciente do universo. Se Deus coloca algo em conjunto, não deveria ser impossível separá-lo? Não é que o que "todo-poderoso" significa?

Dado tudo isto, e dado o fato de que um Deus todo-poderoso está supostamente cuidando da vida de um casal cristão, orientando-os no espírito, etc., qual você esperaria ser a taxa de divórcio para os cristãos? Claramente, a taxa de divórcio cristão deveria ser zero.

Mas quando olhamos para as estatísticas de divórcio de casais americanos cristãos, e comparamos com as taxas de divórcio  de não-cristãos, encontramos esta estatística estranha: as taxas de divórcio entre os cristãos são praticamente as mesmas entre o resto da população. Não importa se o casal é cristão ou não.
Depois que li o resto do argumento, comecei a rir. A linha de pensamento é totalmente non-sense. Primeiro, o autor ignora que, apesar de Deus cuidar e orientar o casal, esse cuidado depende da abertura que o casal dá para Deus para agir em suas vidas ao longo dos anos. Quando o casal não está com a sua vida, seus pensamentos e atitudes centrados em fazer a vontade de Deus, alguma coisa pode acabar dando errado (e isto vale não só para o casamento, mas para qualquer coisa na vida). Algumas pessoas acabam desanimando com o tempo porque são homens e não são perfeitos. O adultério pode acabar acontecendo nestes casos, e nesses casos o divórcio é autorizado pela Bíblia. Não há absolutamente nenhum motivo para esperar que a taxa de divórcio entre cristãos fosse zero, a não ser que você acredite que as pessoas são perfeitas (o que o cristianismo nunca alegou; muito pelo contrário).


Prova # 39 - Perceba que Jesus era um idiota

A maioria dos cristãos tem uma imagem calorosa e amorosa de Jesus. Jesus é o "Príncipe da Paz" e do "Cordeiro de Deus" em seus olhos. Jesus é um ser perfeito, sem pecado. Mas seria esta uma imagem precisa? Se você nunca tivesse ouvido falar de Jesus antes, e você decidisse que queria aprender sobre ele lendo a Bíblia, que tipo de pessoa você descobriria? (...)


Uma pessoa que é um hipócrita é certamente um idiota. Ninguém gosta de um hipócrita, porque os hipócritas são presunçosamente tolos. E Jesus parece ter um problema com a hipocrisia. Por exemplo, uma das frases mais famosas de Jesus é: "Amai os vossos inimigos", como ele diz em Mateus 5.43: 


"Ouvistes que foi dito: 'Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo.' Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus ".


Ele reitera a mensagem em Lucas 6:26:

"Mas eu vos digo que me ouvir: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam.

Isso parece bastante simples. Certamente Jesus faria isso, a menos que ele fosse um hipócrita. Entretanto, o que encontramos em Marcos 16:15-16 é surpreendente. Ele nos mostra como Jesus trata os seus inimigos:

"Ele [Jesus] disse-lhes: 'Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado [para o inferno]".

Esta é a tal notícia "boa"? Jesus não ama os seus inimigos. Na verdade, você não precisa mesmo de ser um inimigo - mesmo aqueles que preferem não "acreditar em" Jesus são condenados à tortura eterna no lago de fogo. Este nível de hipocrisia é o tipo de coisa que você espera de um idiota.
Aqui há uma confusão de conceitos. Não se pode confundir Jesus enquanto ser humano e Deus enquanto Criador e Legislador do mundo. Não há nenhuma parte na Bíblia que mostre Jesus quebrando este mandamento. Podemos ver Jesus restituindo a orelha do soldado que veio prendê-lo (Lc 22.48-51), pedindo a Deus que perdoe aqueles que o torturavam na cruz (Lc 23.33-35), dentre muitos outros exemplos. Enquanto ser humano, Jesus estava em igual posição entre os outros seres humanos.
Mas este comportamento não pode ser aplicado a Deus, que possui o dever de tratar com justiça os seres que criou. Mesmo que Deus ame o produto de sua criação, sua santidade não permite que Ele tenha comunhão com quem é corrupto e pratica o mal, e sua justiça não permite que tais pessoas permaneçam impunes em seus atos. Mas Deus não é passivo em relação a tudo isto. Ele não espera que as pessoas se corrompam para que Ele as condene com prazer. Ele se ofereceu como Jesus para pagar a dívida da humanidade justamente para que isso não acontecesse.

Para mais exemplos de hipocrisia e contradição, tente comparar Mateus 5.16 com Mateus 6.1, ou João 14.27 com Mateus 10.34, ou 2 Reis 2.11 com João 3.13, ou Êxodo 33.11 com João 1.18, ou Marcos 9.40 com Lucas 11.23.

Mateus 5.16: Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. 
Mateus 6.1: Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. 
Se você ler Mateus 6.2, a aparente contradição é desfeita instantaneamente: "Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão." O primeiro texto está dizendo que é bom quando nossas boas obras levam os outros a glorificar a Deus, e o segundo texto complementa dizendo que é ruim quando fazemos boas obras apenas para que nós mesmos sejamos glorificados com isso.
Não vou responder os outros porque não é o foco aqui; mas experimente ler o contexto destes textos, assim como eu exemplifiquei com o primeiro, para ver que não é bem assim como o autor fala.

Da mesma forma, uma pessoa que quebra suas promessas é um idiota. Podemos ver que Jesus quebra  suas promessas olhando Marcos 11:24: "Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, crede que já o receberam, e ele será seu." (...)

Aqui é tudo apenas uma repetição da prova #1, que já foi refutada.

E se Jesus contou histórias que são completamente inverídicas? Por exemplo, pegue Mateus 4:8 como um exemplo: "Novamente, o Diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor." O problema com esta história é que a terra deve ser plana para que ele funcione. De uma montanha alta é impossível ver "todos os reinos." Mesmo estando no Monte. Everest, a montanha mais alta da Terra, mais distante você pode ver é de 250 quilômetros ao horizonte. No entanto, sabemos que no tempo de Jesus, havia reinos prósperos na China, Índia, América do Sul, Europa, etc. Então, claramente, esta história não poderia ter acontecido. As pessoas que são desonestas dessa maneira são uns idiotas.


O texto não é necessariamente literal. O diabo poderia ter feito Jesus ver os reinos através de uma visão, um truque mental, ou algo assim.

Outra forma fácil de ver que Jesus é um idiota é reconhecer o seu fanatismo. Em Mateus 15:22-26 encontramos esta conversa dizendo:

"A mulher cananéia de que vizinhança veio a ele, clamando: 'Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Minha filha está sofrendo terrivelmente com possessão demoníaca'. Jesus não respondeu uma palavra. Então, os discípulos aproximaram-se dele e pediram-lhe: 'despede-a, pois ela continua clamando atrás de nós.' Ele respondeu: 'Não fui enviado senão às ovelhas perdidas de Israel.' A mulher veio e se ajoelhou diante dele. 'Senhor, ajuda-me!' ela disse. Ele respondeu: 'Não está certo tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.' "

Jesus chama esta mulher de cão, porque ela não era da mesma nacionalidade que ele. Isso é ridículo, e uma clara indicação de que ele é um idiota.

O primeiro erro aqui é julgar a severidade da afirmação de Jesus com base nos padrões éticos de hoje em dia. Apesar de esta frase parecer bem ofensiva aos nosso olhos, ela talvez não fosse tanto assim naquela época e lugar. Em segundo lugar, é verdade que a missão de Jesus era apenas para os judeus, isto já estava declarado desde as profecias a respeito dele no Velho Testamento. A tarefa de levar o evangelho aos outros povos seria dada posteriormente aos seus discípulos. 
Em terceiro lugar, e mais importante, se Jesus não tivesse falado desta maneira com ela, ela não teria respondido da maneira que respondeu. O autor propositalmente ocultou a continuação do texto, por isso mostrarei aqui:
"E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: O mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã." (Mt 15.27-28)
A mulher dá uma demonstração de fé muito grande, tão grande que foi digna de nota e de ser registrada na Bíblia, para que pudéssemos nos inspirar com seu exemplo lendo a história muitos séculos depois. Jesus sabia o que estava fazendo.


Se você é uma pessoa que rouba coisas de outras pessoas, você é um idiota. Em Marcos 11.1-3 lemos:


"Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé e Betânia, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos, dizendo-lhes: "Vão ao povoado que está adiante de vocês; logo que entrarem, encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém jamais montou. Desamarrem-no e tragam-no aqui. Se alguém lhes perguntar: ‘Por que vocês estão fazendo isso? ’ digam-lhe: ‘O Senhor precisa dele e logo o devolverá’ ". 

Quantas vezes você já viu algum imbecil dizer: "me empreste isso que eu vou devolvê-lo daqui a pouco", para nunca mais ver essa pessoa novamente? É um golpe comum. E isso é exatamente o que Jesus fez. Os discípulos pegaram o jumentinho, mas se você pesquisar as escrituras você vê que eles nunca se preocuparam em devolvê-lo - que idiota!

Para este texto eu penso em duas saídas: a Bíblia não menciona se os discípulos devolveram ou não o jumento, por isso não dá pra concluir daí que eles não devolveram. Este detalhe apenas não era importante para o desenrolar da história e não foi mencionado. Contudo, se eles não devolveram, notem que os discípulos disseram: "O SENHOR (Deus) precisa dele e logo o devolverá". Os discípulos disseram que DEUS precisava do jumento e que Ele iria devolver. Deus poderia fazer o homem ganhar outro jumento, ou achar dinheiro pra comprar outro, ou qualquer coisa do tipo. Infelizmente não temos os detalhes desta história na Bíblia, portanto isto é mera especulação. Mas note que isto não faz de Jesus necessariamente um idiota, como eu mostrei há muitas outras possibilidades.

Você já reparou que em muitos casos, Jesus é infantil e emocional, ao invés de pensativo? Pessoas que agem assim são uns idiotas. Aqui está um exemplo de Mateus 18.7-9:

"Ai do mundo por causa das coisas que levam as pessoas a pecar! Essas coisas devem vir, mas ai do homem por quem vierem! Se a tua mão ou teu pé te faz tropeçar, corta-a e jogue fora. É melhor que você entre na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. E se o teu olho te faz tropeçar, arranca-o e jogue fora. É melhor para você entrar na vida com um olho do que ter dois olhos, e seres lançado no fogo do inferno."

Esta afirmação é totalmente ridículo em vários níveis diferentes. Em primeiro lugar, algo como uma mão não pode "fazer com que você peque" - o pecado se origina no cérebro. Toda pessoa inteligente sabe disso. Portanto, arrancar o seu olho ou cortar a sua mão fora é inútil. 

É um fato muito conhecido que Jesus falava por parábolas (analogias). Eu penso que Jesus não estava aqui pedindo para que as pessoas se amputassem literalmente. Jesus estava ensinando que temos que nos livrar de tudo que nos influencia a pecar. Isto é muito claro para a grande maioria dos cristãos para os quais você perguntar isso. Estou começando a perceber que este autor tem um problema sério com interpretação de textos.
Aqui está outra explosão emocional de Marcos 11:15-16:

"Ao chegar a Jerusalém, Jesus entrou no templo e começou a expulsar os que vendiam e compravam ali. Ele derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dessas pombas de venda, e não permitia que nenhuma pessoa levasse mercadoria através de pátios do templo."

Isto é uma coisa inteligente a fazer? É este o tipo de comportamento você espera de um adulto, pensativo e racional? Não, é o comportamento de uma criança. Certamente o filho todo-poderoso de Deus poderia vir com um plano melhor do que derrubando mesas em uma explosão de uma só vez.
O pecado que aqueles homens estavam cometendo era muito sério. Eles desrespeitavam o ambiente da casa de Deus, o Templo, para lucrar de forma ilícita vendendo animais para sacrifício. A atitude daqueles homens era tão séria que mereceu uma reação enérgica e extraordinária de Jesus. Isto demonstrava o zelo que Jesus tinha com a santidade e nos ensina que devemos agir com a mesma intensidade ao expulsar de nossas vidas tudo aquilo que prejudica a nossa santidade e que é corrupto. A atitude de Jesus com certeza marcou as pessoas que o viram fazer isso, por isso o escritor do evangelho se lembrou do fato e o escreveu, para que hoje possamos ler e tirar esta maravilhosa lição da atitude de Jesus.

Em Marcos 11.12-14 encontramos outra reação emocional:

"No dia seguinte, quando estavam saindo de Betânia, Jesus teve fome. Vendo à distância uma figueira com folhas, foi ver se encontraria nela algum fruto. Aproximando-se dela, nada encontrou, a não ser folhas, porque não era tempo de figos. Então lhe disse: "Ninguém mais coma de seu fruto". E os seus discípulos ouviram-no dizer isso."

Vamos ver. O filho de Deus está com fome. Ele se aproxima de uma figueira. A árvore está fora de estação e não tem frutos. Jesus quer fruta. Então, ele mata a árvore. Que idiota total! Por que ele não fez com que figos aparecessem de forma mágica? Ou que tal pegar algumas uvas passas com alguém e transformá-las em 5.000 cestas de figos? Só um idiota mataria algo por pirraça.

Achar que Jesus matou a figueira simplesmente por pirraça é uma postura ingênua. Jesus estava a todo o tempo tentando ensinar algo para os discípulos, seja com suas palavras, seja com suas ações. E frequentemente estes ensinamentos vinham através de analogias e simbolismos. Eu consigo pensar em pelo menos três simbolismos associados à atitude de Jesus:
1. Jesus estava usando didática, mostrando aos discípulos o quão terrível é ser infrutífero e querer viver de aparências no reino de Deus. Jesus encontrou aquela árvore pouco antes da Páscoa, por volta do final de março. No caso das figueiras daquela região, os botões para a primeira safra de frutos da estação aparecem por volta de fevereiro, nos ramos que cresceram na estação anterior, ao passo que as folhas só aparecem em fins de abril ou em maio. Até a árvore estar cheia de folhas, ela já deve ter frutos maduros. Uma vez que a figueira vista por Jesus tinha folhas extraordinariamente cedo, ele podia esperar que tivesse frutos temporãos para comer. Não ter a figueira frutos indicava que não era produtiva. Sua aparência era enganosa. Podemos pensar neste episódio como uma demonstração prática da parábola da figueira estéril (Lc 13.6-9).
2. Nos escritos proféticos do Velho Testamento, a nação de Israel era muitas vezes representada simbolicamente por uma figueira. A ação de Jesus poderia ser uma simbologia de que ele veio ao mundo esperando encontrar os frutos na nação de Israel, mas encontrou uma nação hipócrita, que vivia de aparências, mas não tinha frutos verdadeiros. Israel rejeitou a Palavra de Deus e de Jesus, e por isso seu destino seria secar-se semelhantemente à figueira (e foi isto que aconteceu décadas depois).
3. Naquela ocasião os fariseus estavam procurando uma oportunidade para matar Jesus, e os discípulos provavelmente estavam com medo. Jesus demonstrou o seu poder sobre a figueira para mostrar aos discípulos que Ele tinha poder para, se quisesse, destruir os fariseus e frustrar seus planos. Mas Ele estava permitindo que tudo aquilo acontecesse para que se cumprissem as profecias, para que Ele fosse preso, condenado e morto pelas autoridades judaicas.
O autor falou uma coisa válida: se Jesus estivesse realmente com fome, ele poderia muito bem fazer a figueira frutificar milagrosamente. Se ele não fez isso, isto é uma evidência a favor de que ele estava quereno ensinar alguma coisa aos discípulos com sua atitude.

Aqui está um exemplo final. Digamos que você quer as pessoas realmente idiotas ao redor. Uma maneira de fazer isso seria contradizer a si mesmo constantemente. Portanto, encontramos Jesus dizendo isso em Lucas 14.26:

"Quem vem a mim e não odeia pai e mãe, esposa e filhos, irmãos e irmãs, sim, e até a própria vida, não pode ser meu discípulo."

OK, então se nós odiamos tudo, podemos ser discípulo de Jesus. Isso é uma grande mensagem de alguém que em outro lugar diz: "Ame o seu inimigo" e "Ame o seu próximo como você ama a si mesmo." E não se esqueça que um dos mandamentos é honrar pai e mãe. Então, o que é isso, Jesus? Se queremos ser seus discípulos, devemos amar nossos inimigos, nossos vizinhos e nossos pais, ou devemos odiá-los? Só um idiota iria criar um conjunto de exigências totalmente contraditórias como essa.

O texto de Lucas 14.26 está simplesmente traduzido inadequadamente aqui. O verbo no texto original em grego, "misein", realmente significava algo como "odiar", mas a palavra equivalente no aramaico (a língua que Jesus falava) podia significar "odiar" ou "amar menos". A palavra equivalente em hebraico é encontrada em Gênesis 29.30,31: "Jacó deitou-se também com Raquel, que era a sua preferida. (...) Quando o Senhor viu que Lia era odiada, concedeu-lhe filhos;". É óbvio que Jacó não odiava sua esposa, ele só a amava menos do que a outra. As traduções mais modernas da Bíblia utilizam o termo "amar menos" em vez de "odiar". Isto está em consonância com o ensinamento bíblico, pois o primeiro mandamento é que devemos amar a Deus acima de tudo.
Leia Lucas 10.25-28:

"Em certa ocasião, um perito na lei levantou-se para testar Jesus. 'Mestre', ele perguntou: 'o que devo fazer para herdar a vida eterna?' 
'O que está escrito na Lei?', respondeu Jesus. Ele respondeu: 'Amarás ao Senhor teu Deus com todo teu coração e com toda a tua alma e com toda sua força e com toda tua mente e Amarás o teu próximo como a ti mesmo.'
'Você respondeu corretamente', respondeu Jesus. 'Fazei isto e viverás.' "

Isso é verdade? Se você fizer isso, você terá a vida eterna? Na verdade, não. Em Lucas 18:18-22 Jesus diz:

"Um certo príncipe perguntou-lhe: 'Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?'
'Por que me chamas bom?' Jesus respondeu. 'Ninguém é bom senão Deus. Sabes os mandamentos: Não cometerás adultério, não matar, não roubar, não dar falso testemunho, honrar teu pai e tua mãe...'
'Tudo isso tenho guardado desde que eu era um menino', disse ele. Quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: 'Ainda te falta uma coisa. Venda tudo que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me.' "


As respostas em Lucas 10 e Lucas 18 são totalmente diferentes. Isto significa claramente que Jesus está inventando estas coisas conforme ele vai falando - algo que um idiota faria.
Eu não vejo diferença entre as duas falas de Jesus. Nos dois casos Jesus aconselha que os homens obedeçam aos mandamentos. Mas no segundo caso o homem foi soberbo e responde que já estava fazendo isso. Jesus conhecia o coração daquele homem e sabia que ele era um amante das riquezas, e por isso falhava em cumprir o primeiro mandamento (amar a Deus acima de tudo). Por isso Jesus mostra ao homem no que ele ainda estava errando.
Depois, em João 6.53 encontramos um requisito adicional:

Jesus disse-lhes: "Digo-vos a verdade, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei -lo no último dia."

Isso soa grotesco, não é? E isso contradiz totalmente o que Jesus disse aos dois caras em Lucas 10 e Lucas 18.
Repetição da prova #29.


E o que dizer de Mateus 18.2-3:

"Ele chamou uma criancinha, colocou-o entre eles. E [Jesus] disse: 'Eu vos digo a verdade, a menos que vocês mudem e se tornem como criancinhas, não entrareis no reino dos céus'.

Como, exatamente, é "ser como as criancinhas?" Por exemplo, as crianças pequenas freqüentemente acreditam em Papai Noel e coelhinho da Páscoa, e muitas vezes brigam ferozmente com seus irmãos. Nós, como adultos, deveríamos assumir estas qualidades? Jesus não diz especificamente, deixando esta exigência meio vaga.

Jesus não diz, mas a Bíblia responde esta pergunta. Os discípulos de Jesus estavam querendo saber qual deles era o maioral, porém Jesus os mostrou que para ser grande diante de Deus era necessário ser pequeno diante dos homens, ou seja, humildes. Jesus fez isso mostrando-lhes uma criança. Jesus utilizou uma criança justamente porque a criança apresenta características que em nós, que já não somos crianças, perdemos ao longo do tempo.
Podemos ver esta atitude quando olhamos a oração de Salomão ao assumir o trono de Israel, em 1 Rs 3.7:
“Agora, pois, ó SENHOR, meu Deus, tu fizeste reinar teu servo em lugar de Davi, meu pai; não passo de uma criança, não sei como conduzir-me.” (1 Reis 3:7).
Salomão declara sua dependência de Deus e sua humildade, e pede sabedoria para governar, de tal forma que agradou ao Senhor a postura de Salomão. Por isso Deus deu a ele sabedoria e mais, também deu riqueza, glória e um reino de paz. Salomão poderia muito bem se orgulhar por ser filho do Rei Davi e se mostrar auto-suficiente durante o seu governo, mas ele não fez isso. Ele queria acertar, e acertou.
Veja também o exemplo de Jeremias. Quando Deus o chamou para ser profeta, ele reconheceu sua inferioridade perante Ele:
“Então, lhe disse eu: Ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança.” (Jr 1.6)
Deus se agradou da atitude de Jeremias e respondeu:
“Depois, estendeu o SENHOR a mão, tocou-me na boca e o SENHOR me disse: Eis que ponho na tua boca as minhas palavras.” (Jr 1.9)
Por causa desta atitude de reverência, humildade e dependência, Jeremias acabou se tornando um dos maiores profetas da Bíblia. Existe várias outras características de criança que combinam com esta postura, por exemplo, a pureza, a necessidade de aprender sempre, etc.
Mas é verdade? Se você "se tornar como criança", você vai para o céu? Não, na verdade não. Na realidade você tem que "nascer de novo", a fim de ver o reino de Deus. Em João 3.3-8 Jesus diz:

'Eu digo a verdade, ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo.' Nicodemos então perguntou: 'Como pode um homem nascer, sendo velho? Certamente, ele não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe para nascer!' Jesus respondeu: 'Eu vos digo a verdade, ninguém pode entrar no reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. A carne dá à luz a carne, mas o Espírito dá à luz ao espírito. Tu não deves te admirar com a minha palavra , de que deves nascer de novo. O vento sopra onde ele quiser. Ouves sua voz, mas não podes dizer de onde vem ou para onde vai. Assim é com todos os nascidos do Espírito ".


Isso soa tão claro como lama, não é? Mas isso é o que Jesus diz, e isso contradiz totalmente todas as outras coisas que ele disse. Mas vamos ignorar a contradição por um momento. 


Isto já está ficando cansativo, não há nada que leve a pensar que todas essas afirmações de Jesus são contraditórias. Elas são complementares. Devemos crer em Jesus, seguir os mandamentos, devemos ser humildes como crianças e devemos ser regenerados espiritualmente para alcançar a salvação. Seguir os mandamentos inclui amar a Deus, amar a Deus acima de tudo faz você não colocar nada acima dele, nem as riquezas (como no caso do jovem rico) nem a família ou a própria vida (como na fala de Jesus em Lucas 14). Amar a Deus acima de tudo também faz com que queiramos nos relacionar com ele, e com que reconheçamos nossa pequenez diante dEle. Todas as outras estipulações de Jesus são consequências diretas da primeira. Vamos continuar para que eu possa comentar um pouco mais sobre isso:
Isso é verdade? Se nós nos tornamos como crianças pequenas ... na verdade, se regredirmos todo o caminho para lactentes pra "nascer de novo" da água e do Espírito, nós vamos para o céu? Não. Jesus está errado novamente. Porque em Mateus 5.17-20 Ele diz o seguinte:

"Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Eu vos digo a verdade, até que o céu e a terra passem, nem a menor letra, nem o menor traço de uma caneta, passará da lei até que tudo seja cumprido. Qualquer um que violar um de pelo menos um destes mandamentos e ensinar os outros a fazerem o mesmo será chamado o menor no reino dos céus, mas quem pratica e ensina esses comandos será chamado grande no reino dos céus. Pois eu vos digo que se a vossa justiça não for superior à dos fariseus e os doutores da lei, você certamente não vai entrar no reino dos céus."

Isso está ficando absurdo, não é? Fariseus e os escribas são adultos, não crianças. E se você ler a Bíblia, você sabe que os fariseus eram fanáticos hipócritas. Mas isso é o que Jesus diz. Esqueça o "nascer de novo" material e as crianças - se transforme em um fanático hipócrita. Nossa justiça, e nossa adesão às leis do Antigo Testamento, deve exceder a dos fariseus, a fim de entrar no reino dos céus. O que significa que temos de começar a matar um monte de pessoas.
Agora o autor passou dos limites. Sua interpretação aqui é absurda. Não consigo ler este parágrafo sem deixar escapar umas risadas altas, acompanhadas de um leve sentimento de pena. Não, Jesus não disse para esquecer o que ele falou antes; todas estas afirmações são complementares. Não, Jesus nunca falou em nascer de novo material; o nascer de novo é espiritual. Não, Jesus não disse que tínhamos que ser piores que os fariseus; temos que ser melhores que eles. Se eles eram fanáticos, temos que ser moderados. Se eles eram hipócritas, temos que ser irrepreensíveis. E não, não temos que guardar a Lei de Moisés nos dias de hoje. Ler outros textos da Bíblia ajuda a entender isto. Eu já tinha explicado na prova #13 que quando Jesus fala "(...) até que tudo seja cumprido (consumado)", ele estava referindo à sua morte. Algumas de suas últimas palavras antes de morrer, na cruz, foram "Está consumado!" (Jo 19.30).

E depois há o verso famoso, João 3:16:

"Porque Deus amou o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

Então, qual é? O que você tem que fazer para ter a vida eterna e ir para o céu? Há cerca de quinze outras estipulações espalhados por toda a Bíblia. Não há maneira de saber o que é certo, e todas elas se contradizem. Agora que você já olhou para todas essas coisas, uma deve ficar bem clara: Jesus não tinha absolutamente nenhuma ideia do que ele estava falando.
Este verso fecha com chave de ouro a série de estipulações de Jesus sobre a salvação. Na verdade ele é o primeiro de todos, o resto é uma simples consequência. Como Tiago diz, a fé verdadeira produz as boas obras (Tg 2.17,18). E no final, a única coisa que fica clara para mim é que o autor não tem absolutamente nenhuma ideia do que ele está falando. Assim como Nicodemos, que se confundiu com as palavras de Jesus e passou vexame em João capítulo 3, o autor deu u show de interpretações distorcidas e mal-fundamentadas. Mas isso era de se esperar. Jesus utilizava estas palavras aparentemente vagas porque não era o seu objetivo atingir a mente das pessoas, mas sim o espírito. Dentro de suas palavras há uma essência que só o espírito verdadeiramente disposto a aceitar pode captar. É isto que Paulo diz em 2 Co 2.14,15: "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido."

Prova # 40 - Entenda as motivações cristãs

Aqui está o que sabemos sobre Deus:

  • Não há nenhuma evidência científica que indica que Deus existe. (Prova # 11 )
  • Não há nenhuma evidência científica que indica que as respostas as orações Deus. (Provas  # 2 , # 41 )
  • Para situações impossíveis - como pedir a Deus para restaurar membros amputados - Deus nunca responde às orações. (Prova # 9 )
  • A Bíblia é claramente o trabalho dos homens primitivos, não de um ser onisciente sobrenatural. (Provas # 13 e # 30)
  • Etc.
Em outras palavras, Deus não existe. É óbvio. (...) o que poderia motivar os cristãos a ignorar a forte evidência de que Deus não existe? Aqui estão algumas possibilidades:

1. Os cristãos podem optar por acreditar que Deus está respondendo às suas orações, apesar da evidência de que "preces atendidas" são nada mais do que coincidências, porque eles têm medo da morte. (...) Uma vez que Jesus também promete que ele responde às orações, eles estão dispostos a transformar qualquer coincidência em uma "oração respondida" e atribuem a resposta a Jesus. (Ver Prova # 27 )

2. Os cristãos podem optar por acreditar que Deus está respondendo às suas orações, apesar da evidência de que "preces atendidas" são nada mais do que coincidências, porque é um impulso enorme para o ego. (...) é um impulso do ego enorme acreditar que o Criador Todo-poderoso do universo curado você. Isso significa que ele tem "grandes planos" para o resto de sua vida.

3. Os cristãos podem optar por acreditar que Deus está respondendo às suas orações, apesar da evidência de que "preces atendidas" são nada mais do que coincidências, porque eles têm medo de estarem sozinhos.  (...) A fim de tornar este amigo invisível [Deus] mais real, ele pode fortalecer a ilusão se acreditar que ele ouve e responde orações. (...)

4. Os cristãos podem optar por acreditar que Deus está respondendo às suas orações, apesar da evidência de que "preces atendidas" são nada mais do que coincidências, pois isso os torna o centro das atenções com seus colegas na igreja. 

Será esta uma prova direta de que Deus não existe? Não. Mas ele mostra que os cristãos têm fortes incentivos para iludir-se a acreditar. O que você pode ver é que os cristãos - especialmente os cristãos que são membros das comunidades eclesiais - têm fortes razões para inventar histórias sobre a oração e ignorar todas as evidências que "responde às orações" realmente são coincidências. Essas motivações completamente explicar o fenômeno de "preces atendidas" nas comunidades cristãs.

O autor repetiu o argumento da prova #27, utilizando uma falácia genética para inferir que a crença em Deus é falsa por causa de sua origem. Como eu disse anteriormente, esta falácia pode muito bem ser utilizada contra ele, eu poderia dizer que o ateísmo faz as pessoas se sentirem melhor por não ter que prestar contas de seus atos a ninguém ou por não precisarem ter medo do inferno, e daí concluir que o ateísmo é falso. Mas esta linha de raciocínio não é válida, e é uma desonestidade intelectual tremenda utilizar-se dela. 

Prova # 41 - Jogue uma moeda

Se você é um cristão que acredita no poder da oração, aqui é um experimento muito simples que irá mostrar-lhe algo muito interessante sobre a sua fé.

Pegue uma moeda do seu bolso. Agora reze sinceramente para Ra:

"Prezado Ra, todo-poderoso deus do sol, eu vou jogar esta moeda comum 50 vezes, e eu estou pedindo para você fazer com que dê cara todas as 50 vezes. Em nome de Rá eu oro, amém."

Agora jogue a moeda. As chances são que você não vai passar da quinta ou sexta e o resultado será coroa.

O que isso significa? A maioria das pessoas olha para esses dados e concluem que Ra é imaginário. Oramos para Ra, e Ra não fez nada. Podemos provar que Ra é imaginário por meio de análise estatística. Se jogarmos a moeda milhares de vezes, pedindo a Ra a cada vez, vamos descobrir que as terras da moeda cara ou coroa em exata correlação com as leis normais da probabilidade. Ra não tem absolutamente nenhum efeito sobre a moeda não importa o quanto oramos.

Essa prova é uma repetição do argumento da prova #2, cometendo a falácia de que pode-se usar o método científico para analisar verdades metafísicas. Existem inúmeros fatores que contribuem para a falha deste método. Primeiro, Ra não é definido com um ser todo-poderoso; Segundo, as ações de Ra, se ele existir, não são reprodutíveis tais como os fenômenos naturais, visto que Ra seria um ser consciente que possui livre-arbítrio e que pode escolher se fará a ação ou não. A natureza não pode escolher reproduzir ou não um fenômeno. O método científico parte da premissa que a natureza obrigatoriamente obedece um certo conjunto de leis naturais (aliás, esta premissa é inconsistente com o ateísmo, mas isto já é outra história).

Em sua mente, você já está chegando com mil justificativas para explicar por que Jesus não respondeu suas orações:  não é a sua vontade, Ele não tem tempo, eu não orei do jeito certo, eu não sou digno, eu não tenho fé suficiente, eu não posso testar o Senhor, não faz parte do plano de Jesus para mim, etc. (...)
Depois disso o autor começa uma repetição da prova #1. Mas é interessante, porque aqui mesmo ele mostrou onde o seu raciocínio está errado. Vamos ler Mt 4.5-7:
'Então o diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: "Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra’".
Jesus lhe respondeu: "Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’". '
Jesus aqui dá uma lição muito importante. Não devemos nunca usar a oração ficar testando a Deus, mesmo se a oração estiver de acordo com os outros requisitos listados na Bíblia. Isto nos mostra que a intenção da nossa oração é de certa forma importante e levada em consideração. Isto não é nenhuma desculpa, pois veio diretamente do texto bíblico. É por isto que orações deste tipo não funcionam, e por isso que não se pode dizer nada a respeito da não-existência de Deus baseado neste tópico.
Prova # 42 - Ouça "quando Deus fala"

Se você conhece um grupo de cristãos devotos, você freqüentemente ouve-os dizer uns aos outros (e até mesmo para pessoas fora do grupo) coisas como esta:

Meu marido e eu não temos certeza do que fazer nesta situação. Vamos orar a Deus e ver o que ele nos diz para fazer.

De acordo com tele-evangelistas e pastores, Deus também fala com freqüência com eles também. Em outras palavras, os cristãos acreditam que Deus transmite as mensagens divinas aos seus seguidores, em resposta à oração. Cristãos realmente acreditam que o Deus onipotente, onisciente criador do universo é falar com eles pessoalmente e guia suas decisões.

Agora pense sobre isso. Vamos dizer que o todo-poderoso, criador onisciente do universo transmite mensagens pessoais para os cristãos. Você não esperaria que as pessoas que recebem essas mensagens nos vencesse em qualquer questão intelectual? Você não esperaria que alguém que é dirigido por Deus fosse um gênio? Não aconteceria que todo estudante cristão obteria uma pontuação perfeita em todos os testes simplesmente orando a Deus para as respostas?
Tudo bem, eu confesso que estes insights do autor são bem criativos... mas também são engraçados. Temos que ver o que a Bíblia nos mostra para poder responder uma questão deste tipo. 
Vemos que a Bíblia é um livro de conteúdo quase que exclusivamente relacionado a questões espirituais. A Bíblia fala pouco, especificamente sobre questões humanas. Existem apenas alguns princípios revelados em como devemos tratar uns aos outros, e estes princípios servem de base para estabelecer valores éticos, políticos, etc. Mas não são os valores em si. Da mesma forma, Deus ordena que o homem seja o senhor da criação, em Gn 1.26, que domine sobre o planeta e que use a natureza ao seu favor. Mas Ele não diz ao homem como fazer isso. Deus nos deu os princípios básicos e a nossa inteligência para descobrir o resto. Nos parece que Deus está interessado em guiar o homem em relação às questões espirituais, e que Ele prefere não interferir nas questões humanas, porque deu liberdade ao homem para decidir sobre estas coisas.
Isto não quer dizer que Deus não possa oferecer ajuda e orientação em algumas coisas simples, por exemplo, sobre como agir em uma situação difícil. A orientação que Deus dará é baseada no fato de que a pessoa é humilde a ponto de reconhecer que depende de Deus para que sua vida esteja da melhor forma possível (como vimos na prova #39), e daí Deus revela o que fazer para que a pessoa aprenda o máximo possível no contexto espiritual da situação e para que o Seu nome seja glorificado o máximo possível, para que assim a pessoa seja o máximo possível feliz com a situação. Perceba que Deus sempre está no centro da situação. Deus de forma alguma guia as ações das pessoas para que elas próprias levem o máximo de vantagem no final das contas. Deus está interessado em guiar as ações das pessoas para que elas aprendam lições espirituais com as situações. Já que a vida na Terra é apenas uma pequena parcela da nossa existência, e somente o nosso espírito sobrevive para a outra vida, isto faz muito mais sentido do que Deus querer apenas dar vantagens materiais para as pessoas.

Imagine, por exemplo, que um cristão está tendo problemas para decidir a cor do sofá que ele vai comprar. Então, ele pede a Deus orientação. Você não esperaria que o Todo-poderoso Criador Onisciente do universo respondesse de uma forma que nos impressionasse grandemente? Por exemplo, se o cristão dissesse: "Sabe, eu orei a Deus para me ajudar a decidir qual cor de sofá comprar, e logo depois ouvi a voz de Deus na minha cabeça! E ele começou a me contar como construir um reator de fusão nuclear que vai resolver completamente os problemas energéticos do mundo! É algum tipo de Tokamak bombeado a laser ou coisa assim. Eu não tinha nenhuma ideia do que ele estava falando, mas eu era um vaso para o Seu Espírito, e eu transcrevi as mensagens e diagramas que Deus enviou para o meu cérebro nestes 14 notebooks. Você pode ver que agora temos detalhes completos de construção para um reator de fusão perfeito, livre de poluição e de baixo custo - Louvado seja o Senhor! "

Eu quis explicar antes o conceito para que você pudesse ler o exemplo que o autor deu e risse junto comigo. Agora você consegue ver como este exemplo é completamente ridículo? Na verdade, se isto acontecesse, eu duvidaria seriamente que foi real, pois uma fala assim de Deus contradiz seriamente toda a mensagem da Bíblia, de que Ele está mais preocupado com o espiritual!

Prova # 43 - Perceba que um "Deus escondido" é impossível

Aqui está uma linha de raciocínio que os cristãos usam freqüentemente para tentar racionalizar a completa falta de evidências da existência de Deus. No livro "The Case for Faith", o autor Lee Strobel entrevista o Ph.D. Peter Kreeft. O Dr. Kreeft diz o seguinte:

"A Escritura descreve Deus como um Deus escondido. Você tem que fazer o esforço de fé para encontrá-lo. Existem pistas que você pode seguir. E se isso não fosse assim, se havia algo mais ou menos do que pistas, é difícil para mim para entender como poderíamos realmente ser livres para fazer uma escolha sobre ele."

Pistas? Escondido? De acordo com a Bíblia, Deus se encarnou. Ele criou todo um corpo humano chamado Jesus. Isso não é uma "pista" - é uma prova enorme e óbvia. É muito difícil "esconder" um ser humano que está andando por aí fazendo milagres em cada esquina. Então você coleta as histórias dos milagres e as  publica em um livro. Onde está o esconderijo nisto?

Há exemplos de Deus aparecendo em toda a Bíblia. Veja por exemplo a separação do Mar Vermelho em Ex 14; a existência do arco-íris como prova que Deus existe, em Gn 9.12-13; a transfiguração de Jesus em Mt 17; a aparição de Deus no batismo de Jesus, em Mt 3; Os anjos aparecendo aos pastores em Lc 2; A aparição pessoal de Jesus a Paulo em 1 Co 15.6. (...)
Não há nenhum problema em conciliar estas aparições de Deus com os pressupostos do autor. O arco-íris não é uma prova: hoje em dia, ele seria o que o autor chama de "pistas", porque não dá pra concluir diretamente que é uma obra de Deus. As aparições pessoais registradas na Bíblia sempre eram para pessoas que já acreditavam em Deus antes, portanto já tinham feito uma escolha. Logo, isto não prejudicou os seus livres-arbítrios.
Devo dizer que a explicação do ponto de vista do autor cristão aqui dada é muito limitada. Há mais coisas a serem ditas. Veja por exemplo o artigo "Por que Deus permanece oculto?".

Prova # 44 - Pense em uma dona de casa cristã

Tome um momento para pensar sobre um cristão típico e suas "orações respondidas." Por exemplo, há uma dona de casa cristã em Pasadena, e que acredita firmemente que Deus respondeu sua oração nesta manhã para remover a mancha de mostarda de sua blusa favorita. Ela orou a Deus para ajudar a remover a mancha, e depois que ela lavou a mancha tinha desaparecido. Louvado seja Jesus!

(...) Isto faz você se perguntar: Se Deus tem o tempo e a vontade para responder a essas orações triviais, manipulando as moléculas de mostarda em resposta a oração de uma dona de casa, então por que Deus está ignorando os grandes e importantes orações? Por exemplo, por que ele não está respondendo as orações dos milhares de milhões de pessoas neste planeta que vivem na pobreza, completamente miseráveis? É quando você pensa sobre esta simples pergunta que você percebe como Deus é imaginário e como cristãos podem ser totalmente delirantes e egocêntricos.

Uma pergunta óbvia que qualquer pessoa racional faria é esta: Se um deus todo-poderoso responde a oração da dona de casa, por que ela precisa lavar a camisa? Por que não pendurar as camisas manchadas e amarrotadas no armário e orar a Deus para limpar e passar lá? Um Deus todo-poderoso poderia facilmente remover a mancha, mesmo estando a camisa no armário.

A segunda pergunta óbvia é esta: Se Deus remove a mancha, então por que a dona de casa não reza para a pobreza desaparecer também? (...) Resposta: porque Deus não existe.



Uma mancha simples em uma roupa não precisa de um milagre para ser removida. De fato, basta lavar para sair. Não faz sentido pedir para Deus para Ele fazer algo o qual Ele nos deu recursos para fazermos nós mesmos. Eu penso que tal caso pode ser uma ingenuidade da dona de casa. Não faz sentido tanto orar e lavar a camisa quanto orar e não lavar a camisa. Basta simplesmente lavar a camisa!
A dona de casa pode orar também pela pobreza no mundo, assim como por muitas outras coisas mais importantes e altruístas. Mas isto não quer dizer que Deus vai atender magicamente à oração só porque nós pedimos. Isto já foi amplamente discutido nas outras provas. Deus tem um propósito em tudo que está fazendo, inclusive se as doenças e a pobreza ainda existem no mundo, em parte é porque Deus assim permite (e em parte Deus nos dá os meios para resolver isso, mas nós ficamos esperando por uma solução mágica, igual ao caso da mancha de mostarda). E, pensando por um lado, temos a certeza de que Deus vai eliminar a pobreza e as doenças, pois Ele já prometeu isto na Bíblia. Ele vai fazer isto no tempo certo. Daí não há muito o que dizer mais, apenas aguardar.

Prova # 45 - Considere a Arca de Noé

Você já tomou o tempo para ler a Bíblia a história do dilúvio de Noé? E você já ponderou sobre o que esta história na Bíblia realmente significa? Embora existam muitas pessoas que consideram a Bíblia e, portanto, a história de Noé, como verdades literais, as pessoas mais educadas e inteligentes compreendem que a história do dilúvio de Noé é um mito. Elas entendem que o Monte Everest nunca foi coberto por água,  entendem que a arca não conseguia comportar as milhões de espécies que são agora encontrados na Terra, e entendem que não há provas de DNA que mostrem que todos os animais da terra vieram de casais reprodutores individuais apenas um poucos milhares de anos atrás.

Como eu já comentei na prova #6, é provável que o dilúvio tenha sido local, e não global. A frase "cobriu todos os montes da Terra" pode ser entendida do ponto de vista do autor, que só conhecia a região do Oriente Médio. Isto elimina ao mesmo tempo o problema do Monte Everest, da fauna e do DNA.

Mas há uma parte da história da Arca de Noé que merece um reconhecimento especial. Ela mostra-nos algo sobre Deus que é bastante preocupante para qualquer pessoa inteligente: Deus insensivelmente matou milhões de seres humanos e bilhões de animais no dilúvio.

Como sabemos que isto foi sem sentido? Porque "Deus" deveria ser "onisciente" e "todo-poderoso." Se Deus existe, Deus sabe o que estava por vir quando ele criou Adão e Eva. Portanto, Deus sabia que ele estaria assassinando milhões de pessoas.

Esta constatação leva a uma pergunta óbvia: Por que Deus não simplesmente acelerou a chegada de Jesus a fim de evitar a atrocidade que foi o dilúvio? Ou por que Deus não programou Adão e Eva quando ele os criou para contornar completamente a necessidade de tal atrocidade horrenda?

Esta pergunta é muito difícil de ser respondida, e de fato não existe uma resposta oficial. Os cristãos consideram que, partindo do ponto de que Deus é onisciente e todo-poderoso, Ele teve motivos racionais suficientes para realizar tal ato. E o fato de não sermos perfeitos e possuirmos uma capacidade intelectual infinitamente menor que a de Deus não nos coloca numa posição muito adequada para julgar as motivações dos atos de Deus. Por isso os cristãos se atém à humildade de não saber a resposta e à confiança no amor e no cuidado de Deus. 

(...) A ideia de que os cristãos aceitariam um assassino em massa como seu objeto de adoração nos mostra algo sobre os cristãos, não é? Pense nisso - por (supostamente) ter assassinado quase todos os humanos do planeta, o Deus cristão é muito mais hediondo do que Hitler. Nenhum ser "amoroso" e  "perfeito" pode ser ao mesmo tempo um assassino em massa de escala global. No entanto, os cristãos  o adoram voluntariamente. Por quê?

Existe uma distinção moral infinitamente diferente entre o fato de um homem matar um homem e Deus matar um homem. Para saber disso temos que pensar primeiro: Por que matar é errado? Matar é errado porque nenhum ser humano tem direitos sobre a vida de outro. Todos têm o direito de viver, direito esse que foi dado por Deus. Todos nós recebemos a nossa vida física de graça, sem nada a pagar por isso. Em segundo lugar, quando matamos alguém, privamos a vítima de desfrutar de um futuro. Nós não conhecemos o futuro, e não sabemos se aquela pessoa não morresse, quais oportunidades boas ela teria no futuro. Em terceiro lugar, as pessoas geralmente matam por motivos egoístas: inveja, brigas, ódio, ou às vezes até mesmo por prazer! Agora pense sobre Deus. Deus criou a vida humana, portanto Ele é o único que tem direitos [autorais] sobre Ela. Pra Deus não serve o primeiro motivo. Deus conhece o futuro, portanto Ele sabe quando é o instante perfeito para que a pessoa morra, considerando todos os fatores possíveis (não que todo mundo vá ficar feliz com a morte da pessoa, mas o sofrimento causado aos familiares muitas vezes é uma forma de ensinar uma lição espiritual). Pra Deus também não serve o segundo motivo. Deus é definido como sendo infinitamente justo, portanto se Ele mata alguém, ou permite que alguém morra, concluimos que este ato é justo, e não pode ser motivado pelos sentimentos corruptos que os humanos têm, pois Deus não pode ter estes sentimentos (pois senão não seria Deus - isto não é uma limitação ao poder dEle, já que se Deus tivesse estes sentimentos Ele seria imperfeito. Um ser perfeito não possui sentimentos corruptos). Então, nenhuma das restrições ao ato de matar se aplica para Deus. Logo, para Deus, matar não é errado.
E de fato, todas as mortes que já aconteceram na história passaram pela permissão. Algumas foram pelos motivos suficientes dEle, outras para permitir que um humano exerça seu livre-arbítrio matando uma pessoa (embora isso possa causar tristeza). No caso do dilúvio, aquelas pessoas estavam totalmente corrompidas, e na visão perfeita de Deus Ele sabia que aquilo não teria um futuro promissor. E com certeza Ele já sabia que isto aconteceria antes de criar os seres humanos, mas por alguma razão (que não conhecemos, só poderíamos especular) permitiu que ocorresse. Não podemos chegar à conclusão de que Deus é um tirano cruel, porque nossa mente possui limitações de escopo para julgar os atos de Deus.

(...) E o dilúvio de Noé não é o único lugar onde Deus mostra essas tendências terríveis de matar irracionalmente. (...) Por que Deus faria isso? Por que você quer alguma coisa com esse ser, assassino horrível? O que podemos dizer sobre pessoas que querem acreditar em tal ser? Por que qualquer ser humano normal, inteligente e ético adoraria um "deus" hediondo, demente e desprezível como este?

É impossível para um ser "perfeito" e "amoroso" ser também hediondo, demente e desprezível. Como uma pessoa inteligente, você deve ser capaz de ver isso. Esta impossibilidade nos diz que Deus não existe.


É verdade que também existem outros textos que são difíceis para a nossa mente humana conciliar com o infinito amor de Deus. Há um artigo em que detalho o caso da matança dos cananitas, um dos casos mais discutidos do tipo na Bíblia. Leia o artigo Genocídios e atrocidades na Bíblia?

Prova # 46 - Reflita sobre a Aposta de Pascal

Você vai ouvir freqüentemente os crentes fazerem a seguinte racionalização:

"Suponha que você está certo. Suponha que não há Deus. Então, quando eu morrer como um crente, eu não perdi nada. Acabei de morrer, como um homem que dedicou sua vida ao amor e à moral. Mas se você, como um não-crente, está errado e eu estou certo, você tem que passar uma eternidade no inferno. Veja, eu não tenho nada a perder, mas você tem tudo a perder."

Este argumento é mais conhecido como A Aposta de Pascal .

O problema com esta linha de raciocínio é que existem milhares de deuses que os seres humanos adoraram ou adoram. Uma pessoa que acredita em Deus pode fazer esta afirmação, assim como uma pessoa que acredita em Vishnu também pode. Esta multidão de seres fictícios mostra a tolice do argumento. Não há maneira de saber qual deus para escolher, porque não há nenhuma evidência alguma indicando que nenhum deles existe.

O fato é que a religião é ilusão. Todos os deuses humanos são imaginários. Por acreditar em um deus imaginário, um crente se compromete a uma vida de ilusão, em vez de basear as suas vidas na realidade.

Os não-crentes, ao contrário, podem viver vidas morais e amorosas sem ter que recorrer à ilusão. Os não-crentes são seres humanos normais que abraçam a realidade ao invés de ilusão. Como resultado, eles vivem  vidas muito saudáveis.

Deve-se levar em consideração que há todo um trabalho independente da religião em argumentar a existência de Deus, através da filosofia. A argumentação da Aposta de Pascal depende diretamente destes argumentos. Se o autor objeta com o problema dos muitos deuses, ele deve demonstrar que existem argumentos filosóficos igualmente contundentes para defender a existência deste outro deus qualquer, tanto quanto existem argumentos para o Deus cristão. [Para ver uma lista resumida dos argumentos para a existência de Deus, veja o artigo Afinal, existem evidências para a existência de Deus?]
Para uma explanação muito mais profunda sobre o assunto, veja o artigo "Sobre Apostas de Pascal".

Prova # 47 - Contemplar a criação

Muitos cristãos olham para o nosso universo, e especialmente a vida no planeta Terra, e chegou à conclusão de que o que vemos é "complexidade irredutível". Na visão cristã, a complexidade de nosso universo e da vida na Terra requer um criador inteligente de trazer tudo à existência. Um cristão pode dizer:

"Olha como a vida é incrível e complexa. Olhe quão complexo é o olho humano, e o cérebro humano. Não há nenhuma maneira que o olho humano ou o cérebro humano terem surgido de forma espontânea a partir da lama. Da mesma forma que um relógio não pode aparecem sem um relojoeiro, não há nenhuma maneira de toda essa complexidade ter surgido sem um criador inteligente ".

Então, nós temos uma pergunta que exige uma resposta: Será que a complexidade da vida surge espontaneamente, ou ela requer um criador?

Os cristãos acreditam que um criador é essencial. Os cientistas acreditam que a idéia de um "criador" é mitologia pura, e que a complexidade surgiu através de processos naturais, como evolução. Quem está certo?

O autor foi notadamente desonesto no último parágrafo. Primeiro usou uma falsa dicotomia entre o cristianismo e a ciência. Existem cientistas cristãos, e existem pessoas que não são nem cientistas nem cristãos. Segundo, utilizou uma falsa dicotomia entre criação e evolução. Um não exclui o outro. A verdadeira dicotomia está entre a criação e o naturalismo, e apenas nisto. 

Você pode realmente responder a essa pergunta a si mesmo com um pouco de lógica. Aqui estão as duas opções:

1. A complexidade da vida e do universo surgiu de forma espontânea e completamente sem qualquer inteligência. A natureza criou toda a complexidade que vemos hoje.

2. Um criador inteligente criou toda a complexidade que vemos hoje, porque complexidade exige inteligência para criá-lo.

A vantagem da primeira opção é que ela é auto-suficiente. A complexidade surgiu espontaneamente. Nenhuma outra explicação é necessária. O problema com a segunda opção é que ela cria imediatamente uma impossibilidade. Se a complexidade não pode surgir sem inteligência, então surge imediatamente a pergunta: "Quem criou o criador inteligente?" O criador não poderia vir à existência se complexidade requer inteligência. Portanto, Deus é impossível.

Em outras palavras, aplicando a lógica, podemos provar que Deus não existe.


O autor aparece aqui com a velha técnica do "quem criou o criador". Esta objeção é ridícula, e já foi refutada desde o século XVII. Recentemente Richard Dawkins ignorou este fato e publicou esta objeção em seu livro "Deus, um delírio". Esta objeção se resolve com a distinção dos conceitos filosóficos de existência contingente e existência necessária. Objetos contingentes precisam de uma causa para existir. Nesta categoria estão incluídos o universo e todo o seu conteúdo físico. Mas se o Universo é contingente, então o Universo precisa de uma causa. E esta causa não pode ser outro objeto contingente, pois isso levaria a uma série infinita de causas. A causa do Universo deve ser um ser necessário, e também atemporal. As únicas coisas que se encaixam nesta restrição são objetos abstratos, como números, ou a mente. Como números não podem ser a causa de nada em si, uma mente transcendental é a causa do Universo. (Este é um resumo do argumento cosmológico da contingência. Aparentemente o autor do site não estava ciente do formalismo deste argumento ao formular a prova #47).
Além disso, é um fato reconhecido na filosofia da ciência que, para reconhecer uma explicação como a melhor para um fato, não é necessário ter a "explicação da explicação". Exemplo: arqueólogos encontram restos de artefatos como pontas de lança e fragmentos de cerâmica. É totalmente justificável atribuir estes artefatos a alguma tribo ou civilização humana que esteve ali em algum lugar do passado, mesmo que estes arqueólogos não tenham nenhuma ideia de qual era aquela tribo, ou como eles chegaram ali. Logo, é racionalmente aceitável propor Deus como a melhor explicação para a origem do Universo, mesmo que não tenhamos explicação para como Ele surgiu. Se você pensar mais sobre esta objeção, perceberá que se fosse necessário a explicação da explicação para justificar uma hipótese, logo você precisaria da explicação da explicação da explicação, e assim sucessivamente, até o infinito! Em, outras palavras, nada teria uma explicação real e a ciência não poderia existir. Portanto o argumento do autor é totalmente anti-científico.


Prova # 48 - Compare a oração a uma ferradura da sorte

O dicionário define a palavra "superstição" desta forma: "Uma crença irracional de que não é um objeto, ação, circunstância ou logicamente relacionado a um curso dos acontecimentos influencia o seu resultado."

Todos nós já vimos muitas superstições. Existem as superstições que um pé de coelho ou um trevo de quatro folhas trazem boa sorte. Existem as superstições que quebrar um espelho ou ver um gato preto traz má sorte. E todos nós sabemos que essas superstições são tolas. Um pé de coelho ou um espelho quebrado não tem boa ou má influência sobre o curso dos acontecimentos. Isso é óbvio para qualquer pessoa inteligente. Então, vamos imaginar a seguinte situação. Digamos que você tem câncer. Você está deitado no hospital depois de uma rodada de quimioterapia e você se sente terrível. Uma pessoa aparece em sua sala com um sorriso brilhante no rosto e uma ferradura na mão. Ele lhe diz: "Esta é uma incrível e ferradura da sorte. Se você tocar essa ferradura, vai curar o câncer. Mas eu preciso cobrar R$ 100 a tocá-lo."

Você pagaria o homem $ 100? Claro que não. Nós todos sabemos que tocar a ferradura terá efeito zero sobre o câncer. A crença na ferradura da sorte é pura superstição. (...)

Agora vamos imaginar outra situação. Você tem câncer, você acaba de terminar uma rodada de quimioterapia e você se sente terrível. Desta vez, uma pessoa aparece em sua sala com um sorriso brilhante no rosto e uma bíblia na mão. Ele diz a você: "Não há um ser chamado Deus, que é o todo-poderoso, onisciente, criador todo-amoroso do universo. Eu sou o seu representante na terra. Se me permitem a orar a Deus em seu nome , Deus vai curar seu câncer ". (...)

A pergunta é: Existe alguma diferença entre os dois homens? Será que a oração tem qualquer efeito maior do que a ferradura?

(...) Podemos provar [através de experimentos científicos] que a crença na oração é pura superstição. A crença no poder da oração não é diferente da crença no poder de ferraduras da sorte. Estes experimentos foram realizados muitas vezes, e eles sempre retornam os mesmos resultados. (...)

Está é apenas uma repetição (de novo!) da prova #2, mas uma vez assumindo que efeitos da oração podem ser medidos por experimentos científicos. Não, não podem. Próxima prova, por favor...

Prova # 49 - Olha quem fala por Deus

Na mitologia cristã, Deus seria o Criador do Universo, todo-poderoso e onisciente. Deus supostamente se encarnou como Jesus e escreveu a Bíblia . E ainda hoje Deus é completa e absolutamente silencioso. Portanto, a única coisa que ouvimos de Deus vem de pessoas que falam em seu nome.

Se você gostaria de entender como Deus é imaginário, tudo o que você tem a fazer é ouvir porta-vozes de Deus, porque em muitos casos, essas pessoas são lunáticas. Se houvesse realmente um Deus, e se ele realmente não tivesse nada a ver com amor, ele silenciaria essas pessoas, porque elas são uma vergonha absoluta. (...) Se Deus fosse real, ele iria falar por si. O fato de que Deus não fala, e que ele permite que qualquer lunático que vem para falar "em seu nome," mostra-nos que Deus é completamente imaginário.


Este argumento é muito fraco. Para que ele fizesse o mínimo de sentido, absolutamente TODAS as pessoas que falam em nome de Deus deveriam ser lunáticas. Mas o autor provavelmente não testou todas as pessoas. Se houver pelo menos uma pessoa no mundo que fala coerentemente sobre Deus, o argumento é destruído. O fato de a maioria dos alunos de uma turma errarem uma questão de matemática não significa que a matemática está errada. De fato, a matemática continua correta se todos errarem. Assim sendo, se algumas pessoas usam o nome de Deus para falar besteiras, isto não quer dizer que Deus não existe. E mesmo se todas as pessoas do mundo falassem besteiras em nome de Deus, isto não quer dizer que Deus não existe, mas sim que se Ele existe, nenhuma pessoa fala por Ele. Existem outros meios de verificar paralelamente a existência de Deus.

Prova # 50 - Peça a Jesus para aparecer

Quase todo mundo conhece a história da morte e ressurreição de Jesus. A história é resumida no Credo dos Apóstolos. Jesus foi crucificado, morreu e foi sepultado. Ele desceu ao inferno. No terceiro dia ele ressuscitou dentre os mortos. Há apenas um de Jesus provar que ele ressuscitou dos mortos. Ele tinha que aparecer para as pessoas. Portanto, vários lugares diferentes da Bíblia descrevem aparições de Jesus após sua morte. (...)


Eu cortei o resto do texto porque trata-se apenas de uma repetição da prova #15. Releia a refutação. Depois começava a ficar chato porque o autor mistura os conteúdos de várias provas, e eu não aguentei ver tanta falácia junta.


Bem, com isso, terminamos as respostas às 50 "provas" de que Deus é imaginário. Mas ainda há 3 provas-bônus, que eu vou comentar na próxima parte do artigo, e também vou dar uma breve conclusão sobre todos os argumentos aqui postados.


Abraços, Paz de Cristo.


[Ler a Parte 6]

2 comentários :

  1. DAR COMIDA AOS CACHORRINHOS....

    ERA DITO POPULAR...TODO AQUELE QUE NAO ERA JUDEU ERA CHAMADO GENTIL OU CACHORRINHOS...A BENÇÃO DE DEUS ERA PARA OS JUDEUS, MAS OS GENTILS TAMBEM QUERIAM AS MIGALHINHAS DOS JUDEUS, DA BENÇÃO DE DEUS...
    ELA SE HUMILHOU!!
    E DEUS A ENGRANDECEU
    http://verdadereoculta.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. No caso do dilúvio, aquelas pessoas estavam totalmente corrompidas, e na visão perfeita de Deus Ele sabia que aquilo não teria um futuro promissor. E com certeza Ele já sabia que isto aconteceria antes de criar os seres humanos, mas por alguma razão (que não conhecemos, só poderíamos especular) permitiu que ocorresse. Não podemos chegar à conclusão de que Deus é um tirano cruel, porque nossa mente possui limitações de escopo para julgar os atos de Deus.

    EXISTE UMA RAZÃO... HEBREUS E PEDRO DIZEM QUE FOI POSTA COMO EXEMPLO PARA AS NAÇÕES SABEREM A CONSEQUENCIA DO PECADO....

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