terça-feira, 16 de abril de 2019

[TRADUÇÃO] Testemunho de Rosalind W. Picard, professora do MIT

TESTEMUNHO
Uma professora do MIT encontra o Autor de todo o Conhecimento


"Eu costumava pensar que pessoas religiosas eram ignorantes. Então eu fui esperta e dei uma chance a Deus."

ROSALIND PICARD | 15 de março de 2019

Já na escola primária, quando eu era uma leitora voraz e uma aluna nota 10 em todos os assuntos, me identificava com ser inteligente. E eu acreditava que pessoas inteligentes não precisavam de religião. Como resultado, eu me declarei ateia e considerava pessoas que acreditavam em Deus como incultas.

No ensino médio, liderei uma equipe de debates em sala de aula, defendendo uma forma de evolução sem Deus, confiante de que meu lado venceria porque "isso era ciência". Quando a classe votou e concedeu a vitória para o lado da criação, fiquei estupefata. A maioria das pessoas não entendia ciência, eu percebi - ou isso, ou elas eram indevidamente influenciadas pela garota mais popular da sala. Ela tinha uma piscina em seu quintal e dava festas divertidas.

Na época, eu trabalhei como babá para ganhar dinheiro. Uma das minhas famílias favoritas era um jovem casal; tanto o marido (um médico) quanto a esposa eram bastante perspicazes. Uma noite, depois de me pagarem, eles me convidaram para ir à igreja. Fiquei atordoada - será que pessoas tão inteligentes realmente vão à igreja? Quando chegou a manhã de domingo, eu disse a eles que estava com dor de estômago. Eles me convidaram novamente na semana seguinte, e mais uma vez eu inventei outra dor de estômago. Quanto mais persistiam, mais me esforçava para inventar desculpas convincentes (tente fingir uma doença para um médico...).

Apenas uma fase?

Eventualmente, o casal tentou uma abordagem diferente. “Sabe, ir à igreja não é o que mais importa”, eles disseram. “O que importa é o que você acredita. Você já leu a Bíblia?”. Então eu pensei que, se eu quisesse ser uma pessoa instruída, precisava ler o livro mais vendido de todos os tempos. O médico me sugeriu começar com Provérbios, lendo um capítulo por dia durante um mês. Quando abri pela primeira vez a Bíblia - essa era a versão King James -, esperava encontrar milagres falsos, criaturas inventadas e vários tipos de jargões religiosos. Para minha surpresa, Provérbios estava cheio de sabedoria. Eu tive que fazer uma pausa enquanto lia e para pensar.

Eu silenciosamente comprei uma tradução moderna da Bíblia chamada The Way e a li toda. Apesar de eu nunca ter ouvido algum tipo de voz, ou qualquer outra coisa que justifique a consulta de um neurologista, eu senti essa estranha sensação de alguém ter falado comigo através da leitura. Era perturbador, mas estranhamente atraente. Comecei a me perguntar se realmente poderia haver um Deus.

Eu decidi refazer o meu caminho através da Bíblia, pensando que talvez a minha experiência fosse comum para os leitores de primeira viagem. Desta vez eu voltaria e leria com mais cuidado, a fim de melhor desmascará-la. Eu também me comprometi a aprender mais sobre as origens da Bíblia e estudar outras religiões. Talvez, pensei, a minha cultura - na qual a maioria das pessoas era cristã ou judia - estivesse me condicionando a achar o cristianismo atraente.

Meu professor favorito da escola no ensino médio, um judeu, administrava um programa para estudantes acima da média, que me permitia dedicar uma aula a cada semestre ao que eu quisesse. Estudei o budismo, o hinduísmo e várias outras religiões. Eu visitei templos, sinagogas, mesquitas e outros locais sagrados.

Mais do que tudo, eu queria passar por essa fase de "religião", porque eu sabia que não queria isso para a minha vida. Porém, apesar dos meus desejos, uma batalha interna se alastrou. Parte de mim estava cada vez mais ansiosa para passar tempo com o Deus da Bíblia, mas uma voz irritada dentro de mim insistia que eu seria feliz novamente assim que eu largasse isso e seguisse em frente.

Havia duas passagens bíblicas que achei especialmente preocupantes: Mateus 10:33 (“Mas quem me negar diante dos outros, eu o repudiarei diante de meu Pai nos céus.”) e Mateus 12:30 (“Quem não está comigo é contra mim, e quem comigo não ajunta, espalha.”). Eu estava ressentida com o que parecia ser um ultimato indesejado. Eu não queria acreditar em Deus, mas eu ainda sentia um sentimento peculiar de amor e presença que eu não podia ignorar.

Durante meu primeiro ano na faculdade, recuperei o contato com um amigo que tinha conhecido em um programa de intercâmbio. Ele tinha notas altas e também era uma estrela, tanto na quadra de basquete quanto no campo de futebol americano - nunca conheci ninguém tão inteligente e atlético. Ele me ajudou com uma tarefa de casa difícil de Física, e depois ele me convidou para sua igreja. Desta vez, eu me senti bem.

O sermão gerou muitas perguntas. Comecei a levantar a mão enquanto o pastor falava antes de perceber que todos os outros estavam sentados em silêncio. Eu cutuquei meu amigo: "Podemos fazer perguntas?" Ele não respondeu e pediu silêncio. Como aprendemos se não podemos perguntar? Depois do sermão, tentei obter respostas, mas as pessoas queriam mais socializar. Comecei então a frequentar as aulas da Escola Dominical, pois os professores me deixavam fazer perguntas. Além disso, também continuei lendo.

Em um domingo, o pastor falou sobre a diferença entre acreditar que existe um Deus e seguir a Deus. Eu sabia que Jesus afirmava ser “o caminho” para Deus, mas eu estava tentando evitar qualquer coisa relacionada a Jesus - eu não podia deixar de associar seu nome com as expressões “crente ignorante” ou “fundamentalista”. Mas o pastor chamou minha atenção quando ele perguntou: “Quem é o Senhor da sua vida?” Ele discutiu o que acontece quando “você, um ser humano, se coloca nesse trono”.

Fiquei intrigada: eu era a capitã do meu navio, mas seria possível que Deus estivesse realmente disposto a me guiar? A partir daí, cheguei a uma compreensão mais profunda do que significava ter um relacionamento com Deus através da fé em Jesus. Parecia bobo orar sobre isso - afinal, eu ainda tinha dúvidas sobre a existência de Deus. Mas, no espírito da aposta de Pascal, decidi fazer uma experiência, acreditando que tinha muito a ganhar, mas muito pouco a perder.

Depois de orar: “Jesus Cristo, peço que seja o Senhor da minha vida”, meu mundo mudou drasticamente, como se um mundo plano e preto-e-branco de repente se tornasse colorido e tridimensional. Mas eu não perdi nada do meu desejo de buscar novos conhecimentos. De fato, me senti encorajada a fazer perguntas ainda mais difíceis sobre como o mundo funciona. Eu senti alegria e liberdade - mas também um senso elevado de responsabilidade e desafio.

Aprendendo e explorando

Você já tentou montar algo mecânico e então ele apenas meio que funciona? Talvez as rodas girem, mas não suavemente. Então você percebe que estava faltando uma peça. Quando você finalmente monta tudo corretamente, funciona lindamente. Foi assim que me senti quando entreguei minha vida a Deus: achei que tinha funcionado bem antes, mas depois que foi “consertado”, funcionou exponencialmente melhor. Isso não quer dizer que nada de ruim tenha acontecido comigo - longe disso. Mas em todas as coisas, boas e ruins, eu podia contar com a orientação, o conforto e a proteção de Deus.

Hoje, sou professora da melhor universidade (Massachusetts Institute of Technology) no meu ramo. Tenho colegas incríveis que ajudaram a traduzir minha pesquisa de laboratório em produtos que fazem diferença - incluindo um relógio inteligente que ajuda os profissionais de saúde a salvar a vida de pessoas com epilepsia. Eu trabalho de perto com pessoas cujas vidas estão cheias de lutas médicas, pessoas cujos filhos não são saudáveis. Eu não tenho respostas adequadas para explicar todo o sofrimento delas. Mas eu sei que existe um Deus de grandeza e amor insondáveis ​​que livremente entra em relacionamento com todos os que confessam seus pecados e invocam o Seu nome.

Uma vez pensei que era esperta demais para acreditar em Deus. Agora, sei que fui uma tola arrogante que desprezou a maior Mente do cosmos - o Autor de toda ciência, matemática, arte e tudo mais que há para saber. Hoje ando humildemente, tendo recebido a graça mais imerecida. Eu ando com alegria, ao lado do companheiro mais incrível que alguém poderia pedir, cheio de desejo de continuar aprendendo e explorando.

Rosalind Picard é fundadora e diretora do Affective Computing Research Group do Massachusetts Institute of Technology.

Fonte: Christianity Today, Abril/2019, vol. 63, n. 3, p. 72, "I Got Smart and Took a Chance on God"
Tradução: David Sousa / Google Translate

domingo, 14 de abril de 2019

[TRADUÇÃO] Interpretação do Genesis: um histórico pré-Darwin


Traduzido de BioLogos por David Sousa


Como o relato da Criação de Gênesis era interpretado antes de Darwin? 


Introdução

Muitas pessoas assumem que a teoria da evolução de Darwin deve ter abalado as fundação da Fé cristã por causa da diferença marcante entre o relato da evolução e a ideia de uma Criação do mundo em seis dias. Na verdade, a interpretação literal em relação aos dias dos capítulos 1 e 2 de Gênesis não foi a única perspectiva adotada por pensadores cristãos antes da publicação de A Origem das Espécies, em 1859. Os trabalhos de muitos teólogos e filósofos cristãos antigos revelam uma interpretação de Gênesis compatível com a visão científica darwiniana.

Pensamento Cristão Antigo


Orígenes, um filósofo e teólogo cristão do terceiro século, de Alexandria, no Egito - um dos grandes centros intelectuais do mundo antigo - serve de exemplo para o pensamento cristão primitivo sobre a Criação.

Mais conhecido por suas obras Sobre Primeiros Princípios e Contra Celso, Orígenes apresentou as principais doutrinas do cristianismo e as defendeu contra acusações pagãs. Orígenes se opôs à ideia de que a história da Criação deveria ser interpretada como um relato literal e histórico de como Deus criou o mundo. Houve outras vozes antes mesmo de Orígenes que advogaram por interpretações mais simbólicas do relato da Criação. E as perspectivas de Orígenes foram influentes também para outros pensadores cristãos primitivos que vieram após ele.[1]

Santo Agostinho de Hipona, um bispo do Norte da África durante o início do século V, foi outra figura central do período. Apesar de ser largamente conhecido por suas Confissões, Agostinho foi autor de dezenas de outras obras, muitas das quais focam nos dois primeiros capítulos de Gênesis.[2] Em O Significado Literal do Gênesis, Agostinho argumenta que os dois primeiros capítulos de Gênesis foram escritos para se ajustar ao conhecimento das pessoas naquela época.[3] A fim de se comunicar de forma que todos pudessem entender, a história da Criação foi contada em um estilo mais simples, alegórico. Agostinho também acreditava que Deus criou o mundo com a capacidade intrínseca de se desenvolver, uma visão que também se harmoniza com a evolução biológica.[4]

Pensamento Cristão Posterior


Houve ainda muitas outras propostas de interpretação literal de Gênesis 1-2 mais tarde na História. São Tomás de Aquino, um filósofo e teólogo bem conhecido do século XIII, estava particularmente interessado na interseção entre Ciência e Religião e foi fortemente influenciado por Agostinho. Tomás não temia as possíveis contradições entre a história da Criação em Gênesis e o conhecimento estabelecido em seu tempo.

Na sua Suma Teológica, ele responde à questão de se todos os seis dias da Criação são na verdade a descrição de um único dia [conforme a leitura de Gênesis 2.4 sugere], uma teoria que o próprio Agostinho sugeriu. Tomás argumenta em favor da visão que Deus criou todas as coisas com potencialidades em si mesmas:
"No dia em que Deus criou os céus e a terra, criou também todos os arbustos do campo, não em ato, mas 'antes de eles surgirem da terra', isto é, em potência. (...) Não foi por impotência de Deus, como se necessitasse de tem­po para operar, que todas as coisas não foram simultaneamente distinguidas e ornamentadas, mas para salvar a ordem na instituição delas." [5]
A perspectiva agostiniana da Criação pode ser vista até no século XVIII - logo antes de Darwin publicar A Origem das Espécies - nos trabalhos de John Wesley. Ministro Anglicano e fundador do movimento Metodista, Wesley, assim como Agostinho, argumentava que as Escrituras foram escritas em termos apreensíveis para a sua audiência original. Ele escreve: 
"O escritor inspirado nesta história [Gênesis] (...) [escreveu] para os hebreus primeiro e, calculando suas narrativas para o estado infante da Igreja, descreve as coisas através de suas aparências sensíveis exteriores, e nos deixa sermos guiados para a compreensão dos mistérios exprimidos dentro do texto por descobertas posteriores da luz divina." [6]
Wesley também argumenta que as Escritura "foram escritas não para satisfazer nossa curiosidade [de detalhes] mas sim para nos conduzir a Deus". [7]

No século XIX, o Seminário Teológico de Princeton era conhecido por sua defesa convicta do calvinismo conservador e pela autoridade absoluta da Escritura. Talvez o teólogo mais notável de Princeton naquela época, B.B. Warfield, aceitava a evolução como fornecendo um relato científico adequado das origens humanas. Ele acreditava que ouvir a voz de Deus na Escritura e os achados dos trabalhos científicos sólidos não estavam em oposição. Como o historiador Mark Nolls escreve, "B. B. Warfield, o defensor moderno mais capaz da doutrina conservadora da inerrância bíblica, era também um evolucionista".[8]

Conclusão

A história do pensamento cristão nunca foi dominada consistentemente por proponentes de uma interpretação literal do Gênesis. As descobertas da ciência moderna não devem ser vistas nem como incentivadores do abandono da confiança na Escritura, nem como contraditórias à Escritura, mas sim como uma espécie de guia em direção a um entendimento adequado do significado das Escrituras.

Agostinho oferece este conselho:
"E se lermos alguns escritos sobre assuntos obscuros e muito ocultos aos nossos olhos, mesmo divinos, que possam, salvando a fé na qual estamos imbuídos, apresentar várias opiniões, não nos lancemos com precipitada firmeza a nenhuma delas, para não cairmos em erro. Talvez uma verdade discutida com mais cuidado venha destruir aquela opinião. Desse modo, não estamos lutando em favor da opinião das divinas Escrituras, mas pela nossa de tal modo que queremos que seja das Escrituras a que é nossa, quando devemos querer que seja nossa aquela que é opinião das Escrituras." [9]
Notas e Referências

[1] Peter C. Bouteneff, Beginnings: Ancient Christian Readings of the Biblical Creation Narratives. Grand Rapids: Baker, 2008.

[2] Santo Agostinho, Confissões. Coleção Patrística, Volume 10, 1ª edição. Paulus, 2005.

[3] Santo Agostinho, Comentário ao Gênesis. Coleção Patrística, Volume 21, 1ª edição. Paulus, 2005.

[4] Para uma discussão mais profunda sobre a perspectiva agostiniana da criação, veja o capítulo 6 de A Linguagem de Deus, de Francis Collins (Ed. Gente, 2ª ed., 2007), assim como os capítulos 8 e 15 de O Ajuste Fino do Universo, de Alister McGrath (Coleção Ciência e Fé Cristã, Ed. Ultimato, 2017).

[5] Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, Volume 2. Edições Loyola, 2005, p. 344,345 (Questão 74, Artigo 2º).

[6] John Wesley, Wesley’s Notes on the Bible. Disponível online em http://wesley.nnu.edu/john-wesley/john-wesleys-notes-on-the-bible. Acessado em 14/04/2019.

[7] John Wesley, A Survey of the Wisdom of God in the Creation: or, A Compendium of Natural Philosophy, 3ª ed. J. Fry, 1777, 2:463.

[8] Mark A. Noll e David N. Livingston (editores), B. B. Warfield: Evolution, Science, and Scripture. Baker, 2000, p. 14.

[9] Santo Agostinho, Comentário ao Gênesis. Coleção Patrística, Volume 21, 1ª edição. Paulus, 2005. p. 31 (Capítulo XIX, 37).

terça-feira, 9 de abril de 2019

"Interpretação Literal do Gênesis?" Revisitado e Comentado


Olá, leitores. Os que acompanharam os últimos textos aqui do blog sabem que passei a me posicionar mais fortemente a favor da teoria da evolução. Isto tem um impacto muito grande na história desse blog, já que o primeiro texto que postei aqui era justamente acerca da possibilidade de interpretação literal do Gênesis, e uma proposta de leitura a partir de uma posição que estaria mais alinhada com o criacionismo da Terra antiga. Este texto possui um certo valor sentimental para mim, por ser o artigo mais antigo do blog. Mas hoje, ele será revisado e comentado aqui.

sábado, 23 de março de 2019

A Teoria dos Dois Livros


Olá, leitores. Recentemente estou falando bastante sobre Evolução. Ao mesmo tempo que este assunto é bem explorado do ponto de vista ateu e anti-religioso como uma espécie de argumento contra Deus (o que eu já refutei, por exemplo, aqui ou aqui) é também um assunto é bem delicado para muitos cristãos, mesmo aqueles que possuem vocação científica, por considerarem uma espécie de obstáculo à conciliação entre a ciência e a sua fé, uma espécie de pedra no sapato de suas próprias vocações científicas e racionais.

Eu particularmente penso que isto surge principalmente de uma incompreensão da relação entre a fé e o conhecimento racional/científico. Não deve, ou não deveria haver conflito entre as duas coisas. Talvez o primeiro passo para compreender a harmonia entre fé e ciência seja a Teoria dos Dois Livros. Basicamente, ela considera que Deus não escreveu apenas um livro (a Bíblia), mas dois: há o Livro da Revelação, as Escrituras Sagradas, e há o Livro da Natureza, ou a Criação. A própria Criação é autoria de Deus, e nesta Teoria ela é vista como um livro a ser lido. Isto possui uma série de implicações práticas, que veremos detalhadamente a seguir.

sábado, 9 de março de 2019

O "Espectro criação-evolução": Quatro visões


Olá, leitores. Após o anúncio recente da minha mudança oficial de posição quanto à teoria da evolução, alguns leitores ficaram espantados. Teve até gente que veio me perguntar se eu perdi minha fé... calma, pessoal! Minha fé está tão ou mais forte do que antes. Alguns esclarecimentos maiores sobre o assunto virão em breve. 

Por ora, eu ainda preciso introduzir o assunto aqui no blog, pois falei muito pouco sobre a questão das origens em todos esses anos. Acho que isso foi de propósito. Nunca gostei de polarização em assuntos concernentes a fé, e sempre respeitei a visão de outras pessoas sobre o assunto. A minha própria visão foi meio indecisa por muito tempo.

sábado, 2 de março de 2019

Mudança no Blog


Olá, leitores. O que tenho a noticiar a vocês hoje é resultado de um processo que durou alguns anos. Provavelmente vai desagradar alguns, mas meu objetivo aqui nunca foi agradar a todos, e sim tão somente buscar e apontar para a verdade.

Coincidentemente, essa mudança acontece no aniversário de 8 anos deste mesmo blog. Comecei a escrever na época da faculdade. Interrompi por um ano a minha graduação para trabalhar como técnico em química, para me sustentar. Criei o blog para preencher um pouco do vazio que a distância da faculdade me deixou. Desde então o trabalho só foi crescendo, e eu junto. Hoje em dia posso dizer que amadureci muito em relação às minhas posições teológicas e cientificas. Já estou chegando ao fim do meu doutorado.

Ao longo dos anos fui ajustando muitas posturas e posicionamentos. O primeiro texto que publiquei aqui é na verdade de antes do blog. Era um questionamento sobre a interpretação literal dos primeiros capítulos do Livro de Gênesis. Esse talvez seja um dos assuntos que mais chamam a atenção de qualquer pessoa cristã que esteja começando a se aprofundar no estudo das ciências naturais. De fato, é um assunto pelo qual eu sempre me interessei. O posicionamento do texto era, na época, uma tentativa de conciliação entre o relato bíblico literal e dados científicos da história de nosso planeta. A posição que expressava na época tinha um pouco de concordismo, ou seja, de forçar a concordância entre a visão científica e a visão bíblica literal fazendo vista grossa às possíveis inconsistências que poderia ocorrer. Dentro do espectro criacionismo-evolucionismo, posso dizer que se encaixava dentro de um criacionismo da Terra antiga, ou seja, acreditando na visão cosmológica e geológica sobre a antiguidade da Terra mas sendo cético quanto ao relato biológico da origem das espécies, particularmente do homem.

Lembro-me de ter lido, mesmo antes disto, o livro A Linguagem de Deus, de Francis Colins. Talvez tenha sido o primeiro livro sobre ciência e fé cristã que eu li na vida. Na época, eu estava terminando o ensino médio e não tinha muita maturidade para absorvê-lo. O autor, um físico-químico e médico geneticista, ex-ateu e cristão, defendia abertamente a Evolução no livro. Minha primeira reação a isso foi talvez de escândalo - isto era impensável para mim - mas ao longo da leitura muito dos argumentos passavam a fazer algum sentido, e como ele era um especialista no assunto e eu não tinha competência alguma para contra-argumentar, decidi me calar sobre o assunto. A partir de então, eu não defenderia qualquer posicionamento sobre criação ou evolução, enquanto não pudesse estudar a fundo. Quando comecei o blog, eu pensava desta forma, e por isso, não fiz muitas afirmações categóricas a nível biológico naquele primeiro texto sobre o Gênesis.

Tive contato com muito materiais que defendiam o criacionismo literal (basicamente do Adauto Lourenço), inclusive fiz uma resenha do livro dele na época. Conheci depois a Teoria do Design Inteligente por conta do Marcos Eberlin e pelo blog do Luiz Francisco Pianowski. Não me aprofundei nesses assuntos na época por falta de tempo e, talvez, de interesse.

Eu sempre tive consciência, no entanto, que a evolução não era e nem podia ser um "problema" para a existência de Deus. É possível que Deus tenha criado as espécies através de um mecanismo evolutivo. Ainda me parecia difícil ver como isso poderia se conciliar com o texto de Gênesis, mas mesmo assim, deveria ser possível de alguma forma. O problema real é o de alguns cientistas adotarem a evolução como uma "filosofia", algo além de uma mera teoria científica, concluindo que o Universo é como é por uma série de acasos sem sentido algum por trás de tudo. Essa é a abordagem do biólogo e ateu militante Richard Dawkins, por exemplo. 

Enfim, sem mais delongas, creio que hoje em dia eu possa me expressar de maneira mais explícita e favorável à Teoria da Evolução das Espécies. Não parece haver nenhuma objeção séria à teoria atualmente do ponto de vista cientifico, assim como não parece haver nenhum problema de suas implicações na teologia cristã. Não vou contar muito acerca de como foi minha mudança nem argumentar a favor da evolução aqui. Isso deve vir nos posts seguintes.

Talvez vocês devam estar se perguntando: o que muda no blog a partir de agora? Bem, não muita coisa. Não pretendo fazer deste assunto o principal aqui. Postarei sobre Evolução quando sentir necessidade. Eu já não tenho postado tão frequentemente nos últimos anos. Estou pensando em aos poucos voltar a postar regularmente, mas não quero me comprometer ainda, pois pode ser que eu não consiga cumprir essa tarefa.

Por ora, alguns textos anteriores serão editados, possivelmente com notas explicativas acerca da minha mudança de posição. Espero publicar um comentário ao meu primeiro texto aqui, para deixar claras as minhas mudanças e meus posicionamentos atuais. Os próximos posts serão dedicados a mais algumas exposições e esclarecimentos.

Abraços, Paz de Cristo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Teologia é Poesia? Por C. S. Lewis [PARTE 5]


Olá, leitores. Esta é a última parte da série de trechos do ensaio "Teologia é poesia?", por C. S. Lewis. Se ainda não leu as partes anteriores, veja aqui: Parte 1Parte 2Parte 3, Parte 4. Veja também outros textos sobre C. S. Lewis aqui.

Nesta parte do texto, ele continua o assunto da Parte 2, onde falava a respeito da cosmovisão científica (ou cientificista) ser um "mito". Aqui ele conclui que o mito científico é muito menos crível do que a visão de mundo cristã.

O texto foi traduzido diretamente do original inglês pelo Google e revisado por mim.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Teologia é Poesia? Por C. S. Lewis [PARTE 4]


Olá, leitores. Estamos continuando a nossa série de trechos do ensaio "Teologia é poesia?", por C. S. Lewis. Se ainda não leu as partes anteriores, veja aqui: Parte 1Parte 2Parte 3. Veja também outros textos sobre C. S. Lewis aqui.

Nesta quarta parte do texto, ele encara o fato de considerarmos outras religiões como "mitologias", e como fica o Cristianismo nisso, enquanto há  semelhanças em alguns aspectos com as religiões pagãs.

O texto foi traduzido diretamente do original inglês pelo Google e revisado por mim.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Teologia é Poesia? Por C. S. Lewis [PARTE 3]


Olá, leitores. Estamos continuando a nossa série de trechos do ensaio "Teologia é poesia?", por C. S. Lewis. Se ainda não leu as partes anteriores, veja aqui: Parte 1, Parte 2. Veja também outros textos sobre C. S. Lewis aqui.

Nesta terceira parte do texto, ele encara o fato de considerarmos outras religiões como "mitologias", e como fica o Cristianismo nisso, enquanto há  semelhanças em alguns aspectos com as religiões pagãs.

O texto foi traduzido diretamente do original inglês pelo Google e revisado por mim.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Teologia é Poesia? Por C. S. Lewis [PARTE 2]


Olá, leitores. Estamos continuando a nossa série de trechos do ensaio "Teologia é poesia?", por C. S. Lewis. Se ainda não leu a primeira parte, veja aqui. E veja outros textos sobre C. S. Lewis aqui. Nesta segunda parte do texto, ele passa a olhar outro lado da questão, se a própria cosmovisão científica (ou cientificista) também pode ser vista como "Poesia".

O texto foi traduzido diretamente do original inglês pelo Google e revisado por mim.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Teologia é poesia? Por C. S. Lewis [PARTE 1]

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Olá, leitores. Bem, C.S. Lewis é um autor que dispensa apresentações. O conheci no início deste blog, e já publiquei bastante aqui sobre ele. Talvez seja um dos maiores pensadores cristãos do século XX, os seus livros e ensaios geralmente misturam uma riqueza literária e harmonia estética com uma argumentação perspicaz. 

O ensaio "Teologia é poesia?" foi originalmente apresentado em 1944 em uma sociedade de debates de Oxford chamada Clube Socrático. Mais tarde, foi publicado na coletânea de ensaios intitulada "They Asked for a Paper" (1962) e foi recentemente publicado em português na coletânea "O Peso da Glória", pela Thomas Nelson Brasil. Ele trata de vários assuntos que giram em torno da questão se a teologia pode ser considerada um mero mito ou alegoria poética. Estou trazendo aqui alguns trechos que mais me chamaram a atenção. Eles foram diretamente traduzidos da versão inglesa pelo Google e revisados por mim.
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