terça-feira, 7 de julho de 2015

"7 dicas para vencer William Craig em debate"? Alguns comentários.

Olá, leitores.

Creio que William Craig seja alguém que dispense apresentações no meio apologético cristão. Ele tem dado palestras e participado de debates com ateus famosos do mundo todo, e é um dos apologistas mais famosos da atualidade. Com formação em Teologia e Filosofia, e escritor de alguns livros, ele já debateu com figuras como Antony Flew, Christopher Hitchens, Sam Harris, Peter Atkins e só não debateu com Richard Dawkins porque ele arregou fugiu mais de uma vez da oportunidade.

A desenvoltura de Craig nos debates é tão destacada que até mesmo ateus sensatos reconhecem isto. Costuma-se dizer que ninguém nunca "venceu" Craig em um debate (embora haja controvérsia em relação a um ou dois adversários). Embora tentativas de refutar seus argumentos sejam encontradas por aí na internet, até hoje nenhuma dessas pessoas se disponibilizaram para um debate ao vivo.

Pois bem, me deparei recentemente com uma dessas tentativas, do blog Religião e Ateísmo. O autor dá supostamente 7 dicas para vencer Craig em debate. O texto a seguir comentará brevemente essas dicas, incluindo críticas e contra-argumentos. A elaboração do texto deve-se principalmente aos leitores Felipe Ribeiro e Djonatan Küster, com revisões e alguns acréscimos feitos por mim.

Aproveitem a leitura.
Abraços, Paz de Cristo.

"7 dicas para vencer William Craig em debate"? Alguns comentários.


1. O Universo e a causa primária


No início há uma longa explanação sobre o argumento da ignorância, que consiste em atribuir a Deus a causa de um fenômeno por falta de conhecimento sobre causas naturais:

“baseado no conhecimento existente na época, basicamente qualquer resposta era provida do Argumento da Ignorância. (... )  Vamos pegar a própria Bíblia por exemplo. No antigo testamento o povo de Israel utilizava com frequência o argumento da ignorância, para explicar a chuva como bençãos de Deus e a seca como ‘maldição’.“

Primeiramente, o conceito de ignorância não pressupõe falsidade. Eu posso ser ignorante sobre um assunto, mas mesmo ainda estar certo. Por exemplo, eu não sei nada sobre tática, mas posso dar um palpite de que se o Brasil jogasse com mais atacantes, seria um time melhor, e possivelmente eu poderia estar correto, enquanto um especialista poderia dizer o contrária e estar enganado. Quanto ao exemplo bíblico, todos esses exemplos onde o povo de Israel atribui eventos a Deus como causa, continham como pano de fundo uma revelação ou inspiração divina. Não era meramente uma atribuição baseado em um senso intuitivo. Agora, se tais revelações e inspirações divinas são de fato reais, é assunto para outra hora.

O autor continua escrevendo uma série de disparates, que são comentados aqui em sequência:

“a palavra ‘Deus’ pode ser definida como ‘aquilo que não podemos explicar ou aquilo que admiramos’”

É um dos possíveis conceitos, mas não é o único. Por exemplo, Plantinga diria que Deus é uma necessidade lógica; Craig, que é mais plausível que Deus exista, enfim. Nenhum teísta sério usa essa definição dada pelo autor.

O Argumento demonstra que tem que existir uma causa para o universo.  As implicações do argumento Cosmológico nos informam que essa causa primária deve ser:
  • Atemporal.
  • Não causado.
  • Incrivelmente poderoso.
  • Está em todos os lugares.
  • Ilimitado em poder.
  • Eterno

Bom, o autor não refutou nenhuma das implicações do argumento cosmológico, e até me pareceu aceita-las. Entretanto o autor parece ignorar propositalmente uma das conclusões mais importantes do argumento, que é o de que a Causa primária do Universo deve ser um Ser pessoal. Mas vamos adiante.

“Porém eis as outras características que demonstram que nenhum dos deuses se encaixam como a causa primária:”

A seguir o autor vai levantar cinco objeções, que vão ser comentadas. Contudo, mesmo supondo que estas objeções sejam coerentes, as implicações iniciais do argumento se mantém, já que não foram refutadas. No máximo, o que se poderia concluir é que existe um Deus ligeiramente diferente do Deus Teísta tradicional. Logo, o autor já falhou imensamente no seu objetivo neste primeiro tópico, mesmo pressupondo que as inferências extras estejam corretas.

“1. A causa primária não pode ser inteligente ou possuir conhecimento. (...) Tudo aquilo que possuí conhecimento ou inteligência, obrigatoriamente tem um inicio.”

Qual é a justificativa para isso? A sentença foi apenas declarada, como se fosse auto-evidente. Não é. Se fosse, me espantaria o fato de o autor ser (provavelmente) o primeiro ateu na história a descobrir isto. Mas não foi exercida argumentação para suportar esta conclusão.

Além disso, há duas objeções a esta proposição:

1.1 - Porque o conhecimento de Deus tem que ter um começo? Esse conhecimento pode muito bem ser eterno, como parte da própria natureza ou essência de Deus. Lembrando que Deus conhece o futuro. Ele pode eternamente saber de tudo, antes das coisas acontecerem.

1.2 - Mesmo que o conhecimento tivesse tido um começo, não implica que o autor do conhecimento também teve um começo. Exemplo: Eu já existia antes de saber falar inglês! (Claro que isso não se aplica a Deus, que é Eterno, mas isto é suficiente para refutar a proposição 1, que foi dita como se fosse universal)

“2. [A causa primária] é infinita em tamanho.”

Bem, isso foi ponto para o teísmo, e não o contrário; afinal, por isso dizemos que Deus é onipresente, está em todos os lugares! Obrigado pela contribuição! Vamos colocar essa característica junta com as outras a favor de que Deus é a causa. 

“3. [A causa primária] não possuí um banco de dados para guardar informação.”

Ele não explicou esse ponto, então não há o que comentar.

“4. [A causa primária] se encontra em todas as teorias e ideias para explicar o universo.”

O autor ignorou que Craig tem comentado todas essas teorias em seus debates, mostrando que elas não conseguem sustentar um universo eterno, e não podem ser a causa primária. Por exemplo, Craig já explicou em alguns podcasts as razões pelas que mesmo que houvesse um multiverso, ele não poderia ser eterno, portanto ainda precisaria de uma causa anterior. O leitor pode ver as transcrições aqui (em inglês).

“5. [A causa primária] não pode ser pessoal.”

Ele não explicou essa objeção, nem refutou o argumento de Craig sobre isto. Só pra lembrar, Craig diz em seu livro que “A única maneira de ter uma causa eterna mas um efeito temporal é se a causa for um agente pessoal que livremente escolhe criar um efeito no tempo.

Portanto, as cinco objeções falharam em se apresentar como razões de porque a causa do universo não pode ser Deus. Continuando:

“utilizando o Big Bang, naturalmente não pode ter acontecido do nada. “

Muitos ateus vão discordar do autor do texto. Por exemplo, o grande filosofo ateu Quentin Smith, disse que “O Universo veio do nada, por nada e para nada.” Muitos filósofos questionam o antigo axioma de que “nada vem do nada”. Claro que eu [Djonatan Küster] discordo, e penso que pelas mesmas razões que o autor discorda. Porém, a diferença surge aqui; eu acredito que Deus criou o Universo Ex Nihilo. E não, eu não estou me contradizendo. Acontece que quando eu acredito que Deus criou o Universo do nada (sem matéria, energia, tempo-espaço), eu me refiro que ele tenha tirado o Universo de algo metafísico, que pode ser sua própria natureza, ou outro material pré-existência, ou até mesmo do nada absoluto, apenas com seu poder causal. O antigo axioma pode ser criticado, quando temos um Ser com poder suficiente para tirar algo do nada.

“Deus é descrito como ‘infinito em tempo’. Mesmo que a nossa noção de tempo se baseie exclusivamente em nosso sistema solar, isso não implica que o tempo também não passe para deus. (...) Obrigatoriamente deus viveu por um período infinito no passado e continuará a viver infinitamente.”

Totalmente equivocado. Primeiro que Deus não é descrito como “infinito em tempo”. Lembra da implicação do argumento cosmológico de que Deus é atemporal? Segundo, é logicamente impossível que exista algo infinito no mundo real, sendo assim, Deus não viveu por um período infinito no passado e nem continuará viver infinitamente, pois além de Deus ser de natureza atemporal, o que seria o suficiente para refutar este ponto, o tempo ainda é um conjunto infinito de eventos no passado (e logicamente  no futuro), e um infinito real é impossível de existir por levar a absurdos lógicos. Gostaria de destacar até aqui a sua falta de compromisso e coerência filosófica do autor. Ele expõe alguns conceitos ou premissas, e equivocadamente expõe uma conclusão sem estabelecer em momento algum uma dedução lógica da conclusão por parte das premissas. Ele sequer estabelece premissas, e isto atrapalha muito, tanto na interpretação de suas ideias quanto para quem se disponibiliza a criticá-las.

“Se deus viveu infinitamente no passado em total escuridão, sozinho, a ideia de deus criar os seres humanos ou o universo por algum motivo pessoal, se torna uma ideia infantil e ignorante, o que implica que tal história foi criada com o intuito do ser humano encontrar um sentido de vida acima de si mesmo e acima de toda e qualquer autoridade.”

Vamos usar este trecho para exemplificar a incoerência do autor em estabelecer argumentos sólidos.
P1. Deus viveu infinitamente no passado em total escuridão, sozinho
P2. Deus não possui necessidade de criar nada
P3. Deus criou os seres humanos ou o universo por algum motivo pessoal
P4. Esta ideia é infantil e ignorante
P5. Logo, tal história foi criada com o intuito do ser humano encontrar um sentido de vida acima de si mesmo e acima de toda e qualquer autoridade. 
Leitor, você é capaz de perceber a incoerência e falácia neste argumento, agora com ele estruturado de uma maneira correta? Um argumento estruturado e organizado, torna muito mais fácil, tanto sua elaboração como sua crítica. Veja, a P4 não segue logicamente da P3, esta é uma opinião particular do autor, que não possui base lógica alguma. Na conclusão, aparece a falácia non sequitur, pois deduz de infantilidade a ignorância e falsidade, o que não é necessariamente verdade. O argumento foi desastroso.

Além disso, essa tentativa de refutar o teísmo baseada no ato criativo de Deus já foi abordada aqui. E ainda sim, a proposição P1 é falsa. Sendo Deus atemporal, Ele não teria ficado infinitamente esperando para criar o universo, pois Ele existe sem passagem de tempo. Isto é o que a maioria dos teólogos, como Santo Agostinho, sustentam.

“tal história foi criada com o intuito do ser humano encontrar um sentido de vida acima de si mesmo e acima de toda e qualquer autoridade. Desta forma o ser humano obrigar-se-ia a policiar-se em fazer o bem, caso contrário será julgado e condenado, sem direitos a recompensas.”

Aqui ele tentou menosprezar a crença em Deus ao explicar uma possível origem para as mesmas. Apenas especulações não comprovadas da parte dele, mas mesmo que fosse verdade isso não prova nada. Afinal, trata-se apenas da popular Falácia Genética (aprovar ou desaprovar algo baseando-se unicamente em sua origem).

“Nesta primeira parte temos que Deus não é a melhor explicação para nosso universo e tudo o que nele há.”

Agora eu me pergunto, de onde o autor deduziu esta conclusão? Ele absolutamente não demonstrou nada que implicasse que Deus não é a melhor explicação para o nosso Universo, pois até mesmo para você fazer isso, ele deveria: (1) levantar outras explicações e (2) demonstrar sua superioridade explanatória frente a hipótese de Deus. Mas ele não fez isto.

“Se o mesmo conhece tudo e sabe de tudo, obviamente tal conhecimento teve um começo e se teve um começo então deus também teve um começo. “

Isto já foi refutado acima. Deus pode facilmente ter conhecimentos que fazem parte de sua própria natureza, como o conhecimento de que ele mesmo é Deus. Além do mais, mesmo que Deus tenha obtido determinados conhecimentos em um determinado momento de sua existência, como isto implicaria que o próprio Deus tenha um começo?

“Alguém que possuí fatos e evidencias, não diz que deus é a melhor resposta, diz que ‘deus é a resposta’ ou ‘única resposta’.“

Os teístas declaram que Deus é a melhor resposta para determinas questões sobre o Universo, devido ao seu escopo explanatório, coerência, simplicidade, e outros critérios de avaliação, que se dão devido os argumentos a favor da existência de Deus. Entretanto, nada impede de os mesmos declararem que Deus é a ‘única’ resposta, pois como se sabe, a maioria dos argumentos a favor de Deus são dedutivos, que estabelecem Deus como uma necessidade lógica. Entretanto, devido as críticas, falta de consenso, convencibilidade e não auto-evidência desta verdade, fica difícil de apresentar Deus como uma verdade inequívoca.

“O Argumento Cosmológico não aponta na direção de deus e muito menos serve para a existência de deus. Nada mais é do que a negação de um universo eterno e as características da causa primária que não estão de acordo com a ideia de deus.”

Enfim a conclusão do primeiro tópico. Bom, mais uma vez eu fico me perguntando, de onde se pode deduzir que o argumento cosmológico não aponta para Deus, sendo que o autor não demonstrou nada de valioso contra o mesmo, e que sequer tenha atingido o argumento em cheio, e as suas tentativas, se mostraram falhas. A partir do argumento cosmológico se pode deduzir uma série de atributos que apontam para Deus, e não foi feita nenhuma crítica a eles. Posteriormente, o autor levantou outra série de características muito duvidosas, que nas quais foi oferecida alguma argumentação, que foi replicada aqui. Mas independente da validade das mesmas, no máximo se inferiria que a causa primária é um Ser diferente do Deus Teísta tradicional. O autor errou feio no primeiro tópico.

2.  O Argumento dos Valores Morais


O argumento moral tem a seguinte estrutura:
2.1 Se Deus não existe, valores e deveres morais objetivos não existem
2.2 Valores e deveres morais objetivos existem
3.3 Portanto, Deus existe.
O autor afirma que esse é um argumento da ignorância com base em 2 razões:

“(A) Nenhum teísta até hoje demonstrou como deus coloca esses valores em nós.”

Isto não anula nenhuma das premissas do argumento moral, e portanto não anula a conclusão. Simples assim. Não precisamos saber todos os detalhes para saber de algo.

“(B) É baseado ao observar que mesmo em diferentes nações, incluindo as distintas e que nunca tiveram contato entre si, possuem diversos valores morais parecidos, do qual muitos dizem que a melhor explicação (olha o argumento da ignorância de novo) seria Deus.”

A observação nas diferentes culturas serviria, no máximo, pra sustentar a premissa 2.2, mas Craig não costuma usar isso como argumento. Ele sustenta a segunda premissa através da nossa própria percepção da realidade. A nossa crença de que existem atos certos e errados, bons e maus, está no mesmo nível que as crenças ditas “básicas”, como por exemplo, o mundo externo existe de verdade e não apenas na minha cabeça; o universo não foi criado nesse instante com a ilusão de ser antigo; eu existo; etc. Podemos até ter dúvidas e desacordos em alguns pontos da moral, da mesma forma que temos dúvidas sobre verdades científicas. Mas é difícil alguém negar, por exemplo, que ajudar um faminto é moralmente melhor do que torturar crianças inocentes.

A premissa 2.1 também não é sustentada na ignorância. Craig dá várias razões para ela, e nenhuma delas foi refutada. Listo aqui algumas delas:

1 - No ateísmo somos apenas subprodutos acidentais da natureza que evoluíram recentemente e estamos condenados a morrer individualmente e coletivamente em um período relativamente curto de tempo. Nesse cenário, os valores morais são apenas os subprodutos da evolução sociobiológica. Não há nada de especial no homo sapiens para pensar que essa moralidade é objetivamente verdadeira.

2 - Quanto aos deveres morais, na visão ateísta, os seres humanos são apenas animais. E os animais não têm obrigações um com o outro. Quando um leão, por exemplo, mata uma zebra, ele mata a zebra, mas não assassina a zebra. Ou quando um grande tubarão branco forçosamente copula com um tubarão fêmea, ele copula à força com ela, mas não a estupra. Nenhuma dessas coisas tem qualquer dimensão moral a eles. Elas não são nem proibidas nem obrigatórias. Não há razões para pensar que conosco seria diferente, no ateísmo.

3 - Se o ateísmo for verdadeiro, um dia todos vamos deixar de existir. Nesse momento não fará nenhuma diferença o que um dia nós fizemos. Tudo será esquecido e perdido. “Como morre o sábio, morre o tolo”, todos caminham igualmente para o mesmo fim. Então o valor final de qualquer ato é absolutamente zero. A longo prazo nada faz diferença. Sendo assim, as obrigações e valores morais não fazem sentido no ateísmo.

Depois o autor tenta explicar por meios naturais e sociais como adquirimos as crenças morais, como se isso de alguma forma refutasse o Argumento Moral. Mas o argumento do Craig não diz respeito ao modo como descobrimos ou aprendemos o que é certo ou errado. O argumento diz respeito a existência do certo e errado. A afirmação de Craig é que se Deus não existe, os valores e deveres morais são apenas uma ilusão. Então o modo como nós viemos a conhecer esses valores é indiferente ao argumento.

Em suma, as idéias do autor são:

G1. “Nascemos sem saber o que é certo ou errado”
G2. “Nascemos narcisistas [Nascemos buscando apenas o interesse próprio]”
G3. “A moralidade é adquirida conforme evoluímos, nos adaptamos e nos desenvolvemos baseado nas necessidades de nosso ambiente e nas regras já estabelecidas”. Uma das formas que nos influenciam é por meio de sentimentos como a dor e prazer (sentimentos primários que nos permitem sobreviver).
G4. “Tais regras, serão aceitas como verdadeiras, pois elas serão implantadas em nossa estrutura primária.”
G5. “A base Biológica em relação a sobrevivência, reprodução e qualidade de vida é a mesma para toda a espécie”, por isso que “mesmo em grupos distintos existem regras muito parecidas”.
G6. Algumas diferenças podem acontecer, devido à condições específicas de determinado ambiente. Isso explica tribos com canibalismo e sacrifícios humanos.
G7. A influência do ambiente também explica o desenvolvimento de crenças religiosas. Aí os valores morais que são impostos nessas crenças se tornam ideologias.
G8. Tais Leis e Regras contidas em qualquer ideologia, tem por base a sobrevivência, reprodução e qualidade de vida do grupo que segue essa ideologia
G9. Existem divergências entre as ideologias porque elas não vivem para o que melhor para toda a espécie, mas apenas do grupo que pratica a ideologia.
G10. O ser humano tem ‘Aversão a perda’ e por isso quer progredir moralmente. Porque uma moral superior, “aumenta a qualidade de vida, melhora a reprodução e a sobrevivência da espécie”.
G11. “Porém, o ser humano por alguma necessidade, pode reestruturar sua base moral, principalmente se está convicto a favor de alguma ideologia.” Buscando assim uma moralidade inferior.
G12. Os cristãos foram “reprogramados para negar qualquer coisa que não esteja de acordo com o que acreditam”. Isso os mantém numa moral ultrapassada, pois nosso sistema moral evoluiu muito desde a época da Bíblia.

Agora, vamos ao que interessa:

a) A primeira premissa de Craig foi refutada com isso?

Em G4, ele diz que as regras são aceitas como verdadeiras porque são implantadas em nossa estrutura primária, por fatores biológicos/sociais. Mas não explica porque as regras são realmente verdadeiras. Se Deus não existe, só acreditamos que o estupro é errado porque a maioria dos estupradores não tiveram oportunidade de gerar descendentes ou não conseguiram influenciar pessoas a pensarem como eles. Mas isso não explica porque o estupro é realmente errado. Como ele disse em G6, em alguma cultura o estupro pode ter se tornado uma coisa comum. Isso prova que, se a única base que temos para dizer se algo é certo ou errado é a nossa influência sócio-biológica, então valores morais são apenas subjetivos.

Em G10 ele tenta fornecer uma razão objetiva para a moralidade: “Uma moral superior, aumenta a qualidade de vida, melhora a reprodução e a sobrevivência da espécie.” Mas isso não responde, em primeiro lugar, por que deveríamos buscar o bem da espécie?

Em muitos casos, pensar na espécie não melhora a qualidade de vida, reprodução e sobrevivência do próprio indivíduo. Por que deveríamos priorizar a espécie em detrimento de nós mesmos? No Brasil, por exemplo, um político corrupto se dá muito bem. É provável que ele tenha uma qualidade de vida muito melhor do que se fosse um honesto. É claro que uma minoria se dá mal, mas o benefício é muito maior que o risco. Então, se ser corrupto no Brasil garante qualidade de vida, sobrevivência e reprodução do indivíduo, porque ele deveria evitar isso? Não há nenhuma razão para pensar que o que ele faz é errado.

A razão que o autor tenta nos dar é que "Uma vez que o ser humano é programado a agir de determinada maneira, este tenderá a seguir este caminho. Portanto não importa se Deus existe ou não existe, com Ele ou sem Ele, jamais tudo seria permitido. Para que ‘tudo seja permitido’ é necessário que a estrutura de certo ou errado de cada individuo, seja reprogramada para o bem de si mesmo ou o bem do grupo ao qual pertence."

Mas quando olhamos à volta vemos que é muito fácil o ser humano desobedecer essa "programação". Não dá nem pra contar quanta corrupção existe na política, economia, direito, etc. Também não dá pra contar quantas pessoas já conhecemos que são falsas, egoístas, soberbas, etc. A conduta moral que devíamos seguir é desobedecida constantemente. Como um amigo ateu uma vez disse pra mim [Felipe Ribeiro]: "No fundo as pessoas sempre se movem alimentadas pelo interesse próprio." É só olhar o mundo a volta para ver que muitas pessoas são assim em grande parte do tempo. Até mesmo se olharmos para nós mesmos, vemos que muitas vezes desobedecemos a conduta moral que acreditamos que deveria ser seguida por todos. Percebemos que, como diz a bíblia, “Não há um justo, nem um sequer.” (Rm 3.10)

Portanto se a única razão para a corrupção ser errada é essa programação na nossa estrutura, então a corrupção não é realmente errada, pois muita gente consegue mudar essa programação e pensar só em si mesmo. O certo e errado se tornam subjetivos porque dependem apenas de quem conseguir mudar ou não essa programação.

Outro ponto que ele ressaltou em G11 é que conseguimos reestruturar nossa moral se estivermos convictos de uma ideologia. Isso é uma boa razão para pensar que se Deus não existe tudo é permitido, pois basta acreditarmos fortemente em uma ideologia que permita tal coisa. Um pensamento possível é o Niilismo Moral, que é a crença de que valores morais objetivos não existem. Alguém que está totalmente convicto do niilismo poderá cometer imoralidades em muitos casos. Ele irá treinar a si mesmo para não dar ouvidos à voz de sua consciência, pois crê que ela é apenas uma ilusão social. Isso o fará ficar insensível, com o passar do tempo, a muitos dos atos imorais, como diria Paulo, “tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 Tm 4.2). A questão que deveríamos nos perguntar é: O niilismo moral é uma posição racional? No ateísmo sim. De acordo com a primeira premissa do Craig, o niilismo é a posição mais plausível, embora somente alguns ateus suportem essa verdade.

Além disso, a ética dele de sempre agir para maximizar o bem estar e sobrevivência da espécie (chamada de utilitarismo) tem dois problemas:

Pode nos levar a vários tipos de ações imorais. Um caso conhecido é o dilema do transplante. Imagine um cirurgião, num hospital onde tem um homem saudável e cinco homens morrendo por falência de órgãos. Suponha que os órgãos do homem saudável podem salvar a vida de todos os outros, não haja nenhuma outra maneira de salvá-los, e a cirurgia tenha baixo risco. Se o cirurgião tiver uma moral baseada em maximizar o bem da espécie, ele deveria matar o homem saudável e distribuir os órgãos dele entre os outros, pois assim o número de sobreviventes é maior. Mas nosso senso moral diz que isso é claramente errado! Diz que não devemos tirar a vida de um inocente à força, mesmo que isso salve outras vidas. Portanto nossa moral não deve ser baseada apenas na sobrevivência, reprodução e qualidade de vida da espécie.

É impossível prever a longo prazo o resultado de nossas ações. Ao tentar maximizar o bem da espécie, podemos acabar prejudicando ela futuramente. Como no filme Efeito Borboleta, as consequências de nossas ações são praticamente imprevisíveis a longo prazo.

Portanto o utilitarismo não é uma moral adequada, e não temos boas razões para pensar, como ele disse em G12, que a moral cristã é inferior. A não ser que já se pressuponha o ateísmo, o que tornaria o argumento circular. Assim, o autor não conseguiu refutar a primeira premissa do Argumento Moral.

b) E quanto a segunda premissa do Argumento, ela foi refutada? 

Ele pode tentar dizer que valores morais não são objetivos porque a crença neles surgiu por influência do ambiente. Não ficou claro se ele chegou a afirmar isso, pois ele não deixou claro qual premissa ele estava atacando, mas se tiver feito, poderia se responder:

1 - A forma como uma crença surgiu num indivíduo não a torna falsa. Isso seria cometer (novamente) a falácia genética.

2 - Deus pode utilizar a natureza a seu favor, então mesmo que o conhecimento moral tenha surgido por meios naturais e sociais, não significa que Deus não esteja por trás disso operando tudo, da mesma forma como na Bíblia Deus usa a natureza, pessoas e até nações como instrumentos para beneficiar ou fazer julgamento. Parece que o autor pensa que se a moral procede de Deus, todos deveríamos já nascer sabendo, ou aprendê-la de um modo sobrenatural. Mas não há razões pra pensar que seja esse o caso. O aprendizado da moral pela experiência de vida é totalmente compatível com a crença de que Deus é o fundamento da moral.

3 - Como dito antes, a nossa convicção moral é tão forte como outras crenças básicas, como por exemplo a existência do mundo externo ou a crença de que o mundo não foi criado há cinco minutos atrás. Também podemos pensar em explicações alternativas para todas essas crenças básicas. Mas a explicação mais simples e racional é que cremos nessas coisas simplesmente porque elas são verdadeiras, e não porque algum fator externo nos iludiu pra acreditarmos nelas. Qualquer ceticismo contra a crença em valores morais poderia ser usado em igual nível para essas crenças básicas, e nos levaria a um ceticismo absoluto, onde nenhum conhecimento sobre as coisas é possível. Logo, a posição mais racional é aceitar a segunda premissa. 

Se as duas premissas permanecem, a conclusão do argumento é inevitável: Deus existe!

Ainda sobre o Argumento Moral, podemos ver, em outros trechos do seu texto, que ele não compreendeu corretamente as premissas do argumento:

“Vamos supor que deus não exista. Naturalmente para um teísta os valores morais objetivos não existem. Logicamente na mente deles, as pessoas se tornariam más e começariam a praticar a maldade, visto que não possuem uma base para saber o que é certo ou errado. Analisando o mundo moderno, milhares de pessoas são ateus. Logicamente espera-se que esses ateus sejam pessoas ruins e más, pois não vivem de acordo com as regras e Leis divinas.”

O argumento não é de que precisamos acreditar em Deus para sermos bons. Grande parte dos ateus fazem o bem porque acreditam que valores morais existem, mesmo que essa crença seja totalmente incompatível com seu ateísmo. Um ateu que quisesse ser coerente com seu ateísmo, deveria se tornar amoral. Mas a maioria dos ateus não entende isso. Deveriam aprender com o filósofo ateu Richard Taylor, que diz: “O conceito de obrigação moral é ininteligível quando dissociado da ideia de Deus. As palavras permanecem, mas o significado delas se perde.” (Richard Taylor, Ethics, Faith, and Reason)

“Se é dito que sem deus não podemos saber o que é certo ou errado, então não seria necessário existir uma base através da dor e do prazer. Ou seja, a conexão moral viria diretamente de deus, porém não é bem assim que acontece.”

“Eles [os cristãos] dizem que [no ateísmo] não existe uma base moral e que tudo é subjetivo, porém ignoram completamente como somos estruturados e muito menos se preocupam com os processos cerebrais dos quais sem eles não saberíamos o que é certo ou errado.”

Aqui mais uma vez ele confunde a existência dos valores com o modo que nós os aprendemos. A forma como viemos a conhecer os valores não está em questão no argumento moral. Ele também ignora a possibilidade de Deus usar a dor e prazer como meios de nos ensinar o que é certo e errado.

Como vimos, o autor não conseguiu refutar o argumento moral, mesmo se toda a sua teoria sobre como aprendemos a moral fosse verdadeira. Mas ainda assim, há uma grande falha nessa teoria: se somos produtos ao acaso da seleção natural, não era de se esperar que a crença de que devemos ser altruístas se formasse em nós. 

Como o biólogo Francis Collins, que foi diretor do projeto Genoma Humano, afirma: “O ágape, ou o altruísmo, apresenta-se como um importante desafio aos evolucionistas. Trata-se, sinceramente, de um escândalo para o raciocínio reducionista. Não pode ser responsabilizado pelo impulso de se perpetuar dos genes egoístas do indivíduo. Muito pelo contrário: pode levar os seres humanos a realizar sacrifícios que trarão sofrimento pessoal, ferimento ou morte, sem prova alguma de benefício.” (Francis Collins, A linguagem de Deus)

Em seu livro, Collins aponta que alguns biólogos tentaram encontrar algum benefício indireto que o altruísmo gere na seleção natural da espécie, porém sem sucesso: 
“Uma suposição é de que os repetidos comportamentos altruístas de um indivíduo são reconhecidos como atributo positivo na seleção do companheiro. Tal hipótese, entretanto, entra em conflito direto com observações feitas em primatas não-humanos que, em geral, mostram o oposto, por exemplo, a prática do infanticídio por um macaco recém dominante para limpar o caminho a sua futura ninhada.
Um outro argumento é o de que benefícios recíprocos indiretos, oriundos do altruísmo, proporcionaram vantagens ao praticante durante o período da evolução; no entanto, essa explicação não leva em conta a motivação do ser humano para praticar pequenos atos de consciência a respeito dos quais ninguém mais sabe.
Um terceiro argumento é o de que o comportamento altruísta entre membros de um grupo beneficia o grupo todo. Como exemplos temos os formigueiros, nos quais operárias estéreis trabalham de maneira árdua e incessante para criar um ambiente onde suas mães possam gerar mais filhos. Esse tipo de altruísmo das formigas, contudo, é prontamente explicado em termos evolucionários pelo fato de os genes que incentivam as formigas operárias estéreis serem exatamente os mesmos que serão transmitidos pela mãe aos irmãos e irmãs que aquelas estão ajudando a criar. Os evolucionistas agora concordam, quase unânimes, que essas conexões de DNA incomuns não se aplicam a populações mais complexas, nas quais a seleção trabalha no indivíduo, não na população. O comportamento limitado da formiga operária, portanto, apresenta uma diferença essencial com relação à voz interior que faz com que eu me sinta compelido a saltar no rio para tentar salvar um estranho que está se afogando, mesmo que eu não seja um bom nadador e possa morrer na tentativa. Além disso, para que o argumento evolucionário referente a benefícios grupais de altruísmo se mantivesse, seria necessária, aparentemente, uma reação oposta, ou seja, a hostilidade a indivíduos que não fizessem parte do grupo. O ágape de Oskar Schindler e Madre Teresa distorce esse tipo de raciocínio. Choca saber que a Lei Moral me pede que salve alguém que está se afogando, mesmo que seja um inimigo.”
Portanto, a teoria de que a moral foi sendo adquirida por meios naturais conforme evoluímos, além de ser especulativa, também contraria a própria forma como a seleção natural funciona.

3. O Ajuste Fino


O argumento do Ajuste fino possui a seguinte estrutura:
3.1 O ajuste fino do universo é devido a qualquer necessidade física, acaso ou design.
3.2 Não é devido a necessidade física ou acaso.
3.3 Portanto, é devido ao design.
O autor alega que esse argumento é baseado na ignorância por dois motivos:

“(A) O fato de não saberem se existem outros universos, visto que somos limitados, ou seja, nossa visão em relação ao universo vai até determinado limite, não sabemos nada além deste limite.”

Porém Craig considera essa hipótese e inclusive explica porque o multiverso não é a melhor explicação para o ajuste fino. Isto será retomado mais adiante.

“(B)  Não compreender como tal ajuste veio a acontecer.”

O argumento de Craig possui a estrutura de um argumento dedutivo, ou seja, só pode ser refutado se uma das premissas for invalidada. Não se pode apenas dizer: “É baseado na ignorância.”. É preciso mostrar qual das premissas está errada ou o argumento continua de pé!

O autor diz que o multiverso é o principal contra argumento contra o Design. Craig, por sua vez, oferece três objeções ao multiverso:

O próprio multiverso também envolve o ajuste fino. Para ser cientificamente credível, a Hipótese de Muitos Mundos tem que postular algum tipo de mecanismo para gerar esses muitos mundos. Mas esse mecanismo precisa ser bem sintonizado. Os mecanismos propostos para gerar o muitos mundos são tão vagos que está longe de ser evidente que a física que rege o multiverso estará livre de ajuste fino. Por exemplo, se a Teoria-M é a física do multiverso, então permanece sem explicação porque existe apenas e exatamente 11 dimensões (necessárias para a teoria-M funcionar). A teoria em si não explica por que existe esse número particular de dimensões. Os mecanismos que geram os universos na Teoria-M também exigem algumas condições muito específicas para que funcionem. Apenas postular um multiverso não é por si só suficiente para explicar o ajuste fino, porque não é de todo claro que o próprio multiverso não envolve o ajuste fino.

O autor responde dizendo que o multiverso não é uma máquina, e sim uma estrutura, no qual “cada universo pertence a essa estrutura, ou seja, não está ausente ou fora da estrutura.” Mas isso não resolve o problema, porque sabemos que o nosso universo não é eterno. Essa “estrutura” precisaria ter um mecanismo ou condições iniciais ajustadas para criar universos em momentos que eles não existiam. Ou seja, não resolve o problema do ajuste fino.

Não existe nenhuma evidência independente, além de sintonia fina, para a existência do multiverso. Em contraste, existem evidências independentes de que há um Designer. O autor afirma que isso é um argumento da ignorância ou "Deus dos mistérios" porque “como a ideia não pode ser comprovada no momento, o mesmo leva a alegação de que deus é necessário, enquanto não sabemos mais sobre o multiverso.” Mas comparado ao multiverso, a hipótese de um designer é mais plausível, porque existem evidencias independentes para ele. Por exemplo, o argumento da contingência de Leibniz e o argumento cosmológico Kalam são razões independentes para pensar que existe um Designer do universo, mas não há razões independentes para pensar que um multiverso existe. Contra isso ele responde:

“Se existe uma estrutura da qual o Big Bang [se formou], então naturalmente em outros lugares desta mesma estrutura outros Big Bangs podem ter ocorrido. O que nos leva a dizer que o Multiverso tem uma base sólida e plausível com os fatos.”

Ele está supondo duas coisas:

* Há alguma espécie de “tempo”, “espaço” ou dimensões suficientes nessa estrutura para que seja possível uma quantidade gigantesca de outros universos se formarem sem colidirem uns com os outros nem com o nosso.

* A “estrutura” que provocou nosso universo é capaz de gerar outros universos com configurações diferentes dos nossos.

Essas duas suposições são necessárias para que a hipótese dele seja verdadeira, mas não temos nenhuma evidência disso. Então nem de longe podemos dizer que o multiverso tem uma “base sólida e plausível com os fatos”.

Como a hipótese de um designer tem um poder explanativo maior e evidências independentes, é portanto bem mais plausível que a hipótese do multiverso. Parece que o multiverso é que é só um argumento da ignorância para explicar o ajuste fino. Um “multiverso dos mistérios”.

Há uma forte objeção ao multiverso no ateísmo. Se houvesse um multiverso sem Deus, era de se esperar que nosso universo fosse bem mais simples! De acordo com a Segunda Lei da Termodinâmica, processos que ocorrem em um sistema fechado tendem a um estado de desordem. O multiverso também é um sistema fechado, então após um tempo ele chegaria no equilíbrio termodinâmico. Há uma hipótese para evitar essa conclusão, que é atribuída ao físico alemão Ludwig Boltzmann (embora no tempo dele nem se pensava em multiverso). Pode-se pensar que talvez o multiverso esteja realmente equilibrado, mas ocorram flutuações aleatórias em vários lugares que produziriam pequenas bolsas de desequilíbrio no mar global de equilíbrio. A hipótese sugere que talvez o universo que observamos seja um desses desequilíbrios. O problema da "hipótese de Boltzmann" era que, se o nosso mundo é apenas uma flutuação de desequilíbrio, então é muito mais provável que nós deveríamos estar observando uma região muito menor de ordem. Uma pequena região de desequilíbrio é incomensuravelmente mais provável, do que o vasto universo que vemos, e ainda seria suficiente para a nossa existência. Portanto, essaa hipótese foi rejeitada pela física contemporânea. 

Acontece um problema exatamente paralelo ao de Boltzmann na Hipótese de Muitos Mundos. Essa objeção foi muito vigorosamente afirmada por Roger Penrose, da Universidade de Oxford, em seu livro, The Road To Reality. Penrose recorda que as chances de condição de baixa entropia inicial de nosso universo são incompreensivelmente pequenas - uma chance em 1010123. Por outro lado, ele diz que as chances de nosso sistema solar ter apenas se formado por acidente por uma colisão aleatória de partículas seria de cerca de uma chance em de 101060. Apesar de pequena, essa chance é absurdamente maior que uma em 1010123. Isso significa que, se somos apenas um membro aleatório de um multiverso, então deveríamos estar observando um universo não maior do que o nosso sistema solar. Porque este tipo de universo é muito, muito mais provável do que aquele que está ajustado para a nossa existência. Há simplesmente muitos, muitos universos mais observáveis ​​no multiverso que são pequenos, com o tamanho do nosso sistema solar, do que grandes como o universo bem afinado que observamos.

Até mesmo a probabilidade de vir a existir um cérebro com falsas memórias e ilusão de um universo grande, através de uma variação térmica no equilíbrio por acaso, também é em torno de 1:101060. Isto é muito mais provável do que nosso universo ser realmente ordenado como ele é! Isso nos leva a conclusão de que se você quiser aceitar a hipótese dos muitos mundos para explicar o ajuste fino, você é racionalmente obrigado a acreditar que você é só um cérebro e que seus amigos, sua casa, o mundo externo, são todas as ilusões de sua consciência projetada. Bem, nenhuma pessoa sã acredita que ele é um cérebro "Boltzmann". Portanto, nossa crença de que observamos este grande universo ordenado desconfirma a hipótese de muitos mundos.

Ironicamente, a melhor esperança para os partidários de uma teoria do multiverso é o teísmo. Isto porque, se Deus existe, ele pode criar muitos mundos e planejá-los para ter a vida em si de acordo com seu design. Eles não seriam ordenados aleatoriamente. Portanto, a fim de ser racionalmente aceitável, a hipótese de muitos mundos requer Deus. 

O autor não respondeu a essa objeção.

Em seguida, o autor afirma que o universo não foi ajustado para a vida pelos seguintes motivos:

- Bastava o sistema solar para existirmos, e não o universo todo.
- A vida inexiste na maior parte de nosso universo.
- Há pouco tempo atrás a terra não tinha suporte a vida.
- Nosso universo está indo para a destruição.

Em primeiro lugar, é possível que Deus tenha criado ou queira criar seres vivos em outros planetas. Simplesmente não sabemos.

Em segundo lugar, o propósito do universo não é somente a vida, mas também expressar a grandeza e glória do criador. A vida humana é uma parte desse propósito, mas não a única. Um universo gigantesco como o nosso nos faz reforçar como Deus é grande, poderoso e criativo. E mesmo quando não havia humanos, o universo já podia ser admirado, ou pelos anjos ou até mesmo pelo próprio Deus, que olhou para seu universo criado e “viu que era bom”, como um artista que se alegra com sua própria obra-prima. Nada disso anula que o nosso universo foi especialmente ajustado para criar seres vivos, no seu devido tempo e lugar.

O fim do universo também não anula que ele está ajustado para a vida. Só não está ajustado para a vida eterna. Deus quer que tenhamos nosso tempo aqui, mas que esse mundo contaminado pelo pecado não seja nosso destino final.

Concluindo, o autor não nos apresentou razões suficientes para abandonar o Argumento do Ajuste Fino.

4. O Infinito não é apenas uma ideia


“William Lane Craig em seu debate contra Christopher Hitchens, declara que ‘o infinito é apenas uma ideia, não é real’. Porém o próprio William Craig não tem problema em dizer que ‘deus é infinito em poder’.”

O poder é algo abstrato, por isso o infinito existe em coisas abstratas, como na matemática, ou em referência a onipotência de Deus. Só para deixar claro, observe os exemplos: tênis (esporte) é abstrato, enquanto o tenista (jogador) é concreto. Craig diz que o infinito não pode existir como algo real (concreto), mas pode existir como algo abstrato. Não há nenhuma contradição no que Craig disse.

“Outro exemplo fácil e simples de entender de como o infinito é algo real, basta lembrar que o universo continua em expansão.”

Não tão rápido! Além de o Universo ser curvado sobre si mesmo (o que está explicado aqui), para que se possa dizer que existe algo infinito na realidade (ou que pelo menos é possível), é preciso refutar os argumentos contrários a essa possibilidade. E existem vários argumentos a respeito disso, o mais comum é justamente o raciocínio original que sustenta a segunda premissa do Argumento Cosmológico Kalam (que falhou em ser refutado pelo autor). Mas ainda há uma versão mais nova deste argumento, que é defendida por Craig no seu livro. Ou, se quiser, há o paradoxo do Hotel de Hilbert. Enfim, nada disso foi abordado pelo autor.

5.   Não existe um deus totalmente bondoso


Nessa dica o autor tenta apresentar atitudes imorais de Deus na Bíblia. Mesmo que ele encontrasse alguma, isto não provaria que Deus não existe, ou que Jesus não ressuscitou dos mortos, mas apenas que a Bíblia não é totalmente inerrante. Nesse caso teríamos que analisar se erros nesses trechos poderiam afetar as doutrinas fundamentais da fé cristã. Mas vamos analisar suas acusações e ver que não temos necessidade de abandonar a inerrância bíblica.

“Na Bíblia existem diversas passagens, principalmente no antigo testamento de que deus é tanto responsável pelo bem quanto pelo mal. A principal evidencia Bíblica para esse caso é justamente arvore com o conhecimento do bem e do mal. Somente alguém que controla tanto o bem quanto o mal é capaz de colocar o mal e o bem dentro de uma árvore.”

Alguns consideram essa árvore uma alegoria, mas mesmo se for literal, a Bíblia não diz que deus colocou o bem e o mal na árvore. Ele colocou o conhecimento do bem e do mal. Conhecimento por si só não é mau. Deus por ser onisciente sabe todas as coisas, até mesmo o que é bom e mau. Mas isso por si só não faz dele mau.

“Essa ideia de um deus totalmente bondoso não existia na crença do povo de Israel. Essa ideia surgiu depois, justamente com a vida de Jesus Cristo.”

  • “Porque a tua benignidade se estende até aos céus, e a tua verdade chega até às mais altas nuvens.” (Sl 108.4)
  • "Louvai ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre" (Sl 136.1)
  • “...tu, ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te, e grande em beneficência, tu não os desamparaste” (Ne 9.7b)
  • “Pois tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam.” (Sl 86.5)
  • “Porém tu, Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, sofredor, e grande em benignidade e em verdade.” (Sl 86.15)
  • “Piedoso e benigno é o SENHOR, sofredor e de grande misericórdia” (Sl 145.8)
  • “Tenho eu algum prazer na morte do ímpio? diz o Senhor Deus. Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” (Ez  18.23)

Todos esses trechos são do Antigo Testamento, bem antes de Cristo!! Vemos que os judeus já acreditavam num Deus de bondade imensurável ("se estende até aos céus", "dura para sempre"), misericordioso e que ama até mesmo os ímpios e deseja que eles se arrependam e vivam.

A Bíblia e a Escravidão. Quando a Bíblia começou a ser escrita, o homem já tinha criado estruturas sociais e sistemas econômicos contrários aos princípios divinos. Embora Deus condenasse em sua Lei escrita algumas práticas dessas estruturas, ele decidiu tolerar outras, como a escravidão. Não que a escravidão seja boa, mas o povo ainda não estava socialmente preparado para deixar essa prática. Mesmo assim, Deus regulamentou a escravidão para que, caso fosse praticada, os escravos tivessem um tratamento mais humano e amoroso. Não vou dar mais detalhes sobre isso porque há um artigo sendo preparado exclusivamente sobre esse assunto. O link será deixado aqui quando estiver pronto.

“Além dos textos dos quais afirmam que Deus faz o mal e também o bem, existem as questões de guerras e das ordens divinas que em muitos casos são bem embaraçosas de dizer que deus é totalmente bondoso. Cerca de 25 Milhões de pessoas morreram em cerca de 4 milênios nas mãos de deus, segundo os relatos Bíblicos.”

Tecnicamente, todas as pessoas que já morreram, morreram nas mãos de Deus, porque não cai nenhum fio de cabelo nem morre um pássaro sem a permissão dele (Mt 10.29-30). Ele é quem nos deu a vida, não tem nenhuma obrigação de prolongá-la indefinidamente, nem mesmo prolongá-la até a velhice. Também não tem nenhuma razão moral que o impeça de usar pessoas como instrumento de sua justiça.

“Além do mais que os teístas mais ignorantes acreditam que Gênesis 1 é uma demonstração de que nós fomos criados ‘bons’.(...) A palavra ‘Bom’ em gênesis é utilizada como ‘satisfeito pelo que fez’ é o mesmo que sua mãe preparar o almoço e dizer ‘como ficou bom’. Ela demonstra satisfação pelo que fez.”

Concordo que ‘bom’ nesse caso é demonstração de satisfação. Mas como Deus é bom (segundo os trechos do Antigo Testamento que eu mostrei), ele não ficaria satisfeito com um ser humano maligno. Podemos então concluir que pelo menos Ele criou o ser humano sem pecado.

“Um dia Jesus teve vontade de comer frutas, se aproximou de uma árvore e a amaldiçoou por não ter frutos, o que é bem estranho pois:
(A) Não era o tempo de colheita e de frutos
(B)Se ele amaldiçoou a árvore, quer dizer que ele tem a capacidade de fazer o mal a árvore, porém não é capaz de criar um fruto ou permitir que a árvore dê frutos antes da época. Mesmo que seja capaz de transformar o vinho em água, ressuscitar pessoas dos mortos, andar sobre as águas.”

A atitude de Jesus foi uma forma de ensinamento. Jesus usava essa analogia de árvores e frutos em várias parábolas. As árvores simbolizam a gente. Ele virá a qualquer momento sem avisar, por isso temos que estar sempre preparados (Mt 24.42-44). Os frutos são o arrependimento e as boas obras: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; (...) toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.” (Mt 3.8-10). Não devemos ficar adiando para nos arrependermos e seguirmos Ele achando que ainda não é nosso tempo, ou que estamos muito jovens pra isso. A hora de darmos frutos é agora! Além disso, o que Jesus também serviu para demonstrar sua autoridade de Messias e o poder da fé. (Mt 21:20-22)

“Em outra ocasião uma mulher deu tudo o que tinha para Jesus, somente duas dracmas. Jesus então deu o discurso mais cruel de todos os tempos dizendo que tal mulher deu mais do que todos, pois deu tudo o que tinha. Tal discurso é utilizado até hoje para conquistar dinheiro dos fiéis. Além do mais, que para os olhos dos menos afortunados, está história pode passar em branco, porém lembre-se que, essa mulher voltou pra casa, ficou sem o que comer, ficou dependendo de favores. Jesus em todo o seu conhecimento e poder, não transformou as moedas em várias moedas como fez com os pães e peixes e muito menos disse, ‘leve essas moedas contigo mulher, você precisa delas mais do que eu preciso’.”

Em primeiro lugar, a mulher não deu para Jesus, ela depositou na arca do tesouro do templo (Mc 12.41-44). Jesus não ganhou dinheiro nenhum. Se Jesus multiplicasse as moedas dela aí sim que isso serviria para os pastores ensinarem a ficarmos barganhando com Deus, dando só por interesse de receber algo em troca. O cristão tem que ter consciência que Deus não tem nenhuma obrigação de nos dar algo em troca da nossa oferta, pois tudo o que existe já é dEle por direito. A verdadeira doação é sem interesses. Além disso, Jesus com todo o seu conhecimento e poder sabia que Deus a sustentaria sem precisar ficar exibindo isso ao público interesseiro.

6. A Ressurreição de Jesus e a Tumba Vazia


Nota: vale lembrar que já há um excelente artigo aqui no blog sobre o assunto, para quem quiser conferir: 23 Argumentos para a validade histórica da Ressurreição de Jesus Cristo.

“Muitas pessoas cometem um grande equivoco de utilizar a Bíblia como se fosse inteiramente verdadeira.”

O Dogma da inerrância bíblica é teológico, e não histórico. O argumento utilizado pelo Craig não precisa da inerrância bíblica para funcionar. Ele sustenta que dado determinados eventos históricos, a ressurreição física de Jesus é a melhor explicação para estes fatos históricos. Como o erudito em Novo Testamento Gary Habbermas atesta, a conclusão de que Jesus ressuscitou dos mortos pode ser alcançada por alguém que não considera a Bíblia inspirada, mas confiável, ou que alguém que não a considera confiável (além de que alguém que a considera inspirada), pois através de métodos históricos, de pode estabelecer uma lista de fatos que são consensualmente ou majoritariamente considerados como históricos entre os historiadores de todos os espectros ideológicos, e a partir deles induzir a conclusão de que Jesus ressuscitou. Sendo assim, a Bíblia não sendo inteiramente verdadeira, não implica em nada na historicidade da ressurreição de Cristo.

“William Lane Craig é um desses ( cego ).”

Ad hominem.

“(A) As divergências entres os evangelhos
Os evangelhos entram em contradição e mentem diversas vezes. Demonstrando que existe sim falhas e erros quando comparamos os evangelhos em relação a mesma história.“

Nenhuma argumentação justificativa. Além do mais, como relatos triviais, como a quantidade a anjos presentes no túmulo, ou a quantidade de mulheres que foram ao túmulo no domingo de manhã, pode refutar a historicidade da ressurreição de Cristo?

“Neste caso, em relação a ressurreição entram os pontos de divergência, que dizem que, se utilizarmos os pontos de divergência, será impossível compreender qual história é verdade ou falsa.”

Vamos estruturar o argumento do autor, e aplica-lo a um episodio da páscoa, por exemplo, a visita ao tumulo pelas mulheres no domingo.
P1. Duas testemunhas mencionam que no local havia 2 pessoas (Marcos e Mateus)
P2. Outra testemunhas mencionam que no mesmo local havia mais de 3 pessoas (Lucas)
P3. Uma quarta testemunha menciona apenas uma pessoa presente (João)
P4. Logo, é razoável pensar que nunca houve uma visita ao túmulo por parte de um grupo de mulheres no domingo de manhã.
Esta é exatamente a estrutura indutiva que você esta defendendo. Ela é filosoficamente incoerente e metodologicamente (historiografia) nula. Porque eu digo que ela é metodologicamente nula? Porque os historiadores quando estudam o passado, desenvolvem metodologias ´que envolvem critérios de análise críticos, e a aplicam em seus estudos para poderem conhecer o passado com a maior confiabilidade possível. Por exemplo, existe o critério de múltipla atestação, que diz que quanto mais um evento é atestado por fontes múltiplas e independentes, maior probabilidade de ser histórico ele é. Outro critério interessante é o critério de constrangimento, que diz que algum conteúdo dos Evangelhos que fosse embaraçoso, tanto para Jesus como para seus discípulos, possui maior possibilidade de ser histórico. Se aplicarmos este critério a visita ao tumulo por parte das mulheres, vemos que ele corrobora a favor de sua historicidade, pois é altamente improvável que os Evangelistas fossem colocar mulheres como as principais testemunhas oculares do túmulo vazio, visto a posição legal e discriminada que as mulheres possuam no mundo antigo. Esses são apenas alguns breves exemplos, para você ter uma noção do que é metodologia aplicada ao estudo historiográfico.

“Quanto mais um determinado evento é importante, menos divergências eles possuem.“

Qual a base desta sua afirmação? Ela leva em conta a tradição oral? Múltiplas fontes independentes de segunda geração? Neste ponto, pressupondo que os autores dos Evangelhos não foram de fato quem a tradição atribuiu como sendo os autores. Pelo menos no que tange a autoria do Evangelho de Mateus, eu [Djonatan Küster] me considero um liberal. Marcos e Lucas não são testemunhas de primeira geração. E João, eu ainda defendo como sendo de fato João, o autor do Evangelho, mas a questão da autoria é irrelevante nesta discussão, pois eu posso me posicionar como um liberal e ainda defender a ressurreição e a confiabilidade dos Evangelhos da mesma maneira. Leva em conta também, tendências pessoas e teológicas? escrita relativamente tardia dos documentos? Enfim, são alguns pontos a serem observados. Outro detalhe, se aplicarmos esta ideia aos Evangelhos, vemos que ela não é necessariamente verdadeira. A ressurreição de Cristo foi o evento mais importante presenciado por daqueles discípulos, e mesmo assim vemos que a história da paixão é contada cronologicamente e com divergência quantitativas pelas fontes antigas. Mas como o autor apontou, a história central se mantém quase intacta.

“Isso quer dizer que se Jesus apareceu para todos os discípulos, todos devem comentar sobre a história ou relatar a história, tendo o assunto central sendo o mesmo. Porém, o que encontramos é que, em certos evangelhos nem é mencionado tal aparição enquanto em outro evangelho é mencionada tal aparição.”

O fato de não ser mencionada não quer dizer que não ocorreu. Cada autor do evangelho relatou o que quis relatar sobre Jesus, ou o que considerava mais importante do seu ponto de vista (vale lembrar que cada evangelista tinha um público-alvo diferente: Mateus foi escrito para os judeus, Marcos para os romanos, Lucas para os gregos e João para os não-judeus em geral). Vemos muitas coincidências nos relatos dos evangelhos, mas não há nenhuma necessidade de que todos os episódios estejam relatados em cada um deles.

7. O Argumento pessoal se baseia inteiramente na ignorância


Nota: Para quem não conhece, aqui Craig explica um pouco como funciona o testemunho do Espírito Santo.

Lembrando que esse não é um argumento a favor da existência de Deus. Não pode ser usado para convencer um ateu que Deus existe. Esse argumento serve pra mostrar que é possível um cristão crer racionalmente em Deus mesmo sem nenhum argumento, baseado no testemunho do Espírito Santo.Vamos às objeções do autor:

“Existem Milhões de deus e todos são acreditados como verdadeiros, não importa a cultura ou o país. Pessoalmente, todos os deuses são verdadeiros para quem acredita neles. Cada pessoa sente deus de uma forma diferente. Sabemos que utilizando os argumentos teístas para a existência de deus, somente um deus é necessário. O que implica que Milhões de deuses são falsos.”

Nem todas as religiões afirmam que existe um testemunho interno de autenticação parecido com o testemunho do Espírito Santo, que o cristianismo ensina na sua doutrina. Antes de afirmar que milhões de deuses diferentes são “sentidos”, ele deve mostrar quais religiões realmente afirmam isso.

“É impossível saber qual deus é verdadeiro através do argumento pessoal. Se alguém acredita em um deus falso como verdadeiro, e se alguém acredita em deus verdadeiro, será impossível saber qual o verdadeiro.”

Mas a pessoa que tem a experiência pode saber que ela é verdadeira por experiência própria, mesmo que a outra diga que não é. Suponha que há um testemunho verdadeiro e autêntico do Espírito Santo para as grandes verdades do Evangelho que eu experimento. Será que isso significa que ninguém mais pode falsamente afirmar ter essa experiência? Obviamente não! As pessoas podem dizer o que quiserem. Como o fato de que outras pessoas afirmam falsamente, com ou sem sinceridade, ter um testemunho do Espírito Santo invalida o testemunho que eu experimento? Por que eu deveria ser roubado de minha alegria e certeza da salvação e da verdade na fé cristã só porque alguém alega falsamente ter um outro testemunho? Se o mórmon ou muçulmano falsamente alega ter um testemunho interior do Espírito Santo para a verdade do Mormonismo ou Islamismo, parece que isso não faz nada de lógico para minar a veracidade de uma alegação autêntica de um testemunho do Espírito Santo.

“Algo muito complicado dos teístas aceitarem é que, qualquer crença é falsa.”

Inclusive a crença no ateísmo? A crença no mundo externo? A crença de que eu e você existimos? Se toda crença é falsa, a crença de que qualquer crença é falsa também é falsa? Se for assim nem toda crença é falsa. Essa frase se auto-contradiz.

“Somente existem para dar algum sentido para que o individuo continue a sobreviver pela maior quantidade de tempo que puder, exceto por aqueles que preferem se matar ou a matar em nome de deus.”

Especulações, sem nenhuma comprovação. Está pressupondo o naturalismo. Além disso, isso nos levaria a um ceticismo total. Se toda crença só existe para que o indivíduo sobreviva, então não podemos confiar nas nossas faculdades cognitivas, pois muitas crenças falsas podem contribuir para a sobrevivência de igual forma. Então temos um invalidador para qualquer crença, inclusive a crença nessa afirmação. Portanto essa afirmação também é auto-refutável.

Alvin Plantinga fez um argumento parecido, mostrando que o ateísmo naturalista é auto-refutável. (Você encontra este argumento aqui no blog)

“Para [as crenças] serem diferenciadas é necessário um processo em nossos cérebros que as separe. A crença, assim como o Sentido de vida, nada mais é do que um desses diversos processos cerebrais. Existem vários processos, os que lembro de momento são as associações, Aversão a perda, Sentido de Vida, Crenças, reconhecimento de padrões, entre outros. Temos todas essa questões que são processos, porém o teísta ignora essa informação e diz que a conexão com deus é exceção. Dizem que a conexão com deus é algo sobrenatural e não natural.”

Não há nenhuma comprovação de que todas as nossas crenças são fundamentadas apenas em causas naturais. Então se um cristão tem uma experiência de Deus, não há razão nenhuma para ele negar isso. Além disso, a crença de que um desses processos citados é necessário para uma crença ser racional não foi justificada e assume a priori que esses processos são capazes de decidir quais crenças são verdadeiras.

“Se crianças acreditam que o Papai Noel existe, mesmo que seja uma mentira, temos a evidencia clara de que nosso cérebro não faz separação em relação a crença sobre o que é real ou imaginação enquanto não existir algo que separe imaginação de realidade. A criança sente o que um teísta sente em relação ao deus que acredita.”

Isso é uma falsa analogia. Não conheço nenhuma criança que diga ter um "testemunho interno" da presença de Papai Noel. Pergunte pra uma criança. As crianças acreditam em Papai Noel por meio de falsas evidências e argumentos falaciosos. Por exemplo: 

a) Todo natal aparecem brinquedos pra ela. Os familiares dizem que foi Papai Noel (Evidência forjada). Ela confia no que os familiares falam, porque ela pensa que já que eles amam ela, eles não iriam mentir pra ela. Ela ignora a possibilidade de os pais terem motivações para mentir para ela, mesmo a amando.

b) A criança percebe que todas as outras também afirmam receberem presente de Papai Noel. E também na televisão tem vários filmes e desenhos que falam que Papai Noel existe. Isso dá mais força pra sua crença, porque pra ela parece improvável que todas essas pessoas estejam enganadas ou mentindo sobre a mesma coisa (Falácia ad populum - apelo à multidão).

Portanto, a crença em Papai Noel é baseada em inferências. Não é igual a de alguém que experimenta o testemunho pessoal com Deus. Este último tem uma crença básica, que não é baseada em argumentos, mas pela sua experiência pessoal.

“a forma como as pessoas se ‘conectam’ com deus, hoje, possuí diversas explicações.”

Quais? Comprovadas ou só especulações?

“O que a pessoa sente depende do sistema Límbico. O que a pessoa vê, depende do sistema de memórias e de armazenamento de dados. O que faz um teísta acreditar nas vozes que houve em sua cabeça ou nas imagens que vê, ou no que supostamente deveria fazer ou não fazer, demonstra que o mesmo tem enorme ignorância sobre como o cérebro de fato funciona. Se o mesmo compreende como o cérebro funciona, o mesmo pararia de dizer e falar sobre tal conexão com deus.”

Não vi nenhuma relação de uma coisa com a outra. E quanto aos milhares de cristãos que são psicanalistas, psicólogos, biólogos, neurologistas, etc? Será que eles não entendem nada de como o cérebro funciona? Não vi nenhuma razão para o entendimento de como o cérebro funciona invalidar a crença na experiência pessoal com Deus.

“Porém peça para qualquer um deles demonstrar ou evidenciar a conexão e nenhum deles vai poder lhe dizer. Perceba também que os teístas afirmam essa conexão antes mesmos de terem qualquer fato ou evidencia a favor. Eles simplesmente acreditam na ideia, não importando se a ideia é falsa ou não. O que oferece evidencias de que ideias podem ser aceitas como verdadeiras mesmo quando são falsas.”

Não precisamos evidenciar nenhuma conexão para sermos racionais em acreditar nela. Antigamente ninguém sabia como o cérebro funcionava e nem por isso ficava cético de todas as suas experiências cognitivas. O argumento de Craig é que a crença em Deus está no mesmo nível das crenças básicas, como a crença no mundo externo, no passado, etc. Nenhuma dessas crenças pode ser evidenciada, mas nossa experiência com elas nos tornam perfeitamente racionais em acreditar nelas.

Bom, concluindo, creio que nenhuma das dicas funcionaria bem em um debate com o Craig, pois ele mesmo já respondeu a algumas dessas objeções, e não é difícil pensar em outras respostas, como fizemos neste artigo. Por isso, Craig segue invicto na sua saga de debates em defesa da Fé racional (ou Reasonable Faith, que é o nome de seu site e do seu principal livro). Por fim, aproveitem um leve momento de descontração com o nosso amigo William Lane Craig:


 ;)

54 comentários :

  1. Obrigado David. Sou o autor da postagem e muito obrigado pela resposta. Como iniciamos nosso debate no Facebook, faço questão de responder com uma postagem em meu blog. Até lá então.

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    1. 'Cerca de 25 Milhões de pessoas morreram em cerca de 4 milênios nas mãos de deus, segundo os relatos Bíblicos.”

      Qual a fonte disto? Quais historiadores, teólogos e arqueólogos afirmam ou comprovam esse ACHISMO extraordinário? Isso se chama A-C-H-I-S-M-O NEO ATEÍSTA

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    2. Se deus matou 25 milhões ?

      Alguns milhões deve ter matado, visto que exterminou toda a raça humana, com excepção de uma família, destruiu cidades, mandou exterminar povos inteiros e toda a oposição dentro do seu próprio povo, etc.

      Por isso, se matou 25 milhões, 10 milhões, 1 milhão ou 100 milhões não importa.

      O que podemos ter a certeza é que é mau como as cobras.

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    3. Descubra como responder a um ateu: as provas para existência de Deus => http://bit.ly/SaibaComoResponderAUmAteu

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    4. Muito boa postagem; muitos ateus falam que Deus é mau, por dizimar povos inteiros,na verdade ele foi justo em dizimar aqueles povos; se ler o velho testamento fica fácil de entender, mas do jeito que os ateus falam parece que os povos exterminados eram coitadinhos.

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  2. Só lembrando que não existe 'refutar' o argumento cosmológico, tanto porque o argumento cosmológico demonstra a necessidade de uma Causa primária e tudo que os teístas fazem é atribuir as características dessa 'Causa Primária' como características de um determinado Deus. E assim Deus se torna a causa primária. Como o autor da resposta tem dificuldade em separar as características de uma 'Causa primária' acaba aceitando de alguma forma sem questionar esse abismo entre causa e característica.

    O argumento cosmológico não prova a existência de deus e nem serve como argumento a favor da existência de Deus, mas sim de uma causa primária. O argumento é dedutivo e não afirmativo de que a causa é Deus, mas sim de que a causa primária 'pode' ser deus.

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    1. vc tem que provar que jeova é a causa primaria,seu jumento
      deduzir que jeova é a causa primaria não é sinal de evidencia muito menos uma prova

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    2. De que nome você chamaria um ser pessoal, que transcende o tempo e espaço, extremamente poderoso, incausado e criador do universo? Só consigo pensar no nome Deus.

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    3. Caro Gabriel,
      Não podemos detectar a Deus diretamente pelos limitados e falhos métodos científicos e cognitivos humanos. Ele é a Causa Primeira de todas as causas físicas, não-físicas, estando no plano metafísico transcendental extra-universo.
      Pelo princípio da causalidade entendemos que se refere a tudo que venha a existir; a coisas limitadas, finitas, contingentes que requerem um início como nosso universo. Deus não veio a nascer, existir, ninguém fez Deus. Ele não é feito. Como ser eterno, Deus não tem um começo e, assim, ele não precisou de uma causa, podemos representá-lo como um círculo sem começo sem fim, ilimitado, infinito, indescritível, incognoscível.
      Se ateus alegam que o universo é eterno, então Deus também é! Mas o big-bang prova que houve um Início Causado pro universo.
      É muito significante o que diz o astrônomo Robert Jastrow, um agnóstico, fundador do Instituto Goddard da Nasa:
      “Não se encontrou nenhuma outra explicação para a radiação que não fosse o big-bang. O argumento decisivo, capaz de convencer o mais cético dos cientistas, é que a radiação descoberta por Penzias e Wilson, ganhadores do Nobel, tem exatamente o padrão de comprimento de onda esperado para a luz e o calor produzidos numa grande explosão...”
      E continua:
      “Agora vemos como a evidência astronômica leva a uma visão bíblica da origem do mundo. Os detalhes divergem, mas os elementos essenciais presentes tanto nos relatos astronômicos quanto na narração do Gênesis são os mesmos: a cadeia de fatos que culminou com o homem começou repentinamente e num momento preciso no tempo, num flash de luz e energia.”
      "Os astrônomos agora têm provado por seus próprios métodos que o mundo começou abruptamente em um ato de criação para o qual você pode traçar as sementes de todas as estrelas, de cada planeta, de cada ser vivo neste cosmos e sobre a Terra. E eles descobriram que tudo aconteceu como um produto de forças que não podem esperar para descobrir... Que haja o que eu ou qualquer outra pessoa chamaria de ‘forças sobrenaturais’ é agora, um fato cientificamente comprovado”.



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    4. Descubra como responder a um ateu: as provas para existência de Deus => http://bit.ly/SaibaComoResponderAUmAteu

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  3. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    lane craig:? kkkkkkk[
    o cara fica inventando ordens e pondo palavras na boca de deus kkkk
    ele nunca fala nenhum versiculo da biblia,sempre inventa coisas aleatorias e vive fugindo das perguntas.
    ate um jumento ganha para o lane craig.
    cristão burro adora ate lane craig

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    1. Quais coisas aleatórias? Quais invenções? Quais fugas de perguntas? Quais jumentos ganharam de Craig?

      só ad hominen, neo ateu toddynho

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  4. Resumindo, especulações dentro de especulações. O resultado pode ser o que nós quisermos, consoante demos mais ou menos valor a este ou áquele trend especulativo.

    Como é que se pode basear uma fé nisto ?

    Mas há coisas que são sempre chocantes, mesmo.


    "Também não tem nenhuma razão moral que o impeça de usar pessoas como instrumento de sua justiça."

    Ou seja, para o David Sousa não há nenhuma razão moral que impeça um deus de, por exemplo, agogar milhões de crianças para uso da "sua justiça".

    Nem consegue compreender que isso não é nenhuma justiça, que, fosse qual fosse a razão, isso seria um acto MONSTRUOSO E TERRÍVELMENTE INJUSTO.

    Olha David, o seu deus não sei, porque nem sei se existe e tudo indica que não, mas, em vistas destas MONSTRUOSIDADES que você diz, VOCÊ não pode ser uma pessoa boa.

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    1. Porque isso seria injusto e monstruoso? Você precisa entender que o único critério que usamos para classificar isso como injusto é quando um ser humano faz isso com outros seres humanos... porque um ser humano é igual aos outros, nenhum tem o direito de fazer isso! Mas Deus é diferente, ele é superior. Ele é o criador do Universo, se ele criou, ele tem o direito de destruir.

      Sem contar o fato de que todos os seres humanos estão em dívida com Deus, porque todos estão em pecado... então Deus não seria injusto ao matar qualquer um de nós.

      Abraços, Paz de Cristo.

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  5. "Se o mórmon ou muçulmano falsamente alega ter um testemunho interior do Espírito Santo para a verdade do Mormonismo ou Islamismo, parece que isso não faz nada de lógico para minar a veracidade de uma alegação autêntica de um testemunho do Espírito Santo."

    Continuamos sem saber porquê que o SEU é que é o verdadeiro testemunho do tal de espirito santo.

    Se você diz que os outros todos são mentirosos e se eles dizem que o seu é que é mentira, para quem está de fora parece tudo uma corja de mentirosos.

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    1. Como diz o texto, esse argumento não serve pra convencer alguém que está de fora!

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    2. Vou dar um exemplo do que se propõe o argumento: suponha que alguém diga que você ontem matou uma pessoa na cidade. Você se lembra de ter estado o dia todo no campo, mas não consegue provar porque estava sozinho e não deixou nenhuma evidência. Para alguém de fora é impossível saber se o seu testemunho é verdadeiro ou se é o do seu acusador . Por não ter como provar, e por ter um testemunho divergente, você deveria abandonar sua crença de que estava no campo? Certamente não! Você é perfeitamente racional em acreditar nela. Para alguém de fora, é impossível saber quem está certo, ou se os dois estão mentindo ou enganados. Mas ele não pode afirmar que os dois testemunhos são falsos só porque divergem. Você que teve a sua experiência, sabe que você está certo, e que o outro está mentindo ou enganado.

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  6. "Não conheço nenhuma criança que diga ter um "testemunho interno"

    Não ? Crianças com amigos imaginários é o que mais há para aí.

    A única difenrença é que você, como adulto, embeleza o seu amigo imaginário com uns pózinhos de filosofia e chama-o de "espirito santo".

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    1. O texto falava apenas de papai noel. Foi isso que eu refutei. Nenhuma criança tem testemunho interno de papai noel. Realmente amigo imaginário é uma analogia melhor, mas como eu nunca tive um amigo imaginário não posso comparar as duas crenças e dizer que estão no mesmo nível. Mas me lembro uma vez que quando eu era criança eu disse que estava vendo anjos, porque tinha ouvido uma música que dizia isso. Mas eu lembro que sabia que não estava vendo. Estava apenas fazendo de conta que estava. Da mesma forma, quando eu brincava com bonecos eu sabia que eles não estavam realmente vivos, mas fazia de conta que estavam. Talvez os amigos imaginários seja nesse nível. Não sei dizer com certeza se as crianças realmente acreditam que eles existem ou se só fazem de conta. Se quiser me apresenta algum estudo sobre isso.

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  7. "a conclusão de que Jesus ressuscitou dos mortos pode ser alcançada por alguém que não considera a Bíblia inspirada, mas confiável, ou que alguém que não a considera confiável (além de que alguém que a considera inspirada), pois através de métodos históricos, de pode estabelecer uma lista de fatos que são consensualmente ou majoritariamente considerados como históricos entre os historiadores de todos os espectros ideológicos, e a partir deles induzir a conclusão de que Jesus ressuscitou."

    Não conehço ninguém que não seja cristão, que acredite que jesus ressucitou.

    Isso só parece "confiável" aos cristãos a ou a algué, fortemente influenciado pelo cristianismo.

    A todos os outros parece uma LENDA como qualquer outra.

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    1. 'Não conehço ninguém que não seja cristão, que acredite que jesus ressucitou."
      Claro, quando descobrem se convertem. Temos vários exemplos que pesquisaram sobre Jesus e no final se converteram, como Lee Strobel, e outros.

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  8. "Portanto, a crença em Papai Noel é baseada em inferências. Não é igual a de alguém que experimenta o testemunho pessoal com Deus. Este último tem uma crença básica, que não é baseada em argumentos, mas pela sua experiência pessoal."

    Todos os membros de todas as religiões acreditam que experimentam o seu testemunho pessoal com os seus multiplos deuses.

    Em que é que você é diferente dos outros ?

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    1. Repetindo o exemplo: suponha que alguém diga que você ontem matou uma pessoa na cidade. Você se lembra de ter estado o dia todo no campo. Suponha que nenhum dos dois consegue provar que está certo. Por ter testemunhos divergentes, você deveria abandonar sua crença de que estava no campo? Certamente não. Você é perfeitamente racional em acreditar nela. O mesmo se aplica ao testemunho do Espírito Santo.

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  9. "Tecnicamente, todas as pessoas que já morreram, morreram nas mãos de Deus, porque não cai nenhum fio de cabelo nem morre um pássaro sem a permissão dele (Mt 10.29-30)."

    Sim, e para além dos pássaros e fios de cabelo, também nenhuma criança morre queimada viva sem a permissão dele.

    É por isso que o seu deue, a existir, seria um MONSTRO.

    E é por você não ser capaz de compreender isso que fica provado que é uma péssima pessoa, completamente imoral.

    Mais, você é completamente ANTIMORAL.

    Isto não se trata de provocações, nem de insultos, mas da consequência lógica das vossas afirmações.

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  10. "Isso é uma falsa analogia. Não conheço nenhuma criança que diga ter um "testemunho interno" da presença de Papai Noel. Pergunte pra uma criança. As crianças acreditam em Papai Noel por meio de falsas evidências e argumentos falaciosos. Por exemplo:

    a) Todo natal aparecem brinquedos pra ela. Os familiares dizem que foi Papai Noel (Evidência forjada). Ela confia no que os familiares falam, porque ela pensa que já que eles amam ela, eles não iriam mentir pra ela. Ela ignora a possibilidade de os pais terem motivações para mentir para ela, mesmo a amando."

    Não há "testemunho interno" nenhum no cristianismo.

    Vocês próprios admitem que a suposta palavra do vosso suposto deus TEM de ser pregada para as pessoas tomarem conhecimento dela e se poderem salvar.

    Se houvesse "testemunho interno" nada disso seria necessário. Deus falaria pessoalmente com todas as pessoas e não haveria necessidade de bíblias, padres, pregadores, profetas teólogos, filósofos e blogs cristãos. Toda a informação seria dada directamente por deus.

    O facto de você sentir que há necessidade de fazer um blog de respostas ao ateísmo é a prova de que não existe nenhum testemunho interno, porque senão, deus daria todas essas respostas internamente a todas as pessoas.

    O que se passa é exatamente o contrário da sua argumentação. Isto é, você ;

    - Os familiares ou líderes religiosos dizem que deus existe, apresentando como prova um livro escrito por outros líderes religiosos (Evidência forjada). Você confia no que os familiares e líderes falam, porque pensa que já que eles o amam, eles não iriam mentir pra si. Você ignora a possibilidade de os pais terem motivações para mentir para ela, mesmo a amando.


    Ou seja, a crença no papai noel ou no seu deus obedece EXACTAMENTE ao mesmo mecanismo de implantação psicológica.

    É só depois de você ser CONVENCIDO de que existe um "testemunho interno" que começa a ouvir vozes e a acreditar que essas vozes são de deus.

    Se ninguém lhe tivesse metido essa crença na cabeça, você nunca ouviria nada.

    A única diferença, en relação a papai noel é que, por volta dos dozes anos, os adultos acabam por lhe confessar que era uma brincadeira. Ao passo que a crença no seu deus continua a ser impingida por sacerdotes e familiares pela vida fora.

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    1. "Ou seja, a crença no papai noel ou no seu deus obedece EXACTAMENTE ao mesmo mecanismo de implantação psicológica."

      Temos muitos exemplos de pessoas que se converteram depois de adultas, muitos deles intelectuais e sem uma criação religiosa. Ex de pessoas: C. S. Lewis, Francis Collins, William lane Craig, Antony Flex, etc. Não conheço nenhum exemplo de alguém que passou a acreditar em papai noel depois de adulto. Dizer que esses ex-ateus ou ex-agnosticos foram manipuladas pelos mesmos mecanismos infantis que fazem alguém acreditar em papai noel é subestimar demais a capacidade intelectual deles.

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  11. "quanto mais um evento é atestado por fontes múltiplas e independentes, maior probabilidade de ser histórico ele é."

    Precisamente.

    Como TODA a bíblia foi escrita por líderes religiosos da religião a que esse livro pertence poucas probabilidades existe de ser histórico, excepto qs que forem corroboradas por fontes externas.

    Assim, podemos ter a certeza de que existiram um império Assírio ou um governador Pilatos, porque são atestados por fontes independentes.

    Mas para as partes milagrosas da bíblia, os únicos testemunhos são membros da religião, ainda por cima relatados por dirigentes da mesma religião.

    Por isso as probabiliades de serem verdadeiros são poucas ou quase nulas.

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  12. "Nem todas as religiões afirmam que existe um testemunho interno de autenticação parecido com o testemunho do Espírito Santo, que o cristianismo ensina na sua doutrina. Antes de afirmar que milhões de deuses diferentes são “sentidos”, ele deve mostrar quais religiões realmente afirmam isso."

    Todas as religiões têm os seus meios internos de autenticação.

    Todos os crentes falam com os seus deuses.

    Afirmar que só o da sua religião pode ser verdadeiro, á priori, porque sim, é simplesmente arrogância, não é filosofia.

    O que nos remete ao problema do costume.

    Se todos os crentes dizem que os milhares de outras religiões são falsas, porque raio é que havemos de acreditar que, precisamente a religião do crente com queme stamos a falar no momento é sempre a verdadeira ?

    Isto parece é conversa de loucos.

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    1. "Todas as religiões têm os seus meios internos de autenticação."

      Me dê evidências disso. Por exemplo, acho que a maioria dos deuses pagãos, não davam testemunho interno. As pessoas viam o sol ou o trovão, por exemplo, e pensavam serem eles deuses. Ou seja, suas experiências eram apenas especulações baseadas em coisas externas e criavam mitos, que os outros acreditavam sem questionar. Não "sentiam a presença" dos deuses. Por essa razão penso que eles criaram ídolos, porque os deuses deles não se aproximavam, aí eles precisavam fazer um objeto para compensar essa falta. É só suposição minha, mas quem afirma que "Todas as religiões têm meios internos" tem o ônus da prova.

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  13. "Mas a pessoa que tem a experiência pode saber que ela é verdadeira por experiência própria, mesmo que a outra diga que não é."

    Pronto, pronto. A sua é que é verdadeira. Acaso eu o vou contrariar ?

    Se você, um adulto, nem consegue ver o infantilismo em que está a cair, não sou eu que lhe vou tentar explicar.

    Fiquem então a discutir durante mais uns milhares de anos qual, de entre as milhares de igrejas cristãs é a única que tem o "verdadeiro" testemunho do espirito santo e quais são as mentirosas (todas as outras).

    O facto de essa situação ser a prova de que toda a vossa crença é pouco fiável passa-vos completamente ao lado.

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  14. A respeito de William Craig gostava de dizer o seguinte:
    Creio que quando Craig se limita aos argumentos cientificos, lógicos e filosóficos, ele ganha qualquer debate, pois dispõe de informação muito sólida e uma argumentação impecável.
    Porém, quando ele começa por apresentar argumentos religiosos, quando fala da Bíblia, aí ele estraga tudo.
    Assisti a isso (por exemplo) neste debate de quase duas horas: https://www.youtube.com/watch?v=mgLhRmUV0mM
    Neste debate, Craig começa de forma brilhante, apresentando a sua argumentação científica, lógica e filosófica, que eu acima elogiei. Mas logo em seguida, ele traz a religião para o debate, e cai na armadilha de Cristopher Hichens, de virar o debate para o campo religioso.
    Eu creio que qualquer debate em que o defensor do criacionismo seja capaz, tiver conhecimentos e argumentação, e se limite aos argumentos científicos, lógicos e filosóficos, "vence" o debate.
    No entanto, sempre que essa pessoa caia no vício de entrar no campo religioso, - que é onde (por exemplo) Richard Dawkins adora colocar os seus oponentes - então o defensor do criacionismo perde em toda a linha.
    Porque estamos a falar de duas coisas diferentes:
    Uma é defender o criacionismo, a bem da verdade. Outra bem diferente é transformar esse debate numa batalha de religiões.
    Os defensores do criacionismo têm tudo a ganhar quando não apresentem argumentos religiosos. Para bem dos debates, para bem da verdade, para bem comum.
    Acompanho debates deste tipo no facebook, assiti a diversos vídeos no youtube, e assisto quase sempre a isto: o único momento em que os naturalistas/ ateus ganham os debates é quando introduzem a religião no debate. Aí, ao inveś de terem de defender os seus próprios argumentos, eles acabam semore a apenas atacar a religião dos oponentes. É como num jogo: quando eu tolero que o meu oponente jogue no meu próprio terreno, eu acabo por estar a jogar à defesa, quando deveria jogar ao ataque.
    Colocar os debates apenas e só no campo da ciência, da lógica e da filosofia, que são os únicos campos onde, de facto, estes debates deveriam realizar-se, seria bem melhor.
    Além disso, voltando a William Craig, eu pessoalmente discordo de que Deus se manifeste apenas na Bíblia, e que apenas a religião cristã esteja correta. Acredito que o Criador foi interpretado por diversas civilizações, culturas e povos, pois é inata ao ser humano a busca pelo criador. Não me conseguirão convencer - jamais - que houve apenas um povo escolhido para receber a inspiração da sua mensagem. Isso é a mais profunda arrogância que eu posso conceber.
    Na minha fé em um Criador perfeito, justo, compassivo e infinitamente bondoso, eu só posso imaginar que ele se apresenta a topo o mundo, sem preferência por ninguém. Para mim, desde os aborígenes na Austrália, aos Guaranís no Brasil, ou aos Zulus no Sul de África, o Criador apresenta-se a todos no seu amor pela criação.
    Não creio, ao contrário de Craig, que existam religiões falsas. Quem é Craig para dizer que outra religião é falsa? Ele tem um mandamento divino para isso? A Bíbilia é a palavra de Deus a um povo. Mas acredito que esse Deus deixou a sua mensagem em todo o mundo, a todos os povos. Até para que todos os povos possam entender-se, um dia, e compreender que são todos a expressão do mesmo criador. Todos somos irmão. Como Jesus disse: ama ao teu próximo como a ti próprio. Será que quando muitos religiosos insistem em dizer que a sua religião é a única correta, estão a demostrar amor para com o seu próximo? Porque amar é respeitar que o meu próximo pode pensar de forma diferente de mim, pode orar a um Deus diferente do meu, se for esse o seu caminho.

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    1. Caro Sam.

      A sua argumentação é completamente contraditória.

      Diz que a bíblia é a palavra de deus. Ao mesmo tempo diz que não existem religiões falsas porque todas serão palavra de deus.

      Ora a bíblia manda assassinar quem não pertencer á religião judaica.

      Então deus enlouqueceu ? Diz uma coisa e o seu contrário ?

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    2. Prezado Pedro,

      Um dos maiores problemas de muitos religiosos é levarem ao pé da letra tudo o que é escrito nos livros sagrados. Eu acredito que:
      1 - Nenhum povo tem o monopólio da verdade. Nem nenhuma pessoa, nem nenhum livro.
      2 - Para mim, nem tudo o que está na Bíblia, nem em nenhum outro livro (sagrado ou não) deve ser interpretado literalmente. Além disso, eu considero que tenho a liberdade de aceitar e rejeitar o que eu quiser de um qualquer documento. Eu posso entender partes da Bíblia como verdadeiras e outras como não. Além disso, para que saiba, a Bíblia foi manipulada pelos romanos, e sei lá se não foi também pelos próprios religiosos ou também pelos tradutores gregos. Há um tradutor italiano que realizou uma nova tradução da Bíblia, a partir do texto original, que deu muita polémica nos meios religiosos no Vaticano.
      3 - Em todo a parte do mundo houve quem tivesse tido a intuição do criador. Porém, cada um o interpretou à luz da sua própria cultura. Se você tem 100 pessoas a assistir a um mesmo incidente, você terá, no mínimo, uns 30 testemunhos diferentes. Imagine agora com algo tão mais subjectivo quanto a descrição de um plano divino, um relato de criação, leis de moral e conduta, etc.

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    3. Voltando à questão que o levou à sua observação sobre o meu comentário, Pedro,

      Quando Craig responde a um entrevistador que lhe pergunta se ele considera que há religiões falsas (ou algum sinónimo, não estou 100% certo da palavra que o utlizador empregou), ele diz: "O Islão."
      Sabe, se há coisa que eu retenho - justamente - da Bíblia, foi esta frase de Jesus: "consegues ver o cisco no olho do outro e não vês a trave que está no teu?". Curioso como Craig, que pertence à religião que provavelmente mais mortes produziu no mundo em nome da religião, critique qualquer outra religião, como o Islão, por incentivar ao ódio ou algo parecido.
      As cruzadas foram uma ofensiva sanguinária dos cristãos, uma autêntica "jihad" cristã, que foi brutal e inqualificável. Depois, a Igreja ainda fez essa outra brutalidade que foi a inquisição, que também nada teve de bondoso... E ainda têm coragem de apontar o Islão?
      Além disso, eu posso achar Richard Dawkins um fanático materialista/ ateu, porém, há uma coisa que ele diz na qual eu concordo: o Deus apresentado no Antigo Testamento é um sociopata, sanguinário, etc. etc.
      Isso explica bem como os judeus são o povo amargo, rancoroso e cruel que é (veja-se o que fazem aos palestinianos). O Antigo Testamento explica isso.
      Felizmente, o Novo Testamento é um livro bem diferente. Se os cristãos entendessem verdadeiramente aquilo que Jesus disse, acredito que o mundo seria hoje um lugar diferente.

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    4. Caro Sam.

      Compreendo o que quer dizer.

      A questão é que, se nem tudo o que está na bíblia é verdade, então também se pode por em questão a sua inspiração divina.

      Quanto ao NT ser diferente, eu respondo NIM.

      Isto é, em algumas partes é, em outras não é.

      Assim, por exemplo, ensina a amar os inimigos, mas garante que quem não cumprir tudo o que deus diz vai para o fogo do inferno.

      O que remete para a sua questão de a bíblia poder ter sido alterada.

      Ora, se pode ter sido alterada, porque não poderá ter sido fabricada desde o início, para justificar a ambição de poder dos chefes de uma seita ?

      Estou a lembrar-me de um livro de que gosto muito, o livro de Mórmon.

      É uma Bíblia paralela escrita no Séc. XIX.

      Interessantíssima, mas é preciso mesmo muita fé para acreditar que aquilo não foi inventado para a ocasião.

      Quem nos diz que não poderá ser o caso para as outras bíblias ?

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    5. Caro Pedro,

      O que me faz dizer que partes da Bíblia serão genuínas e outras alteradas, é a minha intuição, a minha investigação e a minha dedução.
      A minha intuição diz-me, por exemplo, que há um profundo fundo de verdade, mas que, pelo meio, há muitas coisas que não fazem sentido algum se comparadas com as outras, como o exemplo que deu:
      "Assim, por exemplo, ensina a amar os inimigos, mas garante que quem não cumprir tudo o que deus diz vai para o fogo do inferno."
      custa a crer que um Ser Infinito e inefável possa mandar pessoas para o inferno, e ao mesmo tempo exigir que nós amemos os nossos inimigos.
      A minha investigação sobre estes temas é de anos. Li muitas fontes, desde as puramente históricas, aos textos esotéricos (gnósticos, principalmentes).
      A minha análise leva-me a concluir que houve um interesse clarissimo por parte dos poderes políticos, por um lado, e doutrinários religiosos, por outro, na manipulação do conteúdo da Bíblia.
      Para começar, a escolha dos textos canónicos em detrimento dos apócrifos não me parece tão simples como querem os teólogos dizer. Houve uma vontade de retirar da Bíblia os textos que poderiam levar os crentes a pensar e chegar a conclusões diferentes das que pretende a Igreja organizada. Acredito que a Igreja pretendia dominar as pessoas, pelo seu medo, pela subserviência, pela imposição de um corpo de ensinamentos monolítico que não pode ser contrariado. A Bíblia que foi autorizada coincide com essa vontade. Porém, os apócrifos revelam uma outra realidade.
      Sempre ouvimos dizer que são os vencedores que escrevem a história. Os vencedores, no caso do cristianismo, foram os que organizaram a Igreja num bloco, impuseram o papado e a hierarquia. Eles retiraram da Bíblia os textos que se referiam a Maria Madalena, por exemplo, ou ao facto de Pedro ter ciúmes de Madalena. Pedro e João são enaltecidos pela Igreja, mas Jesus escolheu doze apóstolos para o seguir. Curioso é que é justamente Pedro que Jesus diz que lhe negará três vezes antes do nascer do Sol. A mim, pessoalmente, faz mais sentido que ao contrário do que nos foi difundido pela Igreja, o apóstolo Pedro talvez seja o que mais foi contra a mensagem de Jesus, enquanto outros apóstolos houve que lhe foram mais fiéis. Porquê? Porque a Igreja que "venceu", e se impôs foi a Igreja de Pedro.

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    6. Voltando à questão do Deus que declara que nos amemos, mas por outro lado exige sacrifícios, devoção, submissão... senão arderemos no fogo do inferno.
      Para mim, a melhor explicação para isto é só uma: há dois seres que são confundidos no cristianismo. São o Jeová e o Deus eterno e indecritível.
      Jeová, na minha opinião, e na de muitos (como a da maioria dos gnósticos), é um demiurgo.
      Já o Deus eterno e inefável é mais distante e dele pouco se fala.
      Estas ideias podem parecer confusas, heréticas e insuportáveis para muitos religiosos, mas para mim, é o que mais sentido faz. Não posso conceber que um ser perfeito:
      Necessite que eu ore a ele, (se é perfeito e completo, para que necessita da minha oração?)
      Me submeta à sua vontade, (se é perfeito, não vai preferir que eu tenha a minha própria vontade, e que depois, por minha própria vontade e desejo eu queira unir a ele, sem coação?)
      Me arrependa, (para que necessita do meu arrependimento, se é perfeito?)
      Que siga todas as suas leis,
      Que sacrifique os meus filhos, se for preciso, para lhe provar que o amo (eu nunca exigiria a um humilde cão que me sacrificasse um filhote para eu perceber que ele me ama, porque esperarei que um Deus me peça o sacrifício de um filho????)
      Mata todo o mundo num dilúvio, deixando apenas uma família viva (não aceitarei nenhuma explicação teológica que me justifique a destruição de toda a vida apenas porque andamos na "fornicação" e porque não "tememos a Deus". Gostava de saber se os animais que morreram no Dilúvio tiveram culpa de os humanos não se portarem bem)

      A meu ver, só um demiurgo tem esse perfil. Como é um demiurgo?
      O demiurgo tem o poder de criar, mas não é inteiramente perfeito. O demiurgo, ao contrário do Ser supremo, tem necessidade, prazer e vontade de ser reverenciado. Isso é a sua fraqueza.
      Por isso, quando Jesus Cristo vem à Terra, e traz a boa nova, eu sinto que ele traz um mandamento do verdadeiro Ser transcendente, pois a sua mensagem é de amor, em puro contraste com a mensagem do demiurgo do Antigo Testamento.

      Pedro, em relação à questão que levanta, sobre o Livro de Mórmon e a possibilidade de outras Bíblias serem inventadas, eu creio que em última instância não saberemos. Mas algumas escrituras parecem-me ser mais inspiradas e outras nem tanto.
      Um exemplo de um religião que foi esquecida e tinha uma mensagem muito boa e positiva era a de Zarathustra (ou Zoroastro, como era chamado pelos gregos). O profeta Zarathustra surgiu no Irão há quase 3000 anos, antes de Jesus e antes de Buda, e trazia uma mensagem de amor incondicional. Criou uma religião muito avançada no seu tempo, e terá inspirado até o judaísmo (e o cristianismo, por acréscimo).

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    7. Sem dúvida que a sua análise é mais racional do que a que implica um ser perfeito que terá ordenado todos os horrores que vemos na bíblia e no mundo.

      Mas a ela equivale também, por exempo, o politeísmo, que também pode explicar a existência do mal.

      Entretanto, tudo isto, politeísmo monoteísmo, demiurgo, pode ser apenas a imaginação humana a funcionar...

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    8. É apenas a minha análise, Pedro.
      Como você próprio disse, é mais racional do que a que implica um ser perfeito que terá ordenado todos os horrores.
      Eu considero-me essencialmente uma pessoa de lógica e de análise. Por isso nunca fui capaz de ter uma fé cega. Seja essa fé cega na religião ou no ateísmo - é preciso ter muita fé para ser ateu.

      Isto leva-nos ao seu último parágrafo: a imaginação humana é poderosa, sem dúvida, mas baseia-se no que vemos, no que sentimos, e nunca em coisas que não tenhamos qualquer base na qual sustentemos a nossa criatividade.
      Se além disso concluirmos que existe sim uma consciência criadora, pois a vida não surgiu do acaso, então o conceito do divino é real. Por isso, concluo que não é apenas a nossa imaginação.

      Quanto à ideia de politeísmo... Se calhar sim, a ideia de um demiurgo talvez seja (tecnicamente) o mesmo que falar em politeísmo. Mas não sei o suficiente dos planos da consciência criadora para perceber porque terá sido criado um ser como o demiurgo. Isso ultrapassa-me.
      Mas, sem querer ser chato por insistir no meu argumento... Eu creio é que é mais fácil para mim aceitar a ideia de um demiúrgo, de um politeísmo, - que terá algum objetivo que nos não conseguimos compreender - do que a outra hipótese, a de um Deus perfeito com as contradições de Jeová.

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    9. "é preciso ter muita fé para ser ateu."

      Concordo. Para mim um ateu é tão crente como qualquer outro crente.

      Eu apenas critico as contradições grotescas com que os crentes teístas resolvem adornar a simples hipótese de existência do divino.

      O crente médio parece um anão que quer fingir que é um gigante, pondo-se nos bicos dos pés.

      Tanto pretende saber acerca de deus, que, no seu arrogante pretenciosismo, inventa as histórias, atributos e intenções mais mirabolantes acerca da hipótese deus.

      A menos mirabolante das quais, não será certamente o deus das religiões do livro, que parece ter a mentalidade de um chefe de uma tribo de ferozes cameleiros nómadas da idade do bronze.

      Parece ter a mentalidade daqueles que controlavam a sociedade local, na região em que começou a ser adorado.

      Que grande coincidência...

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    10. Claro que uma mentalidade dessas é natural e compreensível num chefe tribal nómada.

      As suas naturais limitações e a simples necessidade de lutar pela sobrevivência justificam-no.

      Mas atribuir uma mentalidade violenta e mesquinha dessas a um ser supostamente perfeito é grotesco.

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  15. Apenas para trazer contraponto e ajudar a formar opiniões. https://tedstrayer.wordpress.com/

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  16. Esse Craig deve saber intimamente sobre biologia, química, matemática e história antropológica pra sustentar seus argumentos e derrotar esses ateus...
    "Lane Craig (Peoria, 23 de Agosto de 1949) é um filósofo[2] e teólogo[3] cristão estadunidense."
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    O que???
    Entao quer dizer que ele quer derrotar Dawkins ou Hawkin mas nem passou pela sala de aula de uma ciência?
    Ele deve mesmo derrotar esses ateus... Pelo uso de argumentação curto circuito (aquelas que ninguém consegue provar ou rebater) e ignorância.
    Esse cara realmente representa a galerinha cristã!

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    Respostas
    1. Pior é Dawkins que não entende absolutamente nada de filosofia nem de teologia e tenta provar que Deus não existe. E Hawking escreveu um livro quase todo filosófico e tem a ousadia de declarar que "A filosofia está morta". Eles não sabem nada de filosofia, não entendem nem a definição do termo "NADA". Virou moda cientistas acharem que são filósofos para discutirem sobre Deus.
      A maioria dos argumentos sobre a existência de Deus são filosóficos! A biologia e física só servem para dar mais suporte em algumas premissas, e ainda assim Craig cita as fontes de todas as afirmações que ele faz nessas áreas.

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    2. Cara desculpe... Mas entender e bufar filosofias não vai fazer deus nenhum existir. Pode ser o maior debate do mundo, mas no final das contas quem busca as evidências é quem tem a dúvida como motor motivacional e não quem tem as certezas. Aliás, o iluminismo veio para provar justamente isso: quando nós nao éramos mais queimados por duvidar, o mundo começou a se descobrir em escala nunca antes vista. De modo que a religião e seus dogmas imperaram por cerca de 2 mil anos e a ciência, em apenas 500 já foi capaz de realizar muitos mais "milagres" do que as testemunhas oculares bebedoras de vinho da era do bronze podiam contar.
      Portanto, não desqualifique cientistas porque eles estão na área da "frente de batalha" para se chegar a conclusões sensatas, diferente dos sociólogos e filósofos que apenas moldam entendimentos de acordo com achismos.

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    3. Caro, a ciência veio de Deus como profetizado em Dn 12:4 e Cl 2:2,3.
      Graças a cientistas cristãos de ontem e hoje, que o mundo está muitíssimo melhor saindo das trevas da ignorância ateista.

      Louis Pasteur, notável médico e cientista francês, reconheceu justamente através da ciência que a Bíblia tem razão. Ele escreveu:
      “É em nome da ciência que proclamo a Jesus Cristo como Filho de Deus. Minha concepção de ciência, que valoriza muito a relação entre causa e efeito, simplesmente me obriga a reconhecê-lO. Minha necessidade de adorar encontra em Jesus sua mais plena satisfação” (Nimm dir einen Augenblick Zeit, H. Bruns).
      E concluiu: "Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima."

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    4. "trevas da ignorância ateísta" kkkkkk
      Cícero, se voce conhece história (acho que não) você iria saber que sempre houve religião nas culturas e que isso não prova a existência destes deuses.
      Aliás, quem mesmo imperou na época conhecida como "idade das trevas"?
      Abra o olho e estude cara, tá muito iludido.

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    5. Vc que está iludido e perdido.
      Quem disse que o Deus Criador precisa de religiões pra se manifestar aos homens??

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    6. Marlon Ferrari:

      "Entao quer dizer que ele quer derrotar Dawkins ou Hawkin mas nem passou pela sala de aula de uma ciência? "

      Você já leu algum livro do Craig por acaso? Ou está se baseando em uma opinião pré-concebida sobre ele?

      Em uma de suas maiores obras, "Apologética Contemporânea", ele recheia os seus argumentos com várias descobertas científicas atuais, no campo da física e da cosmologia.

      "Cara desculpe... Mas entender e bufar filosofias não vai fazer deus nenhum existir. "

      Assim como cientistas como Hawking, Dawkins e Krauss escreverem livros filosóficos meia-boca não vai fazer Deus deixar de existir. A ciência fornece algum suporte para acreditar ou não em Deus, mas a existência de Deus é um assunto estritamente metafísico, e portanto é necessário dominar essa ferramenta filosofica para poder ir a fundo neste assunto.

      Abraço, Paz de Cristo.

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    7. Caro David.. Vou tentar ser o melhor interlocutor que eu puder, afinal o blog é seu e a 'culpa" pelos comentários é minha.
      Já lhe adianto que não quero bater de frente porque vocês tem a visão de vocês e nós, a nossa.

      Você já leu algum livro do Craig por acaso? Ou está se baseando em uma opinião pré-concebida sobre ele?

      Não li. Pesquisei um pouco e assisti os debates deles com os ateus e sinceramente não me interessei por ele. A meu ver ele é falacioso (desculpe se isso for ofensivo) e a estratégia dele é o apelo ao intangível.
      Sobre esse apelo ao intangível usado por ele (metafísico, como você chama) eu tenho apenas considerações, que espero que entenda mesmo que não aceite.
      Primeiramente, Jesus era tangível. As ações de Deus, os resultados, são todas tangíveis. Não consigo encontrar um motivo para se entrar neste domínio.
      O que eu conheço é que o apelo ao intangível vem surgindo à medida que os argumentos práticos e lógicos vão se escasseando: Sem explicações no campo visível, cria-se um domínio mais abstrato para que algo seja explicado sem provas materiais. É o argumento atualmente utilizado para explicações extraterrestres, espiritismo. Sinceramente eu vejo muitos argumentos do Craig que se encaixam para explicar qualquer fenômeno ou divindade.
      Para tentar estabelecer aqui um vínculo pessoal, digo que fui criado cristão (católico romano). Minha família, as pessoas que mais amo na vida, são cristãs e isso não me incomoda nem um pouco.
      A meu ver, se for pra brigar por causa de crenças, nós entraríamos em uma guerra interminável. Eu como carne e você? Eu toco guitarra e você? È possível desconstruir qualquer opção pessoal, já que temos gostos e opções opostas, fica muito fácil condenar o outro.
      Se eu pudesse pedir apenas uma coisa aos religiosos (e digo isso com todos) é que parem de classificar o ateismo. Essa palavra é desgastada porque não diz nada sobre ninguém. Ela não é uma classificação, apenas uma exclusão e isso é ruim. Percebo que este ponto incomoda muito vocês mas já que vão me criticar por algo, que seja pelo que eu ACREDITO e não pelo que não acredito. Eu como qualquer ser humano, tenho minhas crenças e pra ser o mais transparente possível, vou exibi-las:
      1- Eu acredito que o mundo pode ser melhor;
      2- Eu acredito que o ser humano é a base da sociedade e que é o sujeito ativo da mudança;
      3- Eu acredito que o pensamento crítico, racional, produz e produzirá muitos avanços;
      etc...
      Apenas estes três pontos demonstram que a minha crença é o HUMANISMO RACIONALISTA.
      Então, gostaria que, caso venham me criticar sobre meus princípios, que os critique dentro dessa corrente que eu baseio toda a minha vida e trabalho.
      Criticar o ateísmo não vai ser frutífero porque ele é uma não-crença. Todo mundo tem não-crenças: Vocês não acreditam em extraterrestres (estou chutando! pode ser que creiam) mas isso os torna "Aextraterrestristas"? Claro que não. E cada não-crença que tivermos não é uma crença. Sei que o assunto pode ser batido mas até agora vi poucos entenderem.

      Todas as crenças tem infundamentos. Se você quiser provar que comer carne é desumano, você consegue. Portanto, com qualquer outra não é diferente.
      Só que, pessoalmente, a pessoa que mais me mostra como o cristianismo pode ser bom é minha avó: Ela não perde tempo justificando deus, não tenta me mostrar racionalmente como se crê, ela age, age com amor e isso me mostra que essa corrente não é de toda ruim. Mas quando estou quase me convencendo, vejo pessoas como Lane Craig que, para mostrar no que acredita, ignora fatos e os molda para que justifiquem. Isso não vai convencer racionalistas.
      Enfim, para o post não ficar maior, apenas reforço que sou humanista racionalista. Então, se querem caçoar, mostrar fragilidades desse tipo de corrente, isso será frutífero. E não me ofende em nada. Mas dizer que só porque eu não acredito que exista(m) deuses eu sou idiota, inútil ou bandido (estilo datena) mostra mais sobre quem diz do que sobre mim, exatamente.

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    8. Primeiramente, o próprio Deus é um ser metafísico, então é impossível fazer um argumento a respeito dele que não fale de metafísica. Isso não significa que o argumento não tenha premissas fundamentadas em dados científicos, como por exemplo, a existência do universo, o início do universo, a ordem do universo, as evidências históricas da ressurreição, etc.
      Nesses argumentos Craig sempre cita especialistas no assunto, como físicos e historiadores, para sustentar as premissas científicas. Mas também há argumentos que não dependem de cientistas, por serem inteiramente filosóficos, como o argumento ontológico, moral, a impossibilidade de haver quantidades infinitas reais, etc.

      Não julgue Craig apenas pelos debates. Apesar de eu discordar de você (pois acho ele um bom debatedor), as obras escritas dele são muito mais claras. Num debate tudo tem que ficar muito resumido, porque o tempo é curto. O material escrito é bem mais aprofundado. Experimente ler algum livro dele. Se você souber inglês, pode também ler gratuitamente alguns transcripts das aulas que ele dava. Recomendo ver a parte sobre teologia natural. http://www.reasonablefaith.org/defenders-2-podcast

      Fico feliz com o exemplo que sua avó tem te dado. Pra mim o testemunho de uma vida transformada é maior do que qualquer argumento.
      E Jesus nos deixou um esse exemplo para seguir. Ele nos ensinou a amar não apenas as pessoas que nos amam, mas também as que nos odeiam (Mateus 5.43-48). A ajudar o próximo sem ser para se exibir (Mateus 6.1-8). E a reconhecer nossos próprios defeitos, ao invés de nos acharmos justos e desprezarmos os outros (Lucas 18:9-14). Ele não apenas ensinou, mas viveu o que ensinava, até as últimas consequências...
      Contudo, muitas pessoas também querem respostas pra suas dúvidas filosóficas e muitos caem nas falácias de Dawkins e outros, e por isso é necessário haver apologética cristã.

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    9. Seguindo então, vou tentar colocar aqui a minha opinião. Claro que irá divergir das suas, mas aceitar é uma coisa, respeitar é outra.

      "Primeiramente, o próprio Deus é um ser metafísico, então é impossível fazer um argumento a respeito dele que não fale de metafísica."
      Eu entendo a crença de vocês, de verdade. Então a ideia metafísica. Só acho que o deus manifestado biblicamente não é bem assim entende? Pegue por exemplo a passagem de 1 Reis 18. Tal escrito poderia ser considerado, no âmbito das escrituras como uma evidência científica da existência do deus Javé, ao contrário de Baal que não se manifestou. Porém no âmbito real isso não é constatado e todas as tentativas de se provar deuses desta forma tão contundente falharam.

      "Não julgue Craig apenas pelos debates. [...]"
      Entendo o que diz. Porém pra ser sincero eu não me interessei pelo que ele representa entende? E não é porque ele é cristão etc, mas pelas obras dele não serem de meu interesse pessoal. Também nunca corri atrás de livros do Dawkins, nem do Carl Sagan. Não me interesso pelo ateísmo deles, mas pelas obras científicas entende? Até hoje não li sequer 1 livro de religião/Anti religião. Então não é por ser Craig ou Dawkins, mas por minha base ser racionalista, saca?

      "Fico feliz com o exemplo que sua avó tem te dado"
      Cara, se tem alguém que me faz acreditar que o cristianismo pode ser bom é ela. Infelizmente ela acabou sofrendo demais por seguir o estilo "dê a outra face", sofrendo calada por muitas injustiças. Então, sempre que vejo um cristão intolerante e ateofóbico, lembro dela e sei que a corrente em si pode ser tolerante se o indivíduo for humanista. Aliás, dentro do campo físico, minha vó e eu somos humanistas e quando ela ficou sabendo que somos iguais enquanto animais, ela até chorou :-)

      Entendo o que você quer dizer sobre jesus, já fui católico. Não vejo motivos para não admirar qualquer pessoa como jesus. Ele foi humano e na medida do possível se opôs a certas opressões. A meu ver, se ele tivesse se oposto mais do que fez, teria morrido ainda mais cedo, pois não devemos esquecer que ele vivia no meio de um povo muito intolerante.
      Só não gosto, sinceramente, desse modo como "endeusam" jesus. Sei que para você ele é o filho de deus, sagrado, etc. Porém como não acredito, pra mim é suficiente aceitar que jesus foi uma boa pessoa, um bom humanista. Não preciso de crer que ele é flho de uma entidade poderosa (e que no velho testamento fez coisas muito diferentes). Entende meu ponto de vista?
      Pra mim não faria diferença se jesus fosse casado, tido filhos, etc. Pessoas como eu valorizam as atitudes e o lado humano. O fato dele ter sofrido dores, sangrado e morrido é condição suficiente para saber que ele era humano e infelizmente fazê-lo "filho de deus" de certa forma perde crédito com ateus, entende?
      Neste sentido, tente entender, sou muito mais . Conheço cristãos que apenas se disesse que jesus foi casado, ficam furiosos. Se dissesse que ele não ressuscitou, ficariam irritados. Eles querem a aura mística em torno da pessoa, algo inexplicável. Eu não preciso disso. Reconheço os valores humanos quando os vejo e nada mais.
      Então sim, valorizo as condutas de jesus, porque apesar de ter suas crenças em divinos e etc, promoveu uma mudança na intolerância da época. Assim como valorizo qualquer pessoa que tenha contribuído para um mundo melhor, seja cristão ou não.
      Não é preciso ser filho de deus para amar o próximo, ser tolerante e amistoso para a construção de um mundo pacífico. Vocês com certeza discordam dessa frase, porém o lado humano nos mantém, no fundo, com a mesma corrente.

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  17. só confusão aqui, na verdade ninguém sabe de nada; eu acredito em Deus pronto e acabou e não existe ateu comedor de arroz e feijão que vai tirar isso da minha cabeça.

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  18. só confusão aqui, na verdade ninguém sabe de nada; eu acredito em Deus pronto e acabou e não existe ateu comedor de arroz e feijão que vai tirar isso da minha cabeça.

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