quarta-feira, 4 de julho de 2012

Genocídios e Atrocidades na Bíblia? [Parte 2]




Capítulo 4. Deus não matou, ordenou pessoas matarem

Um fator dificultante para a questão moral envolvida é o fato de que Deus não matou, mas ordenou que pessoas matassem. No item anterior, foi discutido sobre a questão moral envolvida num ato de Deus. Quand Deus pede para que pessoas matem, a questão é um pouco mais complexa. A princípio é difícil conciliar um mandamento aparentemente absoluto como“Não matarás” com o que Deus diz a Josué: “Entre, extermine e não deixe nada respirando! Não deixe um animal, criança, mulher, idoso ou idosa respirando. Limpe Jericó!”. Já foi argumentado brevemente no item anterior que como Deus tem direitos sobre a vida e sabe qual a hora certa da morte de todas as pessoas, uma pessoa matar através de uma ordem direta de Deus pode não ser errado. Falaremos mais adiante nisso. 

Um outro ponto de vista pode ser desenvolvido ao notarmos que naquela época da história,  Deus era o rei imediato de Israel, de uma maneira diferente a qualquer outro episódio na história, o governo e Deus tinha dimensões políticas e étnicas, além de espirituais. Deus naquela ocasião tinha direitos de utilizar Seu povo diretamente como um instrumento da Sua vontade. Obviamente isto não se aplica aos dias de hoje, pois Deus não está governando teocraticamente nenhuma nação no momento, do jeito como era na Bíblia. Por isso, nada de sair por aí matando pessoas.

Voltando ao ponto da moralidade ordenada, é preciso notar que o ato só se tornaria morlmente obrigatório caso Deus ordenasse tal ato. Se os israelitas matassem os amorreus sem que Deus tivesse os ordenado, seria errado, afinal eles estariam cometendo assassinato e desobedecendo diretamente a Êx 20.13. O ato da ordem divina, naquele contexto político, significava que Deus já intencionava julgar aqueles homens através da morte e daí utilizou comandados para executar este ato.

Aqui pode começar a surgir uma confusão de conceitos, entre moralidade ordenada por Deus e a corrente teológica conhecida como voluntarismo. Sobre o que falamos até agora, a moralidade ordenada significa que os valores morais são determinados pelos comandos de Deus; uma vez que Deus não dá ordens sobre si mesmo, Ele não possui obrigações morais, Ele simplesmente age de acordo com Sua natureza, de bondade, justiça, amor, etc. Entretanto, isto parece deixar a moralidade à mercê de decisões arbitrárias de Deus, como se Ele fosse um "relativista moral". Matar seria errado algumas vezes e certo outras vezes, dependendo apenas de que Deus tenha vontade de 'dizer o contrário'. Esta visão da moralidade é conhecida como voluntarismo, e certamente ela coloca a moralidade divina numa posição subjetiva.

O voluntarismo já foi defendido por alguna teólogos cristãos, mas é uma visão minoritária. O voluntarismo tem muito mais a ver com a concepção islâmica de Deus do que  no crisrianismo. Segundo o Islã, o poder de Deus é algo mais fundamental que o Seu caráter. Allah é um ser incognoscível, Sua vontade determina tudo que é moral de uma forma que não podemos explicar o porquê de suas escolhas, nos parecendo assim serem arbitrárias. Em contraste, no Cristianismo, vemos Deus como tendo algumas virtudes fundamentais que são necessárias ao Seu ser (santidade, amor, imparcialidade, compaixão, justiça, etc.), tão necessárias quanto são três lados a um triângulo.

O ponto em que o voluntarismo e a moralidade ordenada se tocam é  que os valores morais advém de comandos imperativos. Existe uma distinção entre 'bem e mal' e 'certo e errado'. O bem e o mal sozinhos não são suficientes em produzir o certo e o errado. Afinal, só porque uma coisa é boa em si não significa que su obrigado a fazê-la. Logo, para criar o conceito de certo e errado, ou obrigação moral, é necessária uma palavra de ordem, um mandamento, vindo de uma fonte de autoridade legítima.

O ponto em que o voluntarismo e a moralidade ordenada divergem é em relação a essência ou a origem destes mandamentos. Eles não são totalmente arbitrários, mas sim são resultados da natureza divina. Daí, a única dificuldade desta teoria é explicar ats de Deus que aparentemente contradizem a Sua natureza, e a matança dos cananitas é um destes casos. Mas até aqui temos dado explicações possíveis para muitos aspectos deste episódio.


Capítulo 5. O Contexto Social Hebreu

Quando Deus escolheu Abraão, Sua intenção era a de criar um povo que fosse totalmente separado ('santo') da corrupção presente no mundo, para que através deste povo Jesus viesse a nascer na época adequada. Deus foi muito rígido ao ensinar o conceito de santidade e separação para este povo porque Ele queria que isto ficasse bem claro na mente e na cultura deles. Deus foi totalmente enfáticvo com respeito à proibição da assimilação de nações pagãs. Quando Ele ordenou a destruição dos cananitas, o Senhor falou: 

“Nem te aparentarás com elas; não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria.” (Dt 7:3-4). 

Para que não vos ensinem a fazer conforme a todas as suas abominações, que fizeram a seus deuses, e pequeis contra o SENHOR vosso Deus. (Dt 20.18)

Este  mandamento é uma parte de toda a estrutura da complexa e característica lei judia de práticas 'puras' e 'impuras'. Para a nossa mente ocidental muitas das Leis destinadas aos hebreus nos parecem completamente absurdas: não misturar linho com lã, não usar os mesmos recipientes para carnes e laticínios, etc. Estes tipos de regras serviam para deixar algo implícito na metalidade israelita: a proibição de vários tipos de mistura. Isto serviu como um tangível e diário lembrete que Israel era um conjunto especial de pessoas separado para Deus.

O Dr. William Craig conta sobre uma vez que conversou com um missionário indiano. Aquele homem  lhe disse que a mente oriental tem uma tendência inveterada com respeito à amalgamação, à mistura de conceitos, às vezes até contraditórios. Ele falou que os Hindus ouvem o evangelho sorrindo e dizem “Sub ehki eh, sahib, sub ehki eh!” (Tudo é Um, sahib, Tudo é Um!). O missionário faz quase o impossível para alcançá-los por causa até mesmo das contradições lógicas incluídas no todo. 

A severa dicotomia que Deus aplicou a Israel ensinou para eles que qualquer assimilação com a idolatria pagã era intolerável. Era Sua forma de preservar a saúde e posteridade espiritual de Israel. A matança das crianças cananitas não apenas serviu para prevenir uma assimilação da identidade cananita, mas também serviu como uma ilustração tangível e detalhada da separação de Israel como um povo exclusivo de Deus.

Uma questão que ainda poderia permanecer é o efeito psicológico que a matança gerou aos soldados. Certamente deve ter sido algo perturbador. Não seria errado Deus submeter seus filhos a tal atrocidade? Soldados tendo que invadir casas, matando mulheres e crianças sem nenhuma piedade. É horrível só de imaginar.

O problema neste questionamento é que novamente estamos olhando com os nossos olhos ocidentais pós-modernos. Para as pessoas do mundo antigo, a vida já era naturalmente brutal. A expectativa de vida e as taxas de mortalidade eram muito pioresque hoje em dia. Violência e guerra eram fatos comuns na vivência de cada povo. Pode-se notar isto até mesmo pelo modo como os autores dos livros bíblicos escrevem estes livros. Não há nenhuma nota sobre algum peso na consciência sobre as matanças. Pelo contrário, aqueles soldados se tornaram heróis nacionais. E isto reflete também a seriedade da chamada dos israelitas como povo escolhido de Deus. Javé não estava brincando com eles; na verdade, se Israel vacilasse, o próprio Deus alertou que o mesmo aconteceria com eles. Como C. S. Lewis disse uma vez, “Aslan não é um leão manso”.


Capítulo 6. Outras questões

Uma questão que é frequentemente colocada a respeito da matança dos cananitas é a morte das crianças. Se Deus mandou extermninar o povo por causa de seu pecado, por que matar crianças inocentes? Uma das razões já foi dita: Deus queria ensinar o conceito de separação aos isarelitas, Ele não queria que o Seu povo criasse nenhum tipo de relação com aqueles povos. Se Deus não tivesse ordenado o extermínio daqueles povos, muitas daquelas crianças seriam mortas pelo seu próprio povo como sacrifício a Moloque, e as que sobrevivessem cresceriam e se tornariam tão corruptas quanto seus pais. Ao matar as crianças, Deus livrava pelo menos aqueles inocentes de se corromperem como seus pais fizeram. E se pensarmos do ponto de vista espiritual se aquelas crianças eram realmente inocentes, elas alcançaram a salvação ao morrerem, e receberam a incomparável alegria do paraíso. Pensando assim a questão das crianças parece ser muito facilmente resolvida.

A moralidade ordenada é válida para os dias de hoje? Isto é, se Deus mandar alguém matar, ele estará fazendo legitimamente e inculpável? Vimos que não. Naquela ocasião, Deus era líder político além de líder espiritual da nação. Portanto, Ele ditava leis. Hoje em dia, vivemos em nações que possuem seu próprio sistemna político, e a Bíblia recomenda que obedeçamos às leis civis de nossas nações, pois exceto nos casos de corrupção, as autoridades são um instrumento de Deus para insituir as obrigações morais (Rm 13.1-7). Portanto, Deus nunca vai mandar alguém matar se esta pessoa vive num país onde matar é errado. Uma pessoa hoje em dia que diz matar em nome de Deus claramente é um psicopata sem justificativa. 

O último ponto que eu gostaria de mencionar é mais uma vez fazer um contraste com o islamismo. Essa religião costuma ver a violência como um meio para propagar a sua fé. Os muçulmanos dividem o mundo em duas partes: adar al-Islam (Casa da Submissão) e adar al-harb (Casa da Guerra). A primeira são aquelas terras as quais têm sido adquiridas em submissão ao Islamismo; a última são aquelas nações que ainda não se submeteram. Neste episódio bíblico, a guerra não foi um instrumento para conversão ao islamismo, mas sim o justo julgamento de Deus sobre aquelas pessoas. Além disso, como vimos, tal abordagem foi uma intervenção histórica incomum, não um costume corriqueiro judeu.


Capítulo 7. Conclusão

Este realmente é um texto muito difícil de ser entendido aos nossos olhos, que estão acostumados com a democracia, lberdade, facilidades e valor à vida que temos hoje em dia. É claro que os valores morais de Deus sempre foram os mesmos, mas a revelação de Deus à humanidade é progressiva, ou seja, Deus se faz conhecer a nós aos poucos. Assim como um pai não castiga o filho pequeno da mesma maneira que um filho adolescente, Deus tomou medidas diferentes parta aquele e para este tempo. Lembre-se que o pai ama tanto o filho quando criança quanto ele adolescente.

Portanto, a palavra que temos hoje do Senhor é “Amem seus inimigos. Orem por aqueles que abusam de vocês. Entreguem suas vidas pelo mundo. Não matem para espalhar o Evangelho, mas morram para fazê-lo.”. E é com esta palavra que eu termino o texto.


Referências:

[1] SENA, Luciano - Genocidios e atrocidades na Bíblia? - Uma introdução. 
Acesso em 20 de junho de 2011.

[2] PIPER, John – Como Deus pôde matar mulheres e crianças?
Acesso em 16 de março de 2012.

[3] HERBERTI - A Conquista De Canaã E O Extermínio Dos Cananeus. 
Acesso em 16 de março de 2012.

[4] CRAIG, William Lane, (Traduzido e adaptado por Leandro Teixeira) - A Matança dos cananitas.
Acesso em 16 de março de 2012.

[5] CRAIG, William Lane, (Traduzido e adaptado por Eliel Vieira) - Moralidade Ordenada por Deus e Voluntarismo. Disponível em: http://www.reasonablefaith.org/portuguese/moralidade-ordenada-por-deus-e-voluntarismo
Acesso em 16 de março de 2012.

[6] GILBERTO, Antonio (editor, traduzido por Gordon Chown) - A destruição dos Cananeus - Bíblia de estudo Pentecostal, CPAD, 2002. p.355

26 comentários :

  1. INCRIVEL (y) simplesmente isso... mt mt bom e mt mt obrigado pelo excelente post

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    1. Disponha, James. Só estou fazendo o que Deus me capacita a fazer.

      Abraços, Paz de Cristo.

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  2. Ou o povo hebreu/judeu matou tudo e todos e disse que foi ordem do teu deus.

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    1. É uma possibilidade, mesmo que remota.

      Abraços, Paz de Cristo.

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  3. Nós, os homens, também agimos assim: para cada tempo adotamos medidas diferentes. Mas, no nosso caso, revelamos, através de nossas leis, quais medidas estão valendo num dado tempo e atualizamos essas leis para adaptá-las aos novos tempos.

    Pelo teu raciocínio, Deus adota o mesmo modus operandi e atualiza suas medidas a cada tempo. É assim que, como você mesmo diz “... a palavra que temos hoje do Senhor é...” Ou seja, não temos, hoje, outras palavras do Senhor que tivemos em outro tempo.

    A pergunta então é: quem pode decidir qual palavra do Senhor temos hoje? E mais, quem tem a autoridade para dizer a outro que a palavra do Senhor que temos hoje é essa e não aquela?

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    1. Caro LMNT,

      ninguém tem autoridade para dizer isso. É a própria Bíblia que nos diz.

      Abraços, Paz de Cristo.

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  4. Entendi. Grato pela resposta.

    Mas, em sendo assim, onde na Bíblia está escrito que "a palavra que temos HOJE do Senhor é (...)"

    O que eu não encontro na Bíblia, é essa definição do que temos válido para HOJE.

    Ou,no caso específico, quando Deus deixou de ser sanguinário e passou a ordenar o amor ao inimigo?

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    1. "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.
      Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.
      Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
      E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
      Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite.
      Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.
      Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás os teus juramentos ao Senhor.
      Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
      Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;
      Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.
      Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.
      Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
      Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
      E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
      E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.
      Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.
      Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
      Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
      Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
      Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
      E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
      Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus."
      Mateus 5:27-48

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    2. Encontrou agora? Não é que Jesus tenha mudado o que Deus falou, Ele na verdade atentou para coisas que já haviam sido ditas no passado, mas com um enfoque menor ou então que foram esquecidas pelo povo.

      Deus nunca foi sanguinário. Deus é o dono da vida, Ele tem direito de tirar as vidas que Ele quiser, pois Ele as dá de graça. Hoje mesmo Ele está tirando a vida de milhões de pessoas.

      Deus sempre foi amoroso, mas o amor de Deus não é o amor senil daquele avo bonzinho que deixa o neto fazer tudo o que quer, mas se parece mais com o amor de um pai preocupado que muitas vezes deixa que o filho sofra para que aprenda melhor.

      Abraços, Paz de Cristo.

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    3. Essa transição da Lei e Moisés para a graça pode ser vista não só nesse trecho que eu mandei, mas o Livro de Hebreus como um todo explica isso, e algumas passagens na carta de Paulo aos Colossenses e aos Gálatas também.

      Abraços, Paz de Cristo.

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  5. 0k! Encontrei.

    Apenas acho que entre "Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo" e "Amai a vossos inimigos..." há uma diferença que não é apenas de enfoque. As exortações são contraditórias e mutualmente excludentes!

    Mas... vou ler o Livro de Hebreus e a carta de Paulo aos Colossenses e aos Gálatas para entender como ocorreu essa transição, isto é, essa passagem das Leis de Moisés para a graça.

    Já ajudou muito saber que a Bíblia trata dessa questão, pois era muito desconcertante quando minha filha lia o Salmo 137:9!

    Agora é só mostrar a ela as passagens da Bíblia que explicam que houve uma transição e que Deus mudou de opinião sobre qual a melhor maneira de tratar os inimigos.

    Valeu!

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    1. Não, você entendeu errado. "Odiar os inimigos" não é da categoria mudança de enfoque, mas é uma coisa que foi esquecida pelo povo. A Lei de Moisés manda amar o próximo, mas não manda odiar os inimigos. O povo que foi criando isso como tradição ao longo do tempo. Deus não mudou de opinião.

      Vocês poderia responder "OK, Deus não mandou odiar os inimigos, mas mandou matá-los". Mas aí nós vamos estar andando em círculos, porque justamente nesse texto (Genocídios e Atrocidades na Bíblia?) eu estou explicando as razões pelas quais Ele fez isso.

      Abraços, Paz de Cristo.

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    2. Quanto a Salmo 137.9, isso é de outro contexto que não tem nada a ver com isso aqui.

      Primeiro que não são ordens de Deus, é um poema de um salmista.

      Segundo, o texto não diz os filhos de qualquer um, fala exclusivamente dos filhos da Babilônia. Babilônia aqui pode ter um significado tanto literal quanto simbólico.

      Terceiro, no contetxo da época, as pessoas estavam mais acostumadas com violência e morte do que hoje em dia, por isso estes versos não causariam o mesmo impacto na época do que causam hoje.

      Isso tudo precisa ser estudado por aqueles que leem a Bíblia. Eu acredito que Deus queria que seus seguidores fossem pessoas estudiosas, porque é preciso estudar muito para compreender a Bíblia. Pena que isso está longe da realidade da maioria dos crentes.

      Abraços, Paz de Cristo.

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  6. Obrigado,creio ter entendido agora:

    Deus não disse para odiar os inimigos, apenas para matá-los! Não sei se minha filha vai mudar a opinião que ela formou sobre Deus...

    Mas restaram duas pequenas dúvidas:

    Os salmos não são a palavra de Deus, e sim um poema de um salmista. Mas... esse salmista não teria recebido a inspiração de Deus?

    Entendo o argumento do contexto. Claro, contextualizar ajuda a evitar erros de interpretação. Mas também podemos cometer erros ao construir um contexto. Como exemplo, tomemos tua afirmação de que "no contexto da época, as pessoas estavam mais acostumadas com violência e morte do que hoje em dia" Como podemos ter certeza disso?

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    1. Deus não disse só para matá-los. Ele disse para matá-los naquela época e naquele contexto, e mais uma vez insisto, no texto acima eu dou as prováveis razões para isso.

      Respondendo às suas dúvidas: sim, o salmo foi inspirado por Deus.

      E sobre o contexto, é muito simples porque podemos ter certeza disso. Isso é óbvio. No mundo antigo, o homem era muito mais acostumado com a morte do que e hoje, porque as taxas de mortalidade eram muito mais altas, a expectativa de vida era mais baixa, a medicina moderna praticamente não existia, e as ideias culturais de direitos humanos e outras coisas do tipo ainda não tinham sido formuladas. Naquela época, guerras eram muito comuns e muitas pessoas morriam nessas guerras. Todas essas coisas que eu falei são bem comprovadas pela hstória e pela arqueologia. Portanto, não é surpreendente que atos de violência naquele tempo não causassem tanto impacto quanto hoje, em que não vemos a morte tão frequentemente quanto naquele tempo, em que temos uma medicina muito avançada e cuidados alimentares e higiênicos muito melhores, e damos muito mais valor à vida do que dávamos milênios atrás.

      Abraços, Paz de Cristo.

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  7. Entendi. É obvio, posto que bem comprovadas pela história e pela arqueologia!

    Então, temos até agora: para a correta interpretação da Bíblia é necessário situá-la no contexto da época em que foi revelada/escrita.

    Para a correta compreensão desses contextos é necessário recorrer à outras fontes de conhecimento (como as sitadas, história e arqueologia). Essas fontes de conhecimento, segundo tua afirmação, comprovam os fatos de forma óbvia. Portanto não são questionáveis.

    Em resumo, pelo que entendi, a chave para a correta interpretação da Bíblia não está apenas na Bíblia. As dúvidas suscitadas pela leitura da Bíblia encontraram respostas, também, em outras fontes. Essas fontes, sim, tornam as coisas óbvias!

    Agora fica mais fácil ler a Bíblia, visto que posso diminuir o seu status de fonte da verdade, relativamente à outras fontes de conhecimento.

    Tuas informações também foram úteis para orientar a escolha profissional de minha filha. Poderá fazer história e/ou arqueologia, visto que há um mercado de mais de 3 bilhões de pessoas (e em crescimento) que, em algum momento, poderão perceber a importância dessas ciências para o correto entendimento do livro que consideram conter a palavra de seu Deus.

    Vou agora, também eu, aprofundar meus estudos de história e de arqueologia, para ter a visão de contexto necessária ao entendimento da Bíblia.


    Grato.

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    1. Ainda não é bem isso. Você anda tirando conclusões precipitadas... e tem muita coisa sobre isso que eu não falei, afinal nem era esse o assunto. Se o assunto continuar se prolongando, podemos nos comunicar por outra forma, como e-mail. Mas vamos lá:

      a Bíblia não é um único livro, é um conjunto de muitos livros escritos por muitos autores em diferentes épocas. É óbvio que para entender o que os autores estavam falando realmente precisamos conhecer o contexto da época; e não o conhecimento do contexto da época que torna óbvio o que a Bíblia quer dizer. Você inverteu o que eu disse.

      Mas veja só, a Bíblia também não tem um só tipo textual. Parte dos textos são narrativas históricas, partes são registros documentais históricos, partes são poemas, partes são profecias e partes são ensinamentos morais. O conhecimento do contexto é crucial para o entendimento dos textos históricos, mais do que os outros. Os textos da bíblia podem ter um sentido histórico, um sentido simbólico e um sentido espiritual (e para os cristãos, este último é muito mais importante).

      Numa coisa você está certo: a chave da interpretação da Bíblia não está só na Bíblia. Mas não é verdade que a chave está só na história e arqueologia, pela seguinte razão: considere um homem que viveu na época que a Bíblia foi escrita. Ele estava inserido no contexto histórico, por isso não tinha o mesmo problema que nós temos hoje. Mas mesmo assim este homem ainda tem problemas em interpretar o sentido espiritual da Bíblia. Podemos ver exemplos disso em textos bíblicos: Atos 8.26-40, Lucas 4.17-22, 2 Pedro 3.15.

      Sobre a interpretação da Bíblia, recomendo alguns textos: http://www.gotquestions.org/Portugues/compreender-entender-a-Biblia.html http://www.respostasaoateismo.com/2011/06/cursinho-intensivo-de-interpretacao.html

      Abraços, Paz de Cristo.

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  8. Ou seja, a bíblia não foi escrita por Deus, mas sim pelos homens. Um agregado de histórias, porém escritas por diversos autores ao longo do tempo e arquivadas pelos romanos - estes que, no Concílio de Niceia, retiraram as partes que não os interessavam e acrescentaram várias outras que iam de encontro aos seus interesses -, assim como a mitologia grega foi passada pela arte e tradição oral dos gregos. Eis a mitologia cristã, que graças a força e influência do Império Romano permanece até hoje na veia dos povos ocidentais e em grande parte dos territórios conquistados pelos mesmos... Mas não passa disso... Mitologia... E toda mitologia é desmistificada, mais cedo, ou mais tarde. Jovens ainda são os humanos.

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    1. Essa história de que a Bíblia foi editada pelo concílio de Nicéia é uma mentira muito velha. Os manuscritos do Mar Morto (e muitos outros anteriores ao século IV dC) estão aí para provar isso.

      Abraços, Paz de Cristo.

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  9. Viva a diplomacia!Adorei ver o nível ao qual foi conduzido esse "debate",esse "tira-dúvidas"!
    Parabéns.
    Deus os abençoe

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  10. Uma questão que é frequentemente colocada a respeito da matança dos JUDEUS é a morte das crianças. Se HTILER mandou exterminar o povo JUDEU por causa de seu pecado , por que matar crianças inocentes? Uma das razões já foi dita: HITLER queria ensinar o conceito de separação a RAÇA ARIANA, Ele não queria que o A RAÇA ARIANA criasse nenhum tipo de relação com OS JUDEUS. Se HITLER não tivesse ordenado o extermínio dos JUDEUS, muitas daquelas crianças seriam mortas pelo seu próprio povo JÁ QUE NÃO ACREDITAM NO MESMO DEUS, e as que sobrevivessem cresceriam e se tornariam tão corruptas quanto seus pais. Ao matar as crianças, HITLER livrava pelo menos aqueles inocentes de se corromperem como seus pais fizeram. E se pensarmos do ponto de vista espiritual se aquelas crianças eram realmente inocentes, elas alcançaram a salvação ao morrerem, e receberam a incomparável alegria do paraíso. Pensando assim a questão das crianças parece ser muito facilmente resolvida.

    Engraçado que se trocarmos Deus por Hitler, cananitas por povo judeu e raça ariana por ''Seu povo'' o texto se torna totalmente justificável.
    ps: está faltando um ''i'' no exterminar

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    1. Caro hcjhfj,

      Essa objeção já foi respondida na parte 1 do texto. Peço que a releia, na parte onde eu explico porque não é errado Deus matar(e ao mesmo tempo é errado que o homem mate). Antes de ficar julgando ou qualquer coisa, leia os argumentos que eu uso lá.

      Abraços, Paz de Cristo.

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    2. Temendo que você tenha preguiça de ir lá ler, vou copiar o argumento aqui, para que assim você fique indesculpável:

      "Parece haver uma distinção moral infinitamente diferente entre o fato de um homem matar um homem e Deus matar um homem. Para saber disso temos que pensar primeiro: Por que matar é errado? Matar é errado porque nenhum ser humano tem direitos sobre a vida de outro. Todos têm o direito de viver, direito esse que foi dado por Deus. Todos nós recebemos a nossa vida física de graça, sem nada a pagar por isso. Em segundo lugar, quando matamos alguém, privamos a vítima de desfrutar de um futuro. Nós não conhecemos o futuro, e não sabemos se aquela pessoa não morresse, quais oportunidades boas ela teria no futuro. Em terceiro lugar, as pessoas geralmente matam por motivos egoístas: inveja, brigas, ódio, ou às vezes até mesmo por prazer! Agora pense sobre Deus. Deus criou a vida humana, portanto Ele é o único que tem direitos [autorais] sobre ela. Para Deus o primeiro motivo não é aplicável. Ora, Deus conhece o futuro, portanto Ele sabe quando é o instante perfeito para que a pessoa morra, considerando todos os fatores possíveis (não que todo mundo vá ficar feliz com a morte da pessoa, mas o sofrimento causado aos familiares muitas vezes pode ser uma forma de ensinar uma lição espiritual). Para Deus o segundo motivo também é irrelevante. Finalmente, Deus é definido como sendo infinitamente justo, portanto se Ele mata alguém, ou permite que alguém morra, concluimos que este ato é justo, e não pode ser motivado pelos sentimentos corruptos que os humanos têm, pois Deus não pode ter estes sentimentos (pois senão não seria Deus - isto não é uma limitação ao poder dEle, já que se Deus tivesse estes sentimentos Ele seria imperfeito. Um ser perfeito não possui sentimentos corruptos). Então, nenhuma das restrições ao ato de matar se aplica para Deus. Logo, não encontramos motivos para que matar seja errado, para Deus."

      Abraços, Paz de Cristo.

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  11. APRENDIR DURANTE A MINHA EXISTÊNCIA QUE A ESTRADA DA VIDA É LONGA, E A VIDA DA VOLTAS E AS CIRCUNSTANCIAS PODEM NOS LEVAR JUSTAMENTE AO QUE NUNCA GOSTARIAMOS DE IR, PASSAR OU FAZER,DEPENDE MUITO DA SEMENTE QUE PLANTAMOS, NÃO É DEUS QUE MATA OU CASTIGA SOMOS NÓS QUE COLHEMOS O QUE PLANTAMOS.

    ARREPENDA-TE DOS TEUS PECADOS E VERAS A GLÓRIA DE DEUS.

    JESUS HOJE QUER TE SALVAR, VENHA COMO ESTAS E ELE JESUS TE TRANSFORMARA.

    A ESCOLHA É SUA HOJE É DIA DE SALVAÇÃO, AMANHÃ PODE SER TARDE.

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