segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Renascimento da Filosofia Teísta no Século XX


Olá, caros leitores.

Tenho estado ocupado com a minha vida pessoal nos últimos meses, o que tem me impedido de postar regularmente no blog. Desde o início do ano eu avisei que provavelmente o ritmo de postagem cairia, embora eu não gostaria de abandonar este trabalho, que é tão estimado por vocês leitores. 

Mas foi justamente em uma das minhas ocupações com o Mestrado que surgiu um assunto para ser trabalhado aqui. Enquanto eu estudava Metodologia Científica, tive contato com o trabalho de um filósofo que nunca parei para prestar atenção: Bertrand Russell (não, não é o cara da foto acima - eu já vou chegar lá, calma). E dentre os livros escritos por este filósofo, um me chamou a atenção: Por que não sou cristão, publicado em 1957. Eu vou ter mais tempo de falar sobre isso nas postagens próximas, mas o fato é que esse livro, junto com as tendências cientificistas de Russell, parece ter sido a influência principal para o surgimento de todo um movimento décadas depois - o neo-ateísmo. Sendo assim, eu não poderia deixar de dedicar algumas palavras aqui no blog à análise deste livro (mas não vou fazer isso agora).

Mas então, do que vou falar agora? Deixem-me explicar. Alguns argumentos para a existência de Deus que Russell citou no livro dele realmente eram considerados ultrapassados no tempo em que ele escreveu. Entretanto, quem lê este livro hoje em dia pode não ter ouvido falar do renascimento da filosofia teísta no século XX (é aí que entra o título da postagem).  Richard Dawkins, por exemplo, publicou em 2006 o livro Deus, um Delírio, que não é nada menos do que uma repetição das velhos refutações de Russell, sem se preocupar com o que mudou no mundo acadêmico da filosofia nos anos que separam estas duas personalidades. Resultado disto? O livro foi amplamente refutado, destruído impiedosamente pedaço por pedaço (veja aqui, aqui e aqui, por exemplo).

Eu não podia então deixar a oportunidade para contar pra vocês o que exatamente aconteceu nas últimas décadas que revitalizou o teísmo acadêmico e, indiretamente, a apologética cristã. O nome talvez mais importante nesta história toda é o do filósofo norte-americano Alvin Plantinga (ah, agora sim é o cara da foto!).

Plantinga chegou a estudar na Universidade de Harvard como aluno de graduação. Naquele tempo, início dos anos 1950, já se formava uma grande mobilização em favor da não-existência de Deus nos círculos acadêmicos. Em uma de suas palestras, Plantinga chegou a afirmar uma vez que, não fosse a sua transferência para o Calvin College, uma faculdade confessional cristã na qual seu pai lecionava, ele provavelmente não permaneceria cristão, nem teria desenvolvido o interesse acadêmico neste assunto. Anos mais tarde, em 1958, Plantinga obteve seu Ph.D. na Universidade de Yale. Ironicamente, um ano após a publicação do livro anti-cristão de Russell.

Enquanto isso, aquela geração estava mais indiferente acerca de Deus e a religião do que nunca. Em 8 de Abril de 1966, a revista Time publicou uma matéria de capa, a qual lançava a pergunta em letras garrafais: “Deus Está Morto?”. A reportagem, que pode ser lida online ainda hoje, tratava da “morte de Deus” ocorrida nos ambientes acadêmicos americanos, inclusive na própria teologia.


Um ano depois, em 1967, Plantinga publica o seu primeiro livro: God and Other Minds: A Study of the Rational Justification of Belief in God (Deus e Outras Mentes: Um Estudo sobre a Justificação Racional da Crença em Deus). Este livro foi o marco de uma revolução acadêmica. Seguiram-se após ele um sem número de publicações acadêmicas anglo-americanas sobre o assunto. O filósofo ateu Quentin Smith, da Universidade de Western Michigan, comentou com pesar este fato:

“Em meados do século XX, as universidades (...) haviam se tornado essencialmente secularizadas. A posição (...) padrão em cada campo (...) supunha ou envolvia argumentos favoráveis a uma visão de mundo naturalista; os departamentos de teologia ou religião almejavam entender o significado e as origens dos escritos religiosos, não para desenvolver argumentos contra o naturalismo. Os filósofos analíticos (...) tratavam o teísmo como uma cosmovisão antirrealista e não cognitivista, requerendo a realidade não de uma divindade, mas meramente de expressões emotivas ou de certas “formas de vida” (...)Os naturalistas assistiram passivamente enquanto as versões realistas do teísmo, influenciadas principalmente pelos escritos de Plantinga, começaram a propagar-se por toda a comunidade filosófica, até que hoje talvez um quarto ou um terço dos professores de filosofia são teístas, sendo a maioria cristãos ortodoxos. Na academia, Deus não está “morto”; voltou à vida no final da década de 1960 e está agora são e salvo em seu último bastião acadêmico: os departamentos de filosofia.” SMITH, Q. The Metaphilosophy of Naturalism, Philo 4/2 (2001): 3-4.

O ressurgimento do interesse no teísmo, apesar de às vezes denominado Revolução Silenciosa, não passou despercebido da cultura popular. Em 1980, a revista Time novamente publica o importante artigo Modernizing the Case for God (Modernizando a Defesa de Deus), que descrevia o despertar entre os filósofos contemporâneos para remodelar os argumentos tradicionais a favor da existência de Deus. Abaixo um trecho traduzido do artigo:

“Numa tranquila revolução no pensamento e no debate, que quase ninguém teria previsto apenas duas décadas atrás, Deus está fazendo uma reaparição. O mais curioso é que isso não está acontecendo entre teólogos ou crentes comuns, mas nos seletos círculos intelectuais dos filósofos acadêmicos, onde há muito o consenso baniu o Onipotente do discurso proveitoso.”

O Renascimento da filosofia teísta cristã no último século acompanhou-se do interesse na teologia natural, ou seja, o estudo sobre Deus independente da revelação. Muitos argumentos clássicos para a existência de Deus que remontam à Idade Média foram reformulados nos moldes mais rigorosos da filosofia contemporânea. Dentre eles, podemos citar:

  • O Argumento Ontológico, que remonta a Santo Anselmo no século XIII, foi refutado por Kant no século XVIII e reformulado por Alvin Plantinga no seu segundo livro The Nature of Necessity (A Natureza da Necessidade) em 1974. Este argumento fala sobre a existência de Deus baseado no conceito de que Deus é o maior ser concebível do Universo e o contraste entre a existência na realidade e a existência apenas na mente.

  • O Argumento Teleológico de Richard Swinburne, publicado em 1979 em seu livro The Existence of God (A existência de Deus). Este argumento transforma a questão da existência de Deus em probabilística, e usa um raciocínio indutivo amparado por evidências como a ordem apresentada no Universo.

  • O Argumento Cosmológico Kalam (chamado assim por ter sido o nome da versão do argumento da causa primeira pelo filósofo muçulmano do século XI Al-Ghazali), que foi tema da dissertação de mestrado de William Lane Craig e apareceu em seu livro The Kalam Cosmological Argument, também de 1979. Este argumento fala de Deus como a causa necessária para o Universo e se apoia no fato de que o Universo teve um início.

Apesar dos argumentos serem uma motivação para a racionalidade da crença em Deus, eles não necessariamente se constituem em provas absolutas. Plantinga defende que a crença em Deus é o que os filósofos costumam chamar de uma crença básica: para se acreditar na existência do passado, na ideia de que as outras pessoas têm um intelecto ou que um mais um é igual a dois, não se precisaria de prova. Ele argumenta ainda que a cosmovisão teísta, que vê o universo organizado e dirigido por um Deus que deu origem a criaturas racionais à sua própria imagem, “é muito mais acolhedor para a ciência que o naturalismo. (...) Na verdade, é o teísmo, não o naturalismo, que merece ser chamado de 'visão científica do mundo'”, escreve ele. Dizer que a crença teísta é irracional não é possível sem demonstrar que ela não corresponde à verdade, o que, diga-se de passagem, não é algo que a ciência é capaz de fazer neste caso.

Alvin Plantinga é considerado atualmente, junto com Richard Swinburne, o filósofo da religião mais importante do mundo. Desde 1982 ele ocupa a cadeira John A. O’Brien de filosofia na Universidade de Notre Dame. William Lane Craig tem se destacado há muitos anos pelos seus debates acadêmicos com ateus famosos, além de seus livros. Entre os seus adversários, encontram-se nomes importantes como o ex-ateu Anthony Flew, o já falecido jornalista Christopher Hitchens, o neurocientista Sam Harris, dentre outros. O próprio Richard Dawkins se recusou mais de uma vez a debater com ele.

Os ateus contemporâneos, seguidores de autores como Dawkins, Hitchens, Sam Harris e Daniel Dennett (conjunto que já foi chamado de “os quatro cavaleiros do neo-ateísmo”) parecem estar incrivelmente alheios a esta revolução da filosofia anglo-americana. Devido à enxurrada de best-sellers ateus que presenciamos nos últimos anos, se poderia pensar que a crença em Deus se tornou intelectualmente indefensável para uma pessoa pensante atual. Mas vimos claramente que isso se trata apenas de uma mera desinformação, de um eco fantasmagórico da voz de Bertrand Russell e do seu cientificismo que já foi suplantado há décadas por pensadores de seu próprio campo de trabalho (a filosofia analítica), como Plantinga, Swinburne e Craig.

Abraços, Paz de Cristo.

4 comentários :

  1. onde a filosofia prova a existencia de deus::? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    vc é um asno mesmo né::? varios filosofos tentaram descobrir a origem do ser humano antes de darwin e adivinha so... ninguem acertou
    jumento filho da puta burro pa carai
    vai ler algo sobre o cosmo e evolução e para de passar vergonha na internet

    ResponderExcluir
  2. onde a filosofia prova a existencia de deus::? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    vc é um asno mesmo né::? varios filosofos tentaram descobrir a origem do ser humano antes de darwin e adivinha so... ninguem acertou
    jumento filho da puta burro pa carai
    vai ler algo sobre o cosmo e evolução e para de passar vergonha na internet

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  3. VC gosta de xingar os outros pelas costas.ateuzinho

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