sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

[TRADUÇÃO] Blogueiro anti-cristão "Raving Atheist" se converte ao cristianismo

Notícia original: https://jamesbishopblog.com/2017/02/16/christ-is-the-lord-popular-anti-christian-blogger-the-raving-atheist-converts-to-christianity/



Em dezembro de 2008, um popular blogueiro anti-religioso conhecido como "The Raving Atheist" anunciou sua conversão ao cristianismo e mudou o slogan do site para "The Raving Theist", dedicando-o "a Jesus Cristo, agora e para sempre". Sua mudança radical foi recebida com muita raiva e fanatismo por parte de muitos de seus leitores ateus. No entanto, ele rejeitou quaisquer alegações de sua transição como sendo uma farsa. Sua conversão também recebeu dura condenação de outros ateus, de alguns dos quais se pensaria que eram maduros que já teriam superado a fase de intimidações infantis. P.Z. Myers, por exemplo, qualificou a conversão do blogueiro como "outra mente envenenada" e que ele "jogou seu cérebro pela janela" (Fonte). Já que que eu não pude encontrar um nome ou uma foto para me referir ao Raving Atheist em sua última nota, estaremos  chamando ele simplesmente de "João" (perdoem minha falta de imaginação em relação a nomes).

João cresceu em uma área em grande parte secular de Long Island, Nova York. Sua mãe era filha de um pastor protestante, enquanto seu pai era agnóstico, cuja família já tinha sido ativa nos círculos comunistas: "Embora eu frequentasse a igreja de minha mãe todas as semanas até a sexta série, era mais por razões culturais e sociais do que espirituais. Eu não tinha um relacionamento com Deus; isso não era nem mesmo algo que falávamos sobre. Mas eu me lembro de uma vez, quando eu tinha sete ou oito anos de idade, que minha mãe desmaiou, e minha primeira reação foi correr para ela e orar, para pedir ajuda a Deus".

No entanto, foi durante o ensino médio que João começou a ter um maior interesse nas coisas da religião. Ele se tornou amigo íntimo de um jovem judeu reformista que tinha uma brilhante mente científica e que também criticava abertamente a religião. Nesse mesmo ano, João leu o livro de Bertrand Russell, Por que não sou cristão. O ensaio de Russell realmente o cativou por causa de seu tom cômico e caprichoso, bem como seu apelo racional: "seu raciocínio me fez um sentido perfeito, e quando eu entrei na faculdade, eu me considerava ateu também".

Durante seu primeiro ano na faculdade, João trabalhou por um curto período de tempo como um vendedor de enciclopédias. Ele então se instalou em um trabalho de escritório e passou muito de seu tempo livre escondido na biblioteca de Los Angeles lendo sobre cultos religiosos e desprogramação. Esta foi também a primeira vez que ele se convenceu da natureza totalmente ridícula de toda a religião: "Uma tarde, acabei por passar por uma esquina onde os moonies* estavam pregando. Eles me convidaram para o seu grupo, e eu fui com eles para um retiro de fim de semana nas montanhas San Bernardino. Quando tentaram me convencer a mandar buscar todos os meus pertences mundanos, minhas suspeitas foram confirmadas. Eu empacotei minhas malas e voltei para a faculdade, determinado a escrever sobre minhas experiências e minha convicção de que todas as religiões eram crendices".

João passou a escrever um ensaio sobre sua experiência. Isso o ajudou a colocar suas visões e opiniões sobre a religião em perspectiva. Sua obra foi publicada no jornal da faculdade, embora os editores tenham cortado uma seção que tentava traçar paralelos entre os moonies e a Igreja Católica. No entanto, tendo concluído a faculdade e obtido o seu grau, João teve pouco tempo para pensar sobre religião ou ateísmo. "Eu estava muito ocupado indo para a faculdade de direito e tendo uma vida", explica João, "minha carreira como advogado floresceu e, eventualmente, comecei a dar aulas também".

Não muito tempo depois, João começou seu blog sobre ateísmo. João também explica que seu professor de filosofia, que era abertamente um ateu anti-religioso, teria tido uma grande influência sobre ele: "no final dos anos 90 eu assisti a uma série de cursos de educação continuada em Filosofia. O professor, um filósofo que editou e escreveu a introdução à coleção de ensaios de Bertrand Russell, era muito sarcástico. Ele odiava a religião e as pessoas religiosas. Comecei a conhecê-lo e logo estava envolvido no debate com outros advogados sobre o ateísmo. Meu foco no ateísmo como estilo de vida levou um amigo a sugerir que eu começasse um blog. Então, no final de 2001, comecei a co-escrever um blog político com um conhecido da faculdade, com meus posts enfocando frequentemente a religião". João então iniciou seu próprio blog "atacando pessoas religiosas como dementes, iludidos, 'Godidiots'**". Ele acreditava que a "cultura da crença" estava destruindo a América. "Eu rastrearia blogs baseados na fé, ridicularizaria suas causas como suspeitas e os declararia culpados de insanidade - apesar do fato de que essas pessoas viviam vidas modestas e boas".

Surpreendentemente, ao contrário de muitos outros ateus, João admite o fato de que seu ateísmo possuía o conceito muito religioso de evangelismo"O verdadeiro ateísmo, eu acreditava, não era sobre 'viver e deixar viver'. Era uma causa que precisava de um evangelista, assim como qualquer outra fé. Em um esforço para fornecer um conjunto de princípios ateus para tal ministério, as 'premissas básicas' do meu blog eram que todas as deginições de Deus eram contraditórias, incoerentes e sem sentido, ou podiam ser refutadas por evidências empíricas e científicas".

No entanto, apesar de sua "postura audaciosa" online João sentia-se mal versado em questões científicas e reconheceu que suas refutações lógicas não poderiam ir tão longe. "Na verdade, em um ensaio inicial, eu concordei que era tecnicamente possível para uma pessoa racional ter uma crença em Deus. Na minha opinião, no entanto, era possível apenas da mesma maneira que é possível que alguém poderia estar compartilhando o quarto com um hipopótamo roxo que evita ser detectado, fugindo toda vez que se tenta virar e vê-lo. Em outras palavras, não havia evidência disso. Então, embora fosse uma possibilidade, não valia muita consideração".

No final de 2002, João participou de uma festa de blogueiros onde ele se sentou ao lado de um blogueiro católico chamado Benjamin. A conversa eventualmente chegou ao assunto sobre aborto e João perguntou a Benjamin sua opinião. Ele respondeu, em um tom calmo e confiante: "é assassinato". Esta resposta deixou João atordoado. "Ele era um ser humano amável, afável e convincentemente razoável que, no entanto, acreditava que o aborto era assassinato. Na medida limitada em que eu já havia considerado a questão, eu acreditava que o aborto era completamente aceitável, o mero descarte de um punhado de células, talvez semelhante a cortar as unhas".

Esta conversa estimulou João a investigar o assunto no blog de Benjamin: "Notei que os cristãos pró-escolha não empregavam argumentos científicos ou racionais, mas confiavam em um conjunto confuso de banalidades 'espirituais'. Mais significativamente, a maior parte da blogosfera ateísta pró-escolha também ficou aquém na sua análise do aborto. A comunidade, supostamente 'baseada na realidade', ou descartou o aborto como uma 'questão religiosa' ou afirmou, paradoxalmente, que os princípios pró-vida eram contrários à doutrina religiosa. Depois de ter equiparado o ateísmo à razão, eu lentamente estava ficando inseguro do valor da falta de crença em Deus na busca da verdade".

No entanto, ele continuou nos seus desvarios ateus*** em pleno vapor. "No início de 2003, me envolvi com uma troca de mensagens online particularmente agressivas com um erudito católico sobre o argumento da Causa Primeira de Tomás de Aquino. Em um gesto conciliatório posterior, acessei a um blog de tratamento pós-aborto indicado pelo meu adversário religioso - um ato que me colocou em contato com um grupo de defensores pró-vida cuja dedicação altruísta à sua causa me emocionou profundamente. Eu fui inspirado por seus escritos gentis e racionais, particularmente pela história de uma mulher chamada Ashli, que escreveu com honestidade bruta sobre como seu aborto tardio a tinha afetado. Ela agora canalizou o seu sofrimento em esforços para ajudar as mulheres em situações semelhantes e salvá-las das consequências do aborto".

No entanto, apesar de todo esse promissor progresso moral e intelectual, João manteve um apego ao seu ateísmo. De fato, em 2004 ele organizou uma entrevista no blog com o renomado autor ateu Sam Harris. O cineasta Brian Flemming participava na entrevista de João. A entrevista, conta João, "levou Harris e eu a aparecermos no ano seguinte no documentário anti-cristão de Flemming, O Deus que não estava lá". João compareceu à estréia do documentário em Nova York, no entanto, "no final da apresentação, no entanto, meu entusiasmo ateísta estava em declínio. O aparecimento do meu pseudônimo nos créditos inspirou menos orgulho do que eu esperava. Quando as luzes se acenderam, senti-me alienado da platéia e de suas risadas desdenhosas e antireligiosas".

Após a estréia João brevemente considerou juntar-se a um pequeno grupo que se reuniria para discutirem o filme ao longo do jantar. João os seguiu por vários quarteirões enquanto debatia consigo mesmo se deveria ir ao jantar. "Mas a meio caminho de uma rua escura no meio da cidade, eu fui embora".

Nesse mesmo ano, João começou uma amizade com uma blogueira católica, Dawn. Ele frequentemente postava como convidado no blog dela sobre questões pró-vida enquanto também trabalhava em determinados casos difíceis com Ashli. "Perto do Dia de Ação de Graças de 2005, Ashli ​​abriu seu coração (e sua casa) a ​​uma jovem que enfrentava uma gravidez particularmente difícil e tumultuosa. Dawn, outros blogueiros, e eu nos reunimos em nome desta mulher. Em junho de 2006, vi a ultrassonografia da mulher amadurecer em um bebê. Em homenagem aos esforços de Ashli, prometi que o nascimento da criança significaria a morte do ateísmo em meu blog. No final daquele mês, eu anunciei que não mais zombaria de Deus em meu site".

Embora João permanecesse ainda duvidoso, seus posts subsequentes abrangiam a possibilidade da existência de Deus. Ele perguntou a Dawn se ele poderia se juntar a ele em sua igreja. João também começou, à sugestão de Dawn, a orar diariamente. "Eu ainda não acreditava em Deus, mas eu queria mudar. Eu queria a alegria profunda e constante que eu tinha observado em meus amigos cristãos pró-vida. Por causa da grande bondade de Dawn para comigo, no verão de 2006 minha esposa e eu começamos a frequentar a igreja com ele". Foi então que João teve uma experiência incomum ao participar da Comunhão: "no dia 23 de julho fomos juntos à Church of Our Saviour na esquina da Park Avenue com a 38th Street. Eu caminhei para tomar a Comunhão (embora eu tenha aprendido mais tarde que eu não deveria ter feito isso). No mesmo instante em que a hóstia tocou meus lábios, uma voz irritada e zombeteira vinda de trás sibilou: 'Isso é demais para o ateu'".

João voltou ao seu banco, mas não disse nada. "Eu tentei dizer a mim mesmo que eu não tinha ouvido direito, embora a voz fosse tão bem articulada que realmente não havia dúvida em minha mente. Colin, um amigo de Dawn, estava na fila algumas pessoas atrás de mim. Ele se sentou ao meu lado e perguntou se eu tinha ouvido a mesma coisa que ele tinha. Ele olhou para a pessoa que falou (eu não vi), um homem desgrenhado e possivelmente esquizofrênico. Colin não percebeu que o instante da fala coincidiu com o da minha Comunhão". Dawn, logo atrás de João na linha, também tinha ouvido a voz. Ela demorou a retornar para o banco porque logo depois de ouvir a voz, ela foi até uma fileira de velas para fazer uma oração por João. "Muito sinceramente ela levantou a hipótese de que Satanás tinha sido agitado. Ele estava furioso com a perspectiva de perder um de seus mais 'fiéis' defensores". Mas apesar do que ele pensou que tinha ouvido, João permaneceu cético. "Meu instinto ateu me obrigou a classificar o evento como o tipo de experiência pessoal espiritual sem valor que os não-crentes reconhecem imediatamente como um sinal de credulidade ingênua, doença mental ou mentira simples. Eu tinha vergonha de até fingir levá-la a sério. Mas havia duas testemunhas. Aquilo me impressionou de tal forma que eu guardei aquela frase como a minha 'frase do dia'. E não estando mais preso na compulsão de lançar um ataque a Deus no blog, eu pude eventualmente ver o incidente como uma pessoa racional deveria ver: se não como uma prova conclusiva, pelo menos como uma evidência apontando distintamente em uma direção".

João aplicou essa abordagem à sua consideração da teologia em geral e, com o tempo, "achei impossível acreditar que o Universo foi criado a partir do nada. Havia ordem, direção e amor. Todas essas coisas apontavam para uma consciência maior e insondável. Percebi que não podia acreditar que os corações e as mentes humanas haviam surgido ao acaso. Meus olhos também foram abertos para a verdade fundamental do cristianismo. Enquanto eu havia concordado anteriormente com a avaliação de Nietzsche da fé como uma 'filosofia do escravo', uma celebração cruel de sofrimento sem sentido, vi que suas experiências haviam levado até mesmo ele a apreciar a nobreza de sacrifícios feitos pela vida".


Notas da tradução:

* Moonie é uma forma pejorativa de se referir em inglês aos seguidores da religião sincretista conhecida como Igreja da Unificação, criada pelo reverendo coreano Sun Myung Moon.

** Godidiot é a junção das palavras God (Deus) e idiot (idiota) em inglês, claramente um termo pejorativo para se referir aos que acreditam em Deus.

*** "desvario ateu" é a tradução literal de raving atheist.

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